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Histórias de diversidade marcam a Copa do Mundo da diáspora

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Sete minutos após sua estreia em uma Copa do Mundo, o sueco Yasin Ayari marcou um gol, mas não comemorou e pediu desculpas. O motivo: havia marcado contra a Tunísia, país de origem de seu pai.

O caso do meio-campista do Brighton não é isolado nesta Copa do Mundo, já que vários jogadores poderiam ter escolhido defender uma ou outra nação devido às suas ascendências.

“Foi uma partida especial para mim. Por isso, não comemorei o primeiro gol. Sinto muito pelo país [Tunísia]. Amo esse país”, declarou Ayari, nascido na Suécia e que também poderia ter representado o Marrocos, país onde sua mãe nasceu.

Encontrar e convencer jogadores com dupla nacionalidade tornou-se um ponto-chave para alcançar sucesso em competições internacionais. Quase um quarto dos 1.248 jogadores convocados para a Copa representam um país diferente daquele em que nasceram.

Há quatro anos, o Marrocos foi a primeira nação africana a chegar às semifinais de um Mundial e espera repetir o feito nas próximas semanas.

Durante sua estreia, com um empate por 1 a 1 contra o Brasil, o Marrocos foi a primeira seleção na história das Copas do Mundo a ter, em algum momento da partida, 11 jogadores em campo nascidos fora do Marrocos.

“Boa combinação”

O conto de fadas de Curaçao se deve muito aos estreitos laços entre a ilha caribenha de 160 mil habitantes e os Países Baixos: dos 26 jogadores convocados, 25 nasceram no país europeu, incluindo o técnico Dick Advocaat, ex-treinador da seleção holandesa.

“Temos o coração do nosso país [Curaçao] e passamos pela formação nos Países Baixos. É uma boa combinação”, declarou o atacante Jurgen Locadia após o empate por 0 a 0 contra o Equador, o primeiro ponto do país em uma Copa do Mundo.

Os curaçauenses Leandro e Juninho Bacuna são uma das sete duplas de irmãos que disputam o Mundial, quatro delas por seleções diferentes.

A estrela do Paris Saint-Germain (PSG) Désiré Doué representa a França, enquanto Guela Doué faz parte da seleção da Costa do Marfim. Os defensores John e Harry Souttar jogam por Escócia e Austrália, respectivamente.

Nico Williams escolheu representar a Espanha, enquanto seu irmão Iñaki joga por Gana (ambos são companheiros no Athletic Bilbao) ao lado de Derrick Luckassen, meio-irmão do atacante holandês Brian Brobbey.

Outra sensação do torneio, Cabo Verde tem o zagueiro Roberto “Pico” Lopes, nascido em Dublin, no centro de sua defesa. Filho de mãe irlandesa e pai cabo-verdiano, Lopes foi convocado por meio da rede social profissional LinkedIn, mas só na segunda tentativa.

Ele ignorou uma primeira mensagem enviada em português pelo técnico Rui Águas, um idioma que o zagueiro do Shamrock Rovers não fala.

Também se destaca a história de Nestory Irakunda, que abriu o placar para a Austrália na vitória por 2 a 0 sobre a Turquia. O jogador nasceu em um campo de refugiados na Tanzânia, filho de pais burundianos que haviam fugido da guerra civil. Eles acabaram se mudando para Perth quando o atacante ainda era bebê.

Histórias de imigração que brilham com força especial em uma Copa do Mundo que começou sob o pano de fundo da exclusão. O árbitro somali Omar Artan viu sua entrada nos Estados Unidos ser negada, enquanto outras quatro seleções (Haiti, Irã, Costa do Marfim e Senegal) enfrentaram problemas de visto e restrições de viagem.

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Olise, “enriquecido” por suas origens

A Fifa avançou para uma política mais compreensível para os jogadores que têm dificuldades na hora de escolher qual seleção representar, uma decisão que, muitas vezes, precisam tomar ainda na adolescência.

Agora, atletas com menos de 21 anos podem mudar de seleção se tiverem disputado três ou menos partidas por uma delas e nenhuma em grandes torneios, como por exemplo uma Copa do Mundo, uma Copa América ou uma Eurocopa.

Mas não são apenas as pequenas nações que estão se aproveitando desta maior flexibilidade. O meio-campista inglês Declan Rice, que na terça-feira pode chegar ao seu 75º jogo pela seleção, disputou três partidas pela Irlanda.

Nas categorias de base, Jamal Musiala representou a Inglaterra, país onde cresceu, mas acabou defendendo a Alemanha. E o caso mais emblemático atual é o de Michael Olise. O jogador do Bayern de Munique nasceu em Londres, filho de pai britânico-nigeriano e de mãe franco-argelina.

“Na verdade, eu venho de quatro países: França, Argélia, Nigéria e Inglaterra. Considero-me muito sortudo por ter essas quatro partes, todas me enriquecem”, declarou o jogador em entrevista à mídia do Bayern. Por fim, ele acabou escolhendo defender a França, que tem no atleta um grande recurso na busca pelo terceiro título mundial.

*Por AFP





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