Bloomberg — Os preços ao consumidor nos EUA caíram em junho pela primeira vez em seis anos, e um importante indicador da inflação subjacente apresentou poucas variações, aliviando um pouco a pressão sobre o Federal Reserve para aumentar as taxas de juros.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em português) caiu 0,4% em relação a maio, influenciado pela maior queda nos preços da gasolina desde 2022, de acordo com dados do Bureau of Labor Statistics divulgados nesta terça-feira. Excluindo alimentos e energia, o índice permaneceu estável em relação ao mês anterior.
O relatório sugere que a queda nos preços na bomba em junho proporcionou algum alívio aos consumidores, à medida que o pior do choque energético causado pela guerra com o Irã começou a se dissipar.
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Autoridades do Fed provavelmente receberão bem os dados antes da próxima reunião do banco central dos EUA no final do mês, embora uma nova alta nos preços do petróleo em meio à retomada das hostilidades entre os EUA e o Irã represente o risco de prolongar as consequências inflacionárias do conflito.
E embora os números mensais da inflação tenham sido moderados, os indicadores anuais continuaram a apontar para uma inflação elevada: o índice geral registrou alta de 3,5% em relação ao ano anterior e o índice básico apresentou aumento de 2,6%.
“Essa fraqueza provavelmente se revelará temporária e deverá desaparecer já no relatório do próximo mês”, afirmou Omair Sharif, presidente da Inflation Insights LLC. “Essa é uma notícia bem-vinda para o Fed, mas dificilmente significa que a missão está cumprida.”
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Os futuros dos índices de ações dos EUA subiram e os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram, à medida que os investidores reduziram as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Fed em julho. O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou em declarações preparadas para seu depoimento perante o Congresso na terça-feira que o banco central “não tolera” uma inflação persistentemente elevada.
Os números mostraram que o indicador básico foi contido por quedas mensais nos preços dos bens, incluindo os de vestuário e carros usados.
Um indicador de serviços acompanhado de perto pelas autoridades do Fed, que exclui os custos de moradia e energia, caiu 0,2%, igualando a maior queda desde o início da pandemia. Ele foi prejudicado pelos prêmios de seguro de veículos motorizados, que também registraram a maior queda desde 2020.
O que diz a Bloomberg Economics…
“A inflação dos bens básicos foi negativa e a inflação superbásica (serviços, excluindo moradia) recuou. Isso deixa Warsh na melhor das hipóteses: ele pode continuar a se mostrar hawkish sem precisar aumentar as taxas. Acreditamos que os dados fracos sobre a inflação tiram da mesa a possibilidade de um aumento em julho e reforçam nossa opinião de que o FOMC manterá as taxas inalteradas pelo resto do ano.”
— Andrew Sacher e Troy Durie
Os preços da gasolina caíram quase 10%, os aluguéis subiram modestamente e os preços dos alimentos aumentaram pelo terceiro mês consecutivo, impulsionados pelos aumentos na carne bovina, nos ovos e nos laticínios. As tarifas de hotéis, por sua vez, registraram a maior queda em mais de um ano, após quatro meses consecutivos de alta. Os preços nos restaurantes subiram apenas modestamente.
Os preços de softwares e acessórios de informática subiram 2,3% no mês e um recorde de 17,4% em relação ao ano anterior. A ata da reunião do Fed de 16 e 17 de junho, divulgada na semana passada, refletiu uma preocupação crescente entre os formuladores de políticas em relação à inflação, incluindo um cenário em que a inflação permanece elevada devido à forte demanda impulsionada pela inteligência artificial, ao conflito no Oriente Médio e às tarifas do presidente Donald Trump.
Um relatório separado divulgado na terça-feira combinou os números da inflação com dados recentes sobre salários. Graças à queda nos preços da gasolina, os americanos viram o rendimento médio real por hora subir 0,1% em relação ao ano anterior, após quedas nos dois meses anteriores.
A combinação de preços mais altos e aumentos salariais mais modestos vem pressionando ainda mais o orçamento das famílias antes das eleições de meio de mandato de novembro, em um momento em que o indicador de confiança do consumidor da Universidade de Michigan mal começou a se recuperar de níveis recordes de baixa.
A medida de inflação preferida pelo Fed, o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE), não atribui tanto peso aos aluguéis quanto o IPC. Os dados sobre os preços ao produtor, previstos para quarta-feira, oferecerão informações sobre outras categorias que alimentam diretamente o índice PCE, a ser divulgado ainda este mês.
–Com a colaboração de Julia Fanzeres, Augusta Saraiva e Jeffrey B. Sparshott.
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