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HBR, dona do shopping Mogi, faz oferta pela Helbor para criar plataforma im…

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Bloomberg Línea — A HBR Realty (HBRE3), dona do Mogi Shopping e da rede de conveniência ComVem, anunciou nesta sexta-feira (3) uma OPA (oferta pública de aquisição) para comprar 100% da Helbor Empreendimentos (HBOR3) e retirar a incorporadora da bolsa, encerrando sua trajetória como companhia independente na B3, segundo fato relevante enviado pela HBR Realty à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O objetivo da HBR é ampliar o ecossistema de negócios e ter em seu portfólio a expertise de incorporadora. A Helbor passaria a ser subsidiária da HBR.

As duas empresas já são sócias no hotel W, na Vila Olímpia, em São Paulo, construído em parceria com a incorporadora Toledo Ferrari. O portfólio da HBR está organizado em três verticais de negócio: shoppings e conveniência, que reúne quatro empreendimentos do tipo (Mogi Shopping, Patteo Urupema e Suzano Shopping, na região de Mogi das Cruzes, e Patteo Olinda, em Pernambuco), torres corporativas triple A sob a marca HBR 3A, e o segmento de Opportunities, que reúne empreendimentos como o W.

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A companhia é controlada pela família Borenstein, mesmo grupo por trás da Helbor, incorporadora residencial com atuação concentrada em São Paulo e na região de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

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Em nota à imprensa, a HBR classificou a operação como o nascimento de uma nova empresa no mercado imobiliário. Atualmente a HBR vale R$ 267 milhões na B3, enquanto a Helbor, R$ 316 milhões.

“As duas empresas são desenvolvedoras imobiliárias. Uma focada em ativos para renda e a outra em incorporação residencial. Acreditamos que a sinergia entre as duas pode criar uma plataforma única e gerar mais valor para os acionistas”, disse Alexandre Nakano, CEO da HBR Realty.

Segundo o texto, a concretização do negócio não muda a atuação das duas empresas no mercado nem o controle acionário, que permanece com a família Borenstein.

Pelo comunicado divulgado pela HBR, a operação tem racional estratégico: as duas companhias respondem a lógicas distintas dentro do setor imobiliário. A Helbor lança e vende apartamentos, modelo que rende bem em ciclos de mercado aquecido, mas perde fôlego quando os juros sobem e a demanda esfria. A HBR, por sua vez, vive de aluguel, o que garante um fluxo de caixa mais previsível mês a mês, independentemente do ritmo de vendas do setor.

Ações da Hbr Realty (HBRE3)

Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Segundo a companhia, unir os dois modelos deixa a empresa final menos dependente de uma única fonte de receita, reduzindo a exposição à volatilidade que hoje afeta ações de incorporadoras que dependem só de lançamentos.

Esse racional aparece também nos números apresentados pela HBR na nota à imprensa: juntas, as duas companhias somariam R$ 559 milhões em lucro bruto, sendo 62,6% vindos da Helbor e 37,4% da HBR.

Entre os ativos que a HBR destaca na Helbor está um banco de terrenos avaliado em mais de R$ 11,9 bilhões, com mais de 80% concentrado na cidade de São Paulo.

Mais da metade desse potencial de vendas está nos segmentos de alto e altíssimo padrão, faixa que, segundo a companhia, costuma sofrer menos com oscilações econômicas do que o mercado popular.

A Helbor reportou dívida líquida de R$ 1,67 bilhão, com alavancagem de 59% sobre o patrimônio. A HBR, por sua vez, tem dívida líquida de R$ 1,4 bilhão, equivalente a 42,3% do valor de suas propriedades para investimento. Juntas, somam mais de R$ 3 bilhões em dívida líquida, quase seis vezes o valor de mercado combinado das duas na B3, segundo as apresentações de resultados do primeiro trimestre, divulgadas pelas companhias em maio.

