Os atendimentos por telemedicina na Atenção Primária à Saúde (APS) de Marília cresceram 52,1% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo levantamento do programa TeleAPS, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o município passou de 119 atendimentos no período de 2025 para 181 até 22 de julho deste ano.
Os teleatendimentos são realizados na Unidade Básica de Saúde/Unidade de Saúde da Família (UBS/USF) Jardim Maracá. Segundo o levantamento, o serviço atende um público potencial de cerca de 238 mil moradores da rede pública municipal.
Resolutividade segue elevada
Entre janeiro e julho de 2025, foram registrados 119 atendimentos para 70 pacientes, com índice de resolutividade de 90,7%. No período, também foram contabilizadas 41 faltas, com taxa de absenteísmo de 25,8% e ocupação estimada das vagas de 36%.
Em 2026, o programa contabilizou 181 atendimentos, sendo 116 teleconsultas na APS, oito teleconsultorias, seis teleinterconsultas e quatro teleinterconsultas realizadas em parceria com o Ambulatório Médico de Especialidades (AME). O número de pacientes únicos foi de 63.
No período, foram registradas 60 faltas, com taxa de absenteísmo de 26,9% e ocupação estimada das vagas de 40,3%. A resolutividade permaneceu elevada, em 89%, dentro das metas estabelecidas pela Secretaria de Estado da Saúde.
Apesar do avanço da modalidade, a expansão da telemedicina também suscita debates sobre os limites do atendimento remoto. Entre os questionamentos relacionados a esse modelo estão a possibilidade de avaliações mais superficiais em determinados casos e a percepção de que a interação virtual pode ser menos humanizada do que o atendimento presencial.
Por outro lado, a ferramenta pode ampliar o acesso aos serviços de saúde, facilitar o contato com especialistas e evitar deslocamentos desnecessários. Nesse contexto, a efetividade da telemedicina pode variar conforme o perfil de cada caso e a integração entre os atendimentos remotos e presenciais, de modo que a tecnologia funcione como complemento à assistência.
No primeiro semestre de 2026, foram registrados 41 atendimentos em janeiro, 26 em fevereiro, 29 em março, 33 em abril, 26 em maio e 21 em junho. Em julho, até o dia 22, foram contabilizados cinco atendimentos.
Em relação aos desfechos das consultas remotas realizadas em 2026, 72,22% dos casos (13 pacientes) resultaram em encaminhamento para atendimento especializado. Outros 22,22% (quatro casos) foram direcionados para serviços de urgência e emergência, enquanto 5,56% (um caso) demandou atendimento presencial na Unidade Básica de Saúde (UBS).
Encaminhamentos priorizam atenção especializada
As especialidades mais solicitadas por meio da telemedicina em 2026 foram Oftalmologia e Psiquiatria, responsáveis por 15% dos encaminhamentos cada. Na sequência, aparecem Cardiologia, Dermatologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Ginecologia e Obstetrícia, Nefrologia, Neurologia, Ortopedia e Otorrinolaringologia, todas com participação de 8%.
O levantamento também aponta que a telemedicina segue integrada ao planejamento da atenção básica. Em 2026, 86% dos atendimentos ocorreram por agendamento prévio e 14% por demanda espontânea. No mesmo período de 2025, os atendimentos previamente agendados representavam 93% do total, enquanto a demanda espontânea correspondia a 7% dos atendimentos.





