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Com atrasos no agro, BB aumenta provisão para perdas

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Atrasos nos pagamentos e uma piora nas perspectivas para o agronegócio nos últimos meses levaram o Banco do Brasil a rever o seu guidance para 2026, sinalizando que os efeitos da crise no setor ainda devem persistir no balanço do banco.

A instituição aumentou a provisão para o custo do crédito, o que corresponde às despesas decorrentes de perdas esperadas, e reduziu a expectativa de lucro em um fato relevante divulgado na noite de quarta-feira, junto com o balanço trimestral.

A provisão para perdas em 2026 foi elevada para o intervalo entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. Em fevereiro, o range estava entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. Só no primeiro trimestre de 2026, as provisões chegaram a R$ 18,9 bilhões, um crescimento de 86% no ano e de 5% em relação ao trimestre anterior.

“O aumento de provisão incorpora esse cenário mais negativo nas pontualizações do agronegócio. As projeções de perda esperada vêm para cobrir essa diferença que temos observado, em torno de 25% entre a expectativa e a realidade que observamos no início de abril”, explicou Felipe Prince, chefe de Riscos do BB, em teleconferência.

A falta de pontualidade não significa uma inadimplência imediata, mas reflete o volume de boletos não pagos até a data de vencimento. Segundo Prince, usualmente, cerca de 30% do que não é pago no vencimento costuma ser honrado nos 15 dias subsequentes, e outros 30% até 30 dias após o vencimento.

O ponto é que o cenário global ficou mais complexo com a guerra no Oriente Médio, com aumento nos preços dos insumos reduzindo ainda mais as margens dos agricultores. Além do agro, os impactos também têm sido percebidos na carteira de pessoas físicas — parcialmente contaminada pelo comportamento de produtores rurais.

“É a evolução de uma mesma história. No ano passado, de R$ 62 bilhões de provisão, metade do que fizemos foi para o agronegócio. Existe contaminação na carteira de pessoa física, existe um contexto de pontualização aquém do estimado e um risco mais pronunciado adiante”, ressaltou Janaína Storti, head de Relações com Investidores do BB.

Os executivos também voltaram a bater na tecla de que o crédito agro originado a partir de julho do ano passado, seguindo uma nova metodologia mais criteriosa do BB, deve ganhar mais representatividade na carteira ao longo do tempo, melhorando o perfil de garantias do banco e, consequentemente, do crédito.

“Em abril, apenas um quarto da carteira estava sob essa nova metodologia, usada para o Plano Safra e a partir das renegociações da MP 1314. Em setembro, mais da metade deve ser com essa nova metodologia e matriz de crédito”, explicou Gilson Bittencourt, VP de Agronegócios do banco.

“O mundo mudou”

A postura mais cautelosa do banco nas provisões para perdas também reverberou nas expectativas de lucro líquido para o ano. O Banco do Brasil agora espera um lucro líquido de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões para 2026, uma queda de 17% em relação ao projetado em fevereiro.

“Não gostaríamos de ter de revisar o guidance agora. Mas o mundo em que a gente aprovou esse guidance era completamente diferente do mundo que a gente tem hoje. Tem mais coisas para vir eventualmente, a gente não sabe”, disse Geovanne Tobias, CFO do Banco do Brasil, na teleconferência desta manhã.

“Está lá o Trump na China, o que vai vir daí? E, claro, nesse momento, a gente ouve até casos de agricultores que estão querendo ir para a Justiça alegando que vão ser impactados pela guerra do Irã. Sempre vai ter oportunistas e a gente vai ter que aprender a lidar com isso”, completou.

O trimestre

No primeiro trimestre de 2026, o BB reportou um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, uma queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. No trimestre, a queda foi de 40%. A inadimplência superior a 90 dias no agro teve um leve aumento, de 6,09% em dezembro para 6,22% em março. Há um ano, a taxa era de 2,76%.

Por volta das 12h30, as ações do BB operavam perto da estabilidade. Em um ano, os papéis acumulam queda de 27%.



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