Sensores inteligentes que medem, em tempo real, o volume de grãos estocados em um silo agrícola. Dispositivos conectados à caldeira de um grupo sucroalcooleiro ajudam a reduzir o consumo de energia, e ainda trazem insights de inteligência artificial para aprimorar o funcionamento.
Os exemplos fazem parte do portfólio de soluções da Aimirim, uma deep tech mineira que acaba de atrair Indicator Capital e SP Ventures para escalar soluções que aliam hardware e software para automatizar agroindústrias de diversos setores.
Incubada na Universidade Federal de Uberlândia, a Aimirim foi fundada há dez anos por Renato Pacheco Silva, um engenheiro mecânico que fez mestrado e doutorado na universidade mineira.
Depois de passar os últimos anos validando os dispositivos em grande clientes, como BAT, Raízen e VLI, a Aimirim saiu a mercado para captar recursos e dar escala ao negócio, acessando um leque maior de clientes — especialmente as agroindústrias de médio porte.
Com a assessoria financeira da Virtus BR, a Aimirim costurou uma rodada de R$ 10 milhões que foi coliderada por Indicator, firma de investimento especializada em tecnologias “smart & connected”, e SP Ventures, maior firma de venture capital voltada ao agronegócio.
Os recursos vão permitir à startup ganhar autonomia na produção dos dispositivos de IoT (sigla em inglês para internet das coisa) desenvolvidos pela companhia, disse o fundador da Aimirim ao The AgriBiz.
Como a arquitetura dos dispositivos foi desenvolvida pela Aimirim, a startup tem flexibilidade para encomendar de diversas origens, seja em Taiwan ou mesmo no Brasil. Nesse processo, a tecnologia não fica refém do uso de um chip específico, o que poderia criar um desafio em momentos de escassez.
Além disso, os recursos captados vão permitir à Aimirim fazer encomendas maiores de dispositivos — de três a cinco mil unidades —, o que deve ajudar a baratear os custos de produção. Com isso, deve conseguir viabilizar a instalação desses dispositivos em companhias de médio porte.
A captação também vai contribuir com a expansão do time comercial, fundamental para ampliar as vendas. Atualmente, a Aimirim conta com cerca de 40 funcionários, a maior parte deles na sede em Uberlândia.
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A relação entre Aimirim e SP Ventures começou a ser construída há sete anos, no Pulse — hub de inovação da Raízen instalado em Piracicaba. Foi lá que Francisco Jardim, fundador da firma de venture capital, conheceu Silva.
Quando a startup atingiu a maturidade para uma rodada, a conexão entre os dois ajudou. Diante da dimensão deep tech da Aimirim, Jardim convidou a Indicator para conhecer a tese. Deu match.
“Somos uma gestora tecnológica, e não setorial. Viemos a convite da SP Ventures. É bacana quando a gente vira sócio de gente boa”, contou Derek Bittar, sócio da Indicator.
Para Henrique Zanuzzo, principal da SP Ventures, a plataforma construída pela Aimirim foi o diferencial para investir.
“Apesar de serem projetos customizados por cliente, por trás existe uma plataforma única que faz rodar toda essa tecnologia. A plataforma representa uma oportunidade muito grande para atacar o middle market”, resumiu.





