Nota oficial divulgada pelo Corpo de Bombeiros de Marília na manhã desta quarta-feira (27) comunica o encerramento oficial da grave ocorrência em Pompeia e dimensiona a tragédia que entristeceu a cidade, além de reacender o debate sobre segurança no setor agroindustrial.
O esforço regional de emergência foi colocado à prova, com mobilização — além dos militares — de bombeiros civis, brigadistas, Defesa Civil e toda a estrutura de saúde.
Equipes de resgate, ambulâncias, concessionária de pedágio e órgãos públicos de toda a região foram acionados após a explosão registrada em uma indústria de processamento de amendoim no distrito de Paulópolis.
A tragédia deixou um trabalhador morto, 13 feridos, prejuízo milionário — ainda não calculado — e colocou à prova a integração entre forças de emergência dos municípios vizinhos.
A Prefeitura de Pompeia decretou luto oficial. A Secretaria de Saúde de Marília confirmou que não há mais pacientes com ferimentos moderados internados. A esperança permanece, mas a preocupação das famílias ainda é grande, já que dez pessoas seguem em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Nove horas de combate
O trabalho de combate ao incêndio e rescaldo durou cerca de nove horas. As equipes encerraram a operação somente às 20h, após controlar totalmente os focos de combustão e deixar o local em segurança sob responsabilidade dos proprietários da empresa.
Segundo informações apuradas pelo Marília Notícia junto às equipes que atuaram na ocorrência, a principal hipótese é de explosão causada por poeira combustível.
De acordo com o relato operacional, por volta das 11h houve um princípio de incêndio em um equipamento utilizado para armazenar casca de amendoim, instalado dentro do galpão industrial.
Cerca de 15 minutos depois, as chamas já haviam se propagado pelo setor, quando o equipamento colapsou.

Entenda o que é poeira combustível
Material sólido fino, quando suspenso no ar em alta concentração, pode atingir condições suficientes para inflamação e causar explosões devastadoras.
A hipótese é de que, com a movimentação do material no galpão, tenha se formado uma grande nuvem de poeira combustível, provocando a explosão que atingiu trabalhadores, destruiu parte da estrutura e espalhou o incêndio pelo barracão.
Conforme explicou o tenente Dante Dias Vivian, responsável pelos trabalhos operacionais, após o socorro às vítimas as equipes concentraram esforços no confinamento das chamas e na proteção das demais estruturas. O cenário, porém, era extremamente complexo.
“Com o colapso parcial do galpão, precisamos criar acessos alternativos na estrutura para alcançar os focos de incêndio, já que a entrada principal ficou comprometida”, disse.
Mesmo após o controle inicial do fogo, ainda havia grande quantidade de material sob ferragens, com risco elevado de nova combustão. Uma escavadeira foi utilizada para retirar a estrutura metálica destruída, permitindo avanço no combate e no trabalho de rescaldo.
Apesar da destruição parcial do barracão, as equipes conseguiram impedir que o fogo atingisse outras edificações da empresa.
“Lamentamos o ocorrido com as vítimas e que Deus possa confortar seus familiares e trazer recuperação e saúde aos que permanecem internados”, manifestou o comandante, em nome da corporação.

Solidariedade
Após a tragédia, uma campanha de doação de sangue ganhou força nas redes sociais e passou a mobilizar moradores de Marília e região.
O objetivo é reforçar os estoques para atendimento às vítimas internadas em hospitais da região, muitas delas com queimaduras graves.
A mobilização orienta os voluntários a procurarem o Hemocentro de Marília, localizado na rua Lourival Freire, 240, no bairro Fragata. O telefone para informações é o (14) 3434-2541.
Podem doar pessoas entre 16 e 69 anos — menores precisam de autorização —, com mais de 50 quilos, em boas condições de saúde e portando documento oficial com foto. Também é recomendado estar alimentado e evitar alimentos gordurosos antes da doação.

Luto em Pompeia
A vítima fatal foi identificada pela Polícia Civil como Edmilson Aparecido Ferreira, conhecido como “Preto”. Ele tinha 53 anos e morava em Pompeia.
O velório ocorrerá na sala 1 do Velório Municipal de Pompeia, e o sepultamento será realizado no Cemitério Municipal da cidade.
Ao MN, o delegado Cláudio Anunciato Filho informou que, além da morte confirmada, outras 13 pessoas ficaram feridas e precisaram de atendimento médico em hospitais de Pompeia e região.
Inicialmente, cinco vítimas foram transferidas para hospitais de Marília. Dois pacientes foram encaminhados ao Hospital das Clínicas (HC), um à Santa Casa e outros dois ao Hospital Beneficente Unimar (HBU).
Alguns feridos também foram levados para centros especializados no tratamento de queimados em outras regiões do Estado.
Além de trabalhar para esclarecer oficialmente as causas da explosão, a polícia também quer saber se a morte do trabalhador poderia ter sido evitada.
A apuração tenta refazer a cronologia da tragédia, inclusive o intervalo entre os primeiros sinais de problemas na estrutura e a explosão que terminou em morte.






