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Dinamarca propõe reforma ampla na suinocultura com foco ambiental e bem-estar animal Agrimidia

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A indústria suína da Dinamarca entrou no centro de uma ampla proposta de reformulação anunciada pelo novo governo do país, que assumiu com o compromisso de adotar a agenda ambiental mais ambiciosa de sua história. As medidas, apresentadas no início de junho de 2026, indicam um endurecimento das regras de bem-estar animal e mudanças estruturais que devem impactar diretamente a produção e as exportações.

O programa da coalizão prioriza a ampliação de áreas de floresta, natureza e biodiversidade, além de uma reestruturação da cadeia suinícola. A proposta busca direcionar a produção para o consumo interno ou para processamento dentro do país, reduzindo a exportação de leitões e ampliando o valor agregado da cadeia produtiva como forma de preservar empregos.

Entre as medidas previstas estão a implementação integral da proibição europeia ao corte de cauda até 2030, a exigência de um período mínimo de amamentação de quatro semanas sem exceções e a adoção definitiva do alojamento coletivo para porcas, com o fim do confinamento. O plano também prevê a suspensão temporária da construção e expansão de granjas convencionais, além da coordenação das inspeções de bem-estar animal pelo Ministério da Justiça.

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Mudanças estruturais

Outras diretrizes incluem a aceleração da conversão para a produção orgânica, a redução do uso de antibióticos, a criação de um imposto sobre emissões de CO₂ na pecuária e medidas de proteção da água potável, como restrições ao uso de insumos agrícolas em áreas vulneráveis. O governo também pretende destinar cerca de 390 mil hectares para recuperação ambiental, entre florestas, áreas naturais e zonas úmidas.

A formação do novo governo é resultado das eleições gerais de abril de 2026 e de dois meses de negociações entre social-democratas, socialistas, moderados e social-liberais. A primeira-ministra Mette Frederiksen inicia seu terceiro mandato à frente de uma coalizão que também prevê mudanças institucionais, como a extinção do Ministério da Alimentação, Agricultura e Pescas como órgão independente, com redistribuição de suas funções entre cinco ministérios, incluindo uma nova pasta dedicada à natureza e ao bem-estar animal.

Os desdobramentos das propostas serão discutidos em uma mesa-redonda multissetorial, que reúne representantes do governo, do setor agropecuário, de organizações ambientais e da indústria de alimentos. O grupo terá seis meses para apresentar um plano de transformação da suinocultura, com foco na produção orgânica e na redução do uso de antibióticos. Caso não haja consenso, o governo poderá avançar com medidas próprias para garantir a implementação das mudanças.

As propostas já provocam reação no setor. A Associação Dinamarquesa de Produtores de Suínos anunciou que pretende contestar juridicamente as medidas em âmbito europeu. Representantes da indústria também manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre empregos, produção e receitas de exportação, além de efeitos sobre comunidades rurais e a segurança do abastecimento alimentar.

Apesar das críticas, entidades do setor indicam disposição para dialogar com o governo e participar da construção das novas diretrizes. A expectativa é de que as discussões definam o futuro da produção suína no país, em meio a um cenário de maior exigência ambiental e mudanças nas políticas agrícolas europeias.

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