A Arara Seed, plataforma de crowdfunding que ficou conhecida por viabilizar rodadas de startups como Agroboard e Veroo, quer trazer os investidores para a recuperação de terras degradadas.
A ideia é aplicar o modelo do crowdfunding para endereçar a recuperação de terras degradadas, pauta tida como chave para ampliar a produção sem estimular o desmatamento.
No desenho concebido pela Arara Seed, investidores aplicarão recursos para a compra de fazendas que, depois, em um prazo de 5 a 7 anos, serão negociadas — via vendas ou arrendamentos — com operadores de projetos de regeneração.
Segundo Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, a ideia é replicar o que alguns Fiagros de terra já fazem, mas em proporção mais enxuta. “Vamos fazer a curadoria de terras, como fazemos com startups”, disse.
Embora os Fiagros já comportem investimentos a valores mais baixos, o crowdfunding seguirá com um diferencial competitivo, argumentou o CEO da Arara Seed: “O custo de operação na comparação com um fundo é menor. No fim das contas, sobra dinheiro para quem investe”, defendeu.
Os aportes nessa frente deverão ter piso mínimo de R$ 1 mil. O foco são pessoas físicas, mas a ideia é atrair também institucionais, resultando em um ticket médio de R$ 15 mil.
“A gente sempre tenta mesclar, porque o institucional vai dar um ‘punch’ na captação”, afirma. Segundo ele, os investidores profissionais também podem ajudar as investidas para além do dinheiro, compartilhando contatos ou técnicas de gestão.
Vetores de crescimento
A Arara Seed projeta lançar ao menos uma rodada da primeira operação de terras degradadas até o fim do ano. O momento atual é de prospecção, com foco no Cerrado, mais precisamente Goiás, norte de Minas, Matopiba e arredores de Brasília (DF). A operação deve cobrir inicialmente cerca de 800 hectares.
Mas o sonho é grandioso: o CEO acredita que seja possível captar R$ 200 milhões nessa frente. O montante, vale ressalvar, é mais que o dobro do total movimentado pela empresa até aqui.
Galvani credita a confiança à força da tese. Segundo ele, alguns vetores confirmam a atratividade do negócio de recuperação de terras degradadas.
Um deles é a crise que tomou boa parte do agronegócio, com produtores espremidos por margens em queda — fruto de combinações de preços ruins e custos altos, situação agravada pela guerra no Irã.
O aperto abre oportunidades, segundo Galvani. “As terras, inclusive as passíveis de conversão, têm diminuído o preço. Estamos vivendo uma janela de desconto neste ano e no próximo”.
Outra força que ele espera que jogue a favor é a tendência de crescente restritividade do crédito, com bancos e mercado passando a exigir uma profissionalização que muitos produtores ainda não têm.
“Hoje, todo mundo quer ver balanço, DRE, não só o imposto de renda”, argumenta. Nesse contexto, ele crê que a opção do crowfunding ganha força.
Além disso, Galvani confia em um aumento das possibilidades. A CVM recentemente fez consulta pública para ampliar os tipos de emissores elegíveis em crowdfundings, atualizar limites de captação e “adaptar as exigências ao mercado atual, incluindo securitização e agronegócio”.
Como parte da proposta, hoje em análise na autarquia, produtores rurais teriam o limite de captação para R$ 2,5 milhões por safra, limitado a duas safras seguidas acessando crowdfunding.