A HBR já reciclou R$ 449 milhões em ativos maduros desde 2025, incluindo a venda da torre 3A Corporate Pinheiros, do Hotel Hilton Garden Inn e de duas unidades de self storage da marca +Box, usando os recursos para reduzir a dívida líquida em 12,2% no trimestre, segundo a apresentação de resultados do primeiro trimestre.

A ação da Helbor acumula queda de 6,35% em 2026, enquanto a da HBR cai 26,63% no mesmo período.

Ações da Helbor (HBOR3)

Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

O fato relevante informa ainda que os controladores comuns das duas empresas, Hélio Borenstein S.A. Administração, Participações e Comércio, Henrique Borenstein e Henry Borenstein, assumiram compromisso irrevogável de não vender suas ações da Helbor antes do leilão, de participar da oferta e de entregar toda sua fatia na companhia, desde que atingido o quórum mínimo de aceitação.

A holding Hélio Borenstein S.A. tem 38,56% da Helbor, segundo dados do site de RI da companhia. Na HBR, a mesma holding detém 49% do capital, com free float de 47,35%, conforme dados mais recentes do site da empresa, atualizados em maio deste ano.

Troca de ações

Segundo o documento, a operação é uma troca de ações, sem dinheiro envolvido. Cada ação da Helbor vale R$ 2,52 na conta da oferta, valor que será pago com a entrega de 0,81553398 ação da HBR por papel entregue. A companhia informa que a relação de troca foi calculada pela consultoria Apsis, contratada para avaliar as duas empresas de forma independente, com base em critérios da Resolução CVM 215 e do Regulamento do Novo Mercado.

Na prática, os acionistas da Helbor não deixam de investir no grupo: eles passam a deter participação na HBR e a fazer parte de uma base de resultados mais ampla e diversificada, segundo a nota à imprensa da companhia.

Leia também: Helbor explora parceria com Artefacto e mira cliente de alta renda de fora de SP

Dois bancos e um escritório de advocacia foram contratados para viabilizar o negócio, cada um com uma função diferente. O BTG Pactual atua como instituição intermediária, responsável por garantir a liquidação financeira da oferta.

O Bradesco BBI foi contratado para dar um parecer independente sobre se o valor oferecido pela troca de ações é justo para os acionistas da Helbor, avaliação que o mercado costuma chamar de fairness opinion. A assessoria jurídica da operação ficou a cargo do escritório Trindade Sociedade de Advogados, segundo a nota à imprensa.

A companhia cita ganhos de sinergia como parte do racional do negócio, com redução de despesas administrativas duplicadas e maior eficiência em projetos conjuntos, além da promessa de mais liquidez para os acionistas das duas empresas, já que a ação combinada deve negociar volumes maiores do que cada papel isoladamente hoje.

Apesar dos benefícios apontados, o fato relevante também detalha a condição que pode travar o negócio: a oferta só se concretiza se acionistas minoritários da Helbor donos de mais de dois terços das ações em circulação aceitarem participar do leilão. Sem esse número, diz o documento, a HBR desistirá da operação.

Além do aval dos minoritários, a oferta também exige que a HBR adquira ao menos 50,1% do capital social e votante da Helbor, uma condição de controle prevista no artigo 257 da Lei das S.A. O preço por ação, de R$ 2,52, ainda será corrigido pela Selic entre 2 de julho (data-base dos laudos) e a data de liquidação da oferta.

De acordo com o fato relevante, os próximos passos dependem da aprovação do registro da oferta pela CVM antes da realização do leilão na B3, além da validação dos termos do negócio pelos acionistas da HBR em assembleia geral.

A companhia informou que realizará uma teleconferência pública na segunda-feira (6), às 9h, para detalhar a operação ao mercado.

– Texto atualizado às 21h20 para incluir declaração do CEO da HBR, desempenho das ações e detalhes do portfólio e do balanço do primeiro trimestre

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