A entrada em vigor das cotas agrícolas do acordo entre Mercosul e União Europeia já provocou a primeira disputa direta entre países do bloco. No primeiro mês de operação, iniciado em 1º de maio, Argentina e Uruguai avançaram rapidamente sobre os volumes com preferência tarifária e esgotaram parte das cotas disponíveis ao utilizar o critério transitório conhecido como First-In, First-Out (FIFO), que prioriza quem registra primeiro as exportações.
No caso dos ovos, a Argentina ficou com a totalidade da cota destinada ao mercado europeu. O desempenho foi atribuído, em parte, à agilidade operacional dos exportadores e ao uso da nova guia digital da Janela Única de Comércio Exterior do país, que acelerou o registro dos embarques logo na abertura da janela comercial. O país também ampliou vendas em outros produtos, como o mel.
O episódio evidenciou a ausência de um mecanismo definido para a divisão interna das cotas entre os membros do Mercosul. Sem um critério previamente acordado, o modelo por ordem de chegada acabou beneficiando os países com maior capacidade de resposta imediata, tanto do ponto de vista logístico quanto burocrático.
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Na prática, o preenchimento rápido das cotas limitou o acesso de exportadores de outros países do bloco, que encontraram dificuldade para registrar novas operações com benefício tarifário. Para o setor agropecuário, o cenário indica que o acesso ao mercado europeu dependerá não apenas da competitividade dos produtos, mas também da eficiência nos processos de habilitação e envio.
Até o momento, não há sinalização de consenso entre os países do Mercosul sobre como será feita a distribuição dessas cotas nas próximas etapas. Sem uma definição clara, a tendência é que a disputa se repita nas próximas aberturas, mantendo a corrida operacional como fator decisivo para garantir espaço no mercado europeu.
Fonte: Estadão Conteúdo





