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empate deixa dúvidas e poucas respostas

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Por Murilo Gomes

O empate por 1 a 1 com o Marrocos, na estreia da Copa do Mundo de 2026, deixou mais perguntas do que respostas para a Seleção Brasileira. Em uma atuação marcada por nervosismo, falhas de construção e dependência de Vinicius Junior, a equipe de Carlo Ancelotti evitou a derrota graças ao talento individual do camisa 7, mas saiu de campo com sinais claros de que precisará evoluir rapidamente para sonhar alto no torneio.

A principal conclusão da partida é que o Brasil ainda está longe da versão que Ancelotti imagina. Durante boa parte do primeiro tempo, a Seleção foi dominada por um Marrocos organizado, intenso e confortável com a posse de bola. Os africanos encontraram espaços com facilidade entre as linhas brasileiras e controlaram o meio-campo, setor que deveria ser o ponto de equilíbrio da equipe.

A ansiedade citada por jogadores e pelo próprio treinador ficou evidente desde os primeiros minutos. O Brasil errou passes simples, perdeu disputas individuais e demonstrou dificuldade para sustentar a posse de bola. Em vez de controlar o ritmo do jogo, a equipe passou longos períodos correndo atrás dos marroquinos.

O golpe

Os problemas ficaram ainda mais evidentes no lance do gol de Ismael Saibari. A jogada nasceu após uma perda de bola brasileira e encontrou uma defesa exposta. O passe de Brahim Díaz nas costas da última linha evidenciou um dos principais problemas da partida: a distância excessiva entre meio-campo e defesa.

Sem proteção adequada, Marquinhos e Gabriel Magalhães ficaram frequentemente obrigados a defender grandes espaços. Casemiro e Bruno Guimarães tiveram dificuldades para fechar os corredores centrais, permitindo que Marrocos circulasse a bola com liberdade e encontrasse seus homens mais criativos entre as linhas.

Baila, Vini!

Se coletivamente o Brasil deixou a desejar, individualmente Vinicius Junior mostrou por que é o principal nome da equipe. Quando a Seleção parecia perdida em campo, o atacante assumiu a responsabilidade. Primeiro, criando as poucas jogadas de perigo do ataque brasileiro. Depois, marcando um golaço ao cortar para dentro da área e acertar o ângulo de Bounou.

Não foi apenas o gol. Vini foi o jogador que mais tentou acelerar o jogo, buscar duelos individuais e quebrar a organização defensiva marroquina. Em diversos momentos, a sensação era de que o Brasil dependia exclusivamente de sua capacidade de criar algo diferente.

Segundo tempo

O segundo tempo trouxe uma equipe mais organizada após os ajustes de Ancelotti. O Brasil passou a circular melhor a bola e controlou mais a posse, mas continuou encontrando dificuldades para transformar domínio territorial em oportunidades claras.

E aí surgiu outro ponto de atenção: a falta de um centroavante decisivo. Igor Thiago teve a melhor chance da partida logo no início da etapa final, mas parou em Bounou. Foi uma oportunidade que, em uma Copa do Mundo, pode definir classificações e eliminações. O Brasil criou pouco e, quando criou, não conseguiu ser eficiente.

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O empate não compromete a campanha brasileira, mas funciona como um alerta importante. A boa notícia para Ancelotti é que a equipe mostrou capacidade de reação após sair atrás no placar. A má notícia é que os problemas vistos contra o Marrocos não foram pontuais: nervosismo, dificuldades na saída de bola, espaços no meio-campo e dependência excessiva de Vinicius Junior apareceram ao mesmo tempo.

A estreia deixou claro que o Brasil possui talento suficiente para competir com qualquer seleção. Mas também mostrou que, para voltar a ser candidato real ao título, precisará encontrar rapidamente um futebol mais equilibrado, coletivo e menos dependente dos lampejos de sua principal estrela. Afinal, contra o Marrocos, o resultado final pareceu resumir bem o jogo: Marrocos superou o Brasil por vários momentos; Vinicius Junior evitou que superasse a Seleção.

Próximo jogo do Brasil

Brasil x Haiti (Copa do Mundo – 2ª rodada do Grupo C)
Data e horário: 19/06 (sexta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Lincoln Financial Field, na Filadélfia (EUA)





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