Palco das principais decisões do futebol amador mariliense desde a década de 1970, o estádio varzeano Nelson Cabrini, o Mineirão, costuma dividir as torcidas em lados opostos de sua arquibancada principal durante finais e clássicos da várzea.
Dentro das quatro linhas do campo da zona norte passaram algumas das equipes mais tradicionais da história do futebol varzeano de Marília como o Peduti Futebol Clube – considerado o maior de todos – além de Comasa, Portuguesa do Morro e Vila Barros e tantos outros em quase 60 anos.
O que poucos imaginavam é que, durante todo esse período, o estádio estivesse separado, oficialmente, por uma via que o atravessa exatamente ao meio, como que já tivesse delimitado o posicionamento de tantas torcidas rivais.

No caso, o quinto quarteirão da rua Brasília, que existe apenas no registro oficial de um cartório da cidade, mas que acabou restrita a apenas quatro, desde a rua Ribeirão Preto, após a instalação da praça desportiva no início dos anos 1970.
Proposta de mudança
Um projeto de lei encaminhado pela Prefeitura à Câmara Municipal propõe a desafetação e extinção deste trecho imaginário da rua Brasília. O objetivo é unificar os cerca de 10,1 mil metros quadrados ocupados pelo Mineirão em uma única matrícula imobiliária, regularizando definitivamente a área.
A origem da divisão remonta à Lei Municipal nº 915, de 6 de dezembro de 1960, sancionada pelo então prefeito Octávio Barreto Prado, o Tatá. A legislação regularizou áreas doadas por Bento de Abreu Sampaio Vidal Filho, filho de um dos fundadores de Marília, destinadas à formação do então bairro Palmital, atualmente incorporado à Vila Nova e arredores.

Além de definir o traçado da rua Brasília, a norma criou ou regularizou vias que hoje circundam o estádio, como as ruas Washington Luiz, 16 de Setembro e Carlos Rodrigues de Oliveira, além do prolongamento da rua 25 de Janeiro, formando o quadrilátero urbano onde está inserido o Mineirão.
A mesma legislação também reservou áreas para equipamentos públicos. Entre elas, um terreno de dimensão semelhante à atual área do estádio, destinado posteriormente à instalação da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Príncipe Mikasa e da Escola Estadual Geraldo Zancopé.
Homenageado
O projeto também resgata uma coincidência histórica envolvendo o ex-prefeito Tatá. Além de ter sancionado a lei que definiu o traçado da rua Brasília, ele foi responsável por sancionar, em 1972, a lei que deu ao estádio o nome de Nelson Cabrini.
Professor, dirigente político e presidente local da Arena, partido que dava sustentação ao regime militar, Cabrini exercia seu segundo mandato como vereador quando morreu, em 1971. Na ocasião, Tatá decretou luto oficial de cinco dias no município. O ex-parlamentar também dá nome à Escola Estadual Nelson Cabrini, localizada no Jardim Esplanada, na zona sul.
Caso a proposta seja aprovada pela Câmara, a rua Brasília deixará oficialmente de existir no trecho ocupado pelo Mineirão. Na prática, a mudança não alterará a circulação viária da região, mas resolverá uma antiga inconsistência registral que manteve, por décadas, uma rua passando exatamente pelo centro do principal estádio do futebol varzeano de Marília.





