Motoristas que trafegam pela Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) passam a pagar mais caro, a partir desta quinta-feira (4), nas praças de pedágio de Garça e Oriente. O reajuste autorizado pela Artesp, que varia entre 4,39% e 4,4%, tem gerado críticas e preocupação entre caminhoneiros, empresários e especialistas, que alertam para um possível efeito cascata sobre a inflação e o custo de vida na região de Marília.
Com a mudança, as tarifas foram reajustadas tanto para pagamentos manuais quanto automáticos (tags). Na praça de Oriente, a tarifa para carros de passeio no guichê manual passou de R$ 11,40 para R$ 11,90, enquanto a automática subiu de R$ 10,83 para R$ 11,30. As motocicletas, que pagavam R$ 5,70, agora desembolsam R$ 6.
O impacto também é significativo para os veículos comerciais de grande porte. Carretas de até nove eixos tiveram a tarifa elevada de R$ 102,80 para R$ 107,30 no pagamento manual.

Na praça de Garça, os carros de passeio que pagavam R$ 11,20 no sistema manual agora desembolsam R$ 11,70, enquanto a tarifa automática passou de R$ 10,64 para R$ 11,11. Para motocicletas, o valor subiu de R$ 5,60 para R$ 5,90. Já as carretas comerciais de até nove eixos tiveram reajuste de R$ 101,20 para R$ 105,60 na cobrança manual.
A categoria dos caminhoneiros está entre as mais impactadas pelas novas tarifas. O caminhoneiro Fabiano Soares afirma que os custos de manutenção dos veículos e de socorro mecânico já são elevados, e que o aumento do pedágio ocorre em um momento em que os fretes nem sempre compensam os riscos e as despesas da estrada.
“O frete já não está aquelas coisas. Então, a gente ganha no quê? Na mecânica de um caminhão não quebrar, de você fazer uma viagem segura, porque isso envolve muita coisa. Hoje, a manutenção custa muito caro, qualquer coisa que você vai fazer num caminhão é um absurdo. Às vezes, a gente combina um frete, o caminhão sai para a estrada, cai num buraco, quebra uma mola. Aí já não é a mola, é o socorro, é a mecânica”, relata o motorista.

As reclamações dos trabalhadores encontram respaldo na avaliação de especialistas. Para o economista Benedito Goffredo, Marília é um importante entroncamento logístico do interior paulista, o que amplia os efeitos de qualquer aumento nos custos do transporte.
“O recente aumento autorizado pela Artesp de cerca de 4,4% nas tarifas de pedágio, nas rodovias da região de Marília, produz reflexos significativos sobre a economia regional e estadual, impactando diretamente a competitividade das empresas, o custo de vida da população e a dinâmica dos serviços logísticos e produtivos”, afirma Goffredo.
Segundo o economista, o aumento dos custos operacionais tende a ser repassado ao consumidor final.
“Como consequência, há tendência de repasse desses custos aos preços finais dos produtos e serviços, pressionando a inflação regional e reduzindo a competitividade das empresas locais diante de outros mercados”, alerta.
Outro grupo fortemente afetado, segundo ele, é o dos trabalhadores e estudantes que dependem de deslocamentos intermunicipais diários. Para Goffredo, o reajuste “reduz a renda disponível das famílias e pode até desestimular deslocamentos frequentes.”
Por fim, o economista destaca que a situação evidencia um desafio recorrente da infraestrutura brasileira.
“O debate sobre os reajustes dos pedágios transcende a questão do transporte propriamente dito. Trata-se de uma discussão sobre desenvolvimento regional, competitividade econômica, integração territorial e qualidade de vida da população”, conclui.





