Bloomberg Línea — A Diageo encerrou em junho um ano fiscal marcado por um dos maiores desafios que a indústria de bebidas já enfrentou no Brasil.
A crise das bebidas adulteradas com metanol, no segundo semestre de 2025, derrubou o consumo de destilados no país e instalou desconfiança no consumidor, justamente no principal canal de crescimento da categoria, os bares.
O período foi descrito pela empresa como um ano complexo durante o Diageo Day, encontro fechado com parceiros estratégicos da companhia realizado em São Paulo para marcar o início do novo ano fiscal, que vai até 30 de junho de 2027.
Ainda assim, a operação brasileira da dona de Johnnie Walker, Smirnoff e Tanqueray cresceu nos últimos 12 meses. Desde 2019, a operação brasileira multiplicou seu tamanho por duas vezes e meia, segundo a companhia. E o espaço para avançar segue amplo.
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Segundo executivos, a empresa vê espaço para manter a expansão porque considera o mercado brasileiro ainda pouco desenvolvido para destilados. A companhia atribui parte desse potencial ao comportamento do consumidor brasileiro.
De acordo com estudos globais conduzidos pela empresa, o Brasil é o mercado em que as pessoas mais valorizam celebrações longas e em grupo, característica que favorece diferentes ocasiões de consumo.
“Quando comparamos as vendas totais de álcool, somos o quarto maior mercado no mundo, mas o 14º em destilados”, disse Guilherme Martins, diretor de marketing para o país. É esse descompasso que a companhia, terceira maior empresa de bebidas alcoólicas do mundo e líder global em destilados, pretende explorar.
Mesmo com a crise, o consumidor manteve o movimento de premiumização que sustenta a estratégia da empresa. “As pessoas querem beber melhor, descobrir as marcas, descobrir novas ocasiões”, afirmou.
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O resultado mais simbólico do ciclo veio de um produto fundamental para a empresa no país. “O whisky é o nosso principal negócio. Nós somos o segundo maior mercado de Johnnie Walker no mundo. Pelo câmbio, somos o segundo em valor. Assumimos a primeira colocação em volume”, disse.
O executivo afirmou ainda que o Old Parr, líder na faixa de whiskies de 12 anos no país, concentra suas vendas no Nordeste e no Centro-Oeste, e que a expansão para outras regiões, começando pelo interior de São Paulo, é uma das avenidas de crescimento do novo ciclo.
O plano para o novo ano fiscal parte de uma leitura de comportamento sobre mudança no perfil de consumo, que Martins fez questão de sustentar com dados. “Nos últimos cinco anos tivemos 20% mais de consumidores entrando na categoria de álcool, só que o número de drinks por ocasião caiu”, afirmou.
Nas pesquisas da companhia, 72% dos consumidores associam beber com moderação a um estilo de vida mais equilibrado, quase 90% preferem qualidade a quantidade e 60% já enxergam o coquetel como uma forma de consumo mais moderada.
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Para a Diageo, a moderação deixou de ser tema regulatório e virou eixo de negócio. Na prática, isso significa quatro grandes lançamentos ao longo do ano, em todas as categorias prioritárias, com diferentes teores alcoólicos, além do avanço em coquetéis sem álcool.
Além dos destilados, a Diageo também vem percebendo uma demanda por cerveja. A Guinness, vendida no Brasil exclusivamente pelo e-commerce da companhia, virou o produto mais buscado do canal.
Na visão da companhia, a próxima etapa passa menos por ampliar o portfólio do que por fortalecer o relacionamento entre consumidores, marcas e parceiros da indústria.
— Reportagem atualizada para reformular o título e parte do texto, e retirar referências a executivos da empresa.
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