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A Retro quer reverter o envelhecimento – e ser maior que a Eli Lilly e a Novo Nordisk

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A meta da Retro Biosciences – uma startup de biotecnologia que tem Sam Altman como seu principal financiador – é reverter o processo natural de envelhecimento e ampliar em dez anos a vida humana.

A empresa californiana planeja combinar diversos métodos científicos – entre eles, alterar o mecanismo de edição epigenética (que ativa e desativa genes) e substituir células velhas ou doentes por outras novinhas em folha – para fazer com que o organismo produza células mais saudáveis dentro dos tecidos em deterioração.

Em vez de combater as doenças associadas ao avanço da idade, a proposta é basicamente paralisar e reverter o envelhecimento.

A primeira droga da Retro a ser testada na prática deve ser a pílula RTR242, desenvolvida para ajudar a reverter o Alzheimer reativando a autofagia – o processo de reciclagem celular de nosso organismo que costuma ficar desregulado na velhice.

A maior parte do capital da startup veio de Altman, o cofundador e CEO da OpenAI, que em 2023 colocou US$ 180 milhões na deeptech num dos maiores investimentos seed de que se tem notícia.   

“É muita coisa. Basicamente, peguei todo o meu patrimônio líquido e investi em duas empresas,” Altman disse numa entrevista recente, referindo-se à Retro e à empresa de energia de fusão nuclear Helion.

No recente processo de Elon Musk contra Altman, veio a público a informação de que a participação do CEO da OpenAI na Retro está avaliada em US$ 258 milhões.

Agora a Retro procura atrair novos investidores e fundos de venture capital para desenvolver seu pipeline. De acordo com o Financial Times, a empresa vem desde o início do ano buscando levantar US$ 1 bilhão a um valuation estimado em US$ 5 bi. 

O número foi considerado espichado, dado que nenhuma das terapias em desenvolvimento da Retro entrou na fase de teste clínico. Sandro Salsano, um italiano que tem um family office com sede no Panamá e entrou recentemente no conselho da Retro, está coordenando a rodada.

Segundo o site Stat, dedicado a notícias na área médica e científica, os fundadores da Retro apresentam em seu pitch projeções em que mostram a companhia superando o valor de mercado das gigantes Eli Lilly e Novo Nordisk e chegando a patamares semelhantes ao de Big Techs como Microsoft e Alphabet.

“A longevidade será o maior mercado farmacêutico de todos os tempos,” enuncia um dos slides.

Em seu site, a Retro nota que cerca de 90% dos gastos com saúde nos EUA se devem a doenças relacionadas ao avanço da idade. Isso representa um custo anual que passa dos US$ 3 trilhões.

Em outros lugares do planeta, a matemática não é muito diferente – e os últimos meses de vida de uma pessoa costumam ser os mais caros para os sistemas públicos e privados.

Em seu pipeline, a startup tem pesquisas para Alzheimer, distúrbios do sangue, perda de audição e doenças degenerativas. Ao todo, são cerca de 20 medicamentos em estudo.

A Retro mantém ainda uma parceria com a OpenAI no desenvolvimento do modelo GPT-4b micro, um software de AI especializado na engenharia de proteínas.

A empresa nasceu há cinco anos, fundada por um trio de cientistas e empreendedores.

Joe Betts-LaCroix, o CEO, já criou outras startups de tecnologia, como uma plataforma de AI para pesquisas de laboratório. Sheng Ding é uma referência internacional em células-tronco e reprogramação celular. Matt Buckley é especialista na análise dos processos de envelhecimento.

Betts-LaCroix disse ao Financial Times que seu objetivo é “reduzir a miséria humana.”  

“Atualmente, se alguém tiver Alzheimer, você pode emitir um cheque do tamanho que quiser e ninguém saberá como curá-la,” disse o CEO da Retro.

Outros medicamentos em estágios mais avançados são terapias celulares. Uma delas também tem como alvo o Alzheimer, substituindo as células cerebrais conhecidas como micróglias, que atuam na defesa do sistema nervoso central.

Um outro projeto é a substituição de células-tronco do sangue por células mais jovens.

“Se você tem 85 anos e se submete a essa terapia, suas células-tronco sanguíneas podem ser substituídas por células de idade zero, que então se multiplicam,” disse Betts-LaCroix. “É como se 80% de todas as suas células se tornassem de idade zero.”




Giuliano Guandalini






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