17.7 C
Marília
HomeAgronegócioCom efeitos da guerra, fertilizante especial aposta em retomada

Com efeitos da guerra, fertilizante especial aposta em retomada

spot_img


A falta de previsibilidade sobre o cenário geopolítico global — marcado principalmente pelos efeitos da guerra no Irã — pode levar o produtor brasileiro a aumentar o uso de fertilizantes especiais em 2026. Pelo menos essa é a aposta da Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal).

Na visão de Alexandre D’Angelo, diretor de operações da Abisolo, possíveis problemas de fornecimento do NPK (a sigla que representa os macronutrientres Nitrogênio, Fósforo e Potássio), além do preço mais alto, podem abrir espaço para o crescimento da adoção dos especiais e biofertilizantes.

“Sempre quando tem uma conjuntura complexa e perspectiva de rentabilidade baixa, a produtividade ganha importância na estratégia de manejo. Quando o produtor está com foco na produtividade e não só no preço de venda, nosso setor é levado em conta. Esse é o sentimento que está pegando na produção”, afirmou D’Angelo nesta quarta-feira a jornalistas.

Com base nesse sentimento, o executivo vê espaço para um aumento de cerca de 10% em faturamento do setor de fertilizantes especiais e biofertilizantes neste ano, mas com ressalvas. “Às vezes isso não acontece. Em 2025, por exemplo, tínhamos expectativa de crescer de 8% a 10% e tivemos uma redução de 5,5% em faturamento.”

No primeiro trimestre, a comercialização ficou abaixo do que foi vendido nos primeiros três meses de 2025 — mas o período curto, isoladamente, não é um indicativo claro para o ano.

“Temos questões de recuperação judicial que ainda afetam bastante a decisão de como oferecer prazos ou não. E, de uma certa maneira, todas as especialidades são negociadas com prazos extensos. Então, esse é um complicômetro para acelerar negociações”, afirmou Gustavo Branco, vice-presidente da Abisolo.

Da porteira para dentro, o setor vem se preparando com lançamentos de produtos e investimentos em aumento de capacidade produtiva.

Aumento de preços

Além de um senso maior de prioridade para fertilizantes especiais diante do cenário global mais turbulento para os convencionais, empresas também vislumbram um aumento de preços.

Numa pesquisa feita com empresas do setor, a Absiolo mostrou que a perspectiva delas para 2026 é de um aumento de faturamento de 21,2% para os fertilizantes minerais especiais fluidos e de 13,4% para os fertilizantes minerais especiais sólidos.

“As crises são boas, no fim das contas, porque forçam todo mundo a sair da zona de conforto e a ser mais profissional. O produtor está comprando hoje em cima do que ele precisa [na terra dele]. É aí que muitas das nossas tecnologias se encaixam”, afirma Roberto Levrero, presidente da Abisolo.

Na divisão por culturas, os fertilizantes especiais e biofertilizantes ainda têm a soja como uma clara protagonista (responsável por 48,6% das vendas). O milho vem em segundo lugar, com 12,7%, seguido pelo café, com 11% e cana-de-açúcar, com 7,8%.

No ano passado, o faturamento do setor de biofertilizantes e fertilizantes especiais caiu 5,5%, para R$ 25,4 bilhões. Na categoria de fertilizantes minerais especiais, a mais relevante em receita isolada, a retração foi de 10,7%, para R$ 20,6 bilhões.

“É uma categoria que sofre maior impacto em situações de instabilidade geopolítica e da variação da taxa de câmbio. Ela tem um percentual importante de produtos comoditizados, que sofrem maior pressão por redução de preços”, explicou D’Angelo.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img