Bloomberg — Assim que a superestrela do futebol Lionel Messi recebe a bola, a única energia que os argentinos consomem é para observá-lo.
Praças lotadas na fria Buenos Aires, eventos para assistir aos jogos na gelada Patagônia e fartos churrascos antes das partidas nas áreas rurais da Pampa têm tirado os argentinos de casa durante o inverno sul-americano.
Como resultado, a demanda por eletricidade despenca assim que o árbitro apita o início dos jogos da Argentina, muito mais do que em um dia comum, segundo a Cammesa, administradora do sistema elétrico do país.
Na última partida contra o Egito, um breve aumento da demanda durante o intervalo desapareceu no segundo tempo, quando os maiores temores dos argentinos começaram a ganhar forma.
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Eles perdiam por 2 a 0 durante boa parte do jogo. Messi, de 39 anos, enfrentava a possibilidade de disputar sua última partida à frente da seleção argentina. À medida que a tensão aumentava, os aparelhos eletrônicos deixavam de ser usados.
Então, o capitão assumiu o controle da partida: a Argentina marcou três gols em 13 minutos, consolidando mais um capítulo de um clássico de Copa do Mundo e reforçando a grandeza de Messi.
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O craque marcou um dos gols e deu assistência para outro. O técnico Lionel Scaloni, conhecido pelo estoicismo, não conteve as lágrimas após a virada, assim como muitos de seus compatriotas. Agora, Messi e a Albiceleste, – o apelido da seleção -, enfrentarão a Suíça no sábado, pelas quartas de final, em Kansas City.
Sem dúvida, a dedicação dos argentinos em acompanhar a magia de Messi se repete, em alguma medida, em outros sistemas elétricos ao redor do mundo.
O Reino Unido convive há anos com os chamados TV pickups durante grandes transmissões, quando milhões de telespectadores se levantam ao mesmo tempo para usar outros eletrodomésticos, provocando picos no consumo de energia.
Algo semelhante ocorre durante o Super Bowl, nos Estados Unidos, ou no Ramadã, em países do Oriente Médio, quando muitas famílias preparam alimentos simultaneamente. Em diversos relatórios, a Cammesa informou que observou uma curva em formato de “W” em partidas anteriores da seleção argentina.
À medida que a energia eólica e a solar passam a responder por uma fatia cada vez maior da geração de eletricidade na Argentina — ao fim do ano passado, as fontes renováveis representavam quase 20% da matriz elétrica —, administrar esses picos se tornou mais desafiador, já que a geração dessas fontes depende das condições climáticas e nem sempre está totalmente disponível.
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Ainda assim, diante da enorme importância do futebol para a identidade argentina, a Cammesa afirma que permanece em estado de alerta máximo antes, durante e depois de cada partida.
“As emoções que uma partida de futebol desperta nos argentinos são incomparáveis”, disse Scaloni à imprensa.
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