O Banco de Alimentos de Marília atua como uma ferramenta fundamental do setor de segurança alimentar e nutricional da Secretaria de Assistência Social e Cidadania. Através de parcerias estratégicas com supermercados locais, a iniciativa resgata toneladas de alimentos que perderam seu valor comercial nas gôndolas, mas que ainda estão em perfeitas condições para o consumo, combatendo o desperdício e levando nutrição a quem mais precisa.
Semanalmente, o projeto movimenta quase seis toneladas de alimentos, transformando essas doações no benefício conhecido como “Cesta Verde”, que é higienizado, montado e distribuído com o apoio de uma equipe dedicada.
Essa grande rede de solidariedade atende atualmente cerca de 220 famílias, que enfrentam insegurança alimentar grave, alcançando de forma contínua quase mil pessoas em todas as regiões da cidade por meio das cinco unidades do Centro de Referência da Assistência Social (Cras).
Para entender os detalhes e os bastidores dessa grande operação logística e social, o Marília Notícia conversou com Rafael Capputti, administrador do Banco de Alimentos há três anos.
Na Entrevista da Semana, ele explica como funciona a triagem dos alimentos, detalha os critérios de seleção para o amparo às famílias e revela os próximos passos do serviço, que se prepara para receber uma reforma completa com verba federal, visando dobrar a sua capacidade de atendimento no município.
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MN – Como funciona o Banco de Alimentos em Marília e para que ele serve exatamente?
Rafael Capputti – O banco de alimentos é um aparelho do setor de segurança alimentar e nutricional da Secretaria de Assistência Social e Cidadania. Ele funciona através de doações de mercados da cidade. Nós fazemos parcerias para receber aqueles alimentos que já não têm mais valor comercial, ou seja, aquilo que o mercado vai tirar da gôndola para repor com alimentos novos, mas que ainda estão totalmente aptos para o consumo. Hoje, temos parcerias com supermercados como o Confiança (nas unidades Aquarius e Esmeralda) e o Tauste Sul.
MN – Qual é o destino desses alimentos logo após o recebimento e como eles chegam às pessoas?
Rafael Capputti – Nós recebemos esses alimentos às segundas, quartas e sextas-feiras. Assim que chegam ao Banco de Alimentos, que fica no bairro Alto Cafezal, eles são separados, avaliados pela nossa nutricionista, higienizados e então montamos a chamada “Cesta Verde”. Essa cesta é distribuída através do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). A cidade possui cinco unidades do Cras, sendo duas na zona norte, duas na zona sul e uma na zona oeste.

MN – O que compõe essa Cesta Verde?
Rafael Capputti – Tudo que você pode imaginar de hortifrúti. São hortaliças, legumes, ovos e frutas. Nós só não trabalhamos com alimentos embutidos e ultraprocessados. Cada kit pesa em média de 7 a 10 kg de alimentos. Além disso, temos uma parceria com o Atacadão, que nos fornece produtos de higiene pessoal e do lar que estão com a embalagem deteriorada, mas com o conteúdo intacto, o que nos permite complementar os kits. Também recebemos frutas frescas, colhidas na hora, através de uma parceria com a Unimar.
MN – Como as famílias são selecionadas para receber esses alimentos?
Rafael Capputti – A seleção segue critérios e legislações federais de segurança alimentar. As assistentes sociais conhecem as famílias nos bairros de suas respectivas regiões e prospectam aquelas que estão em nível de insegurança alimentar grave, que são de baixa renda e cadastradas no CadÚnico. As famílias recebem de dois a quatro kits de alimentos por mês, dependendo do grau de vulnerabilidade social em que se encontram. É importante ressaltar que a lista de famílias vai rodando, ou seja, se uma família recebe algum outro benefício e melhora um pouco de situação, outra família na mesma situação de insegurança grave entra no lugar.

MN – Fazer parte do Banco de Alimentos impede que a família participe de outros programas sociais?
Rafael Capputti – Não, de maneira nenhuma. Na verdade, isso até impulsiona, porque uma família que faz parte de programas como o Viva Leite ou o Bolsa Família já tem uma situação de vulnerabilidade social identificada. A Cesta Verde é um complemento aos outros benefícios. Toda a rede da assistência social se comunica para atender quem mais precisa, principalmente crianças com baixo peso.
MN – Qual é o impacto real desse trabalho hoje em Marília? Quantas pessoas são atendidas?
Rafael Capputti – Hoje nós atendemos, em média, 220 famílias de todas as regiões da cidade. Se você colocar uma média de quatro pessoas por família, estamos falando de quase 1.000 pessoas atendidas. Para manter isso, nós recebemos quase seis toneladas de alimentos por semana.

MN – Quem faz parte da equipe no dia a dia para dar conta de todo esse volume?
Rafael Capputti – Sim, a equipe precisa se desdobrar. Eu sou o administrador e cuido de toda a parte burocrática do setor. A Priscila é a coordenadora do serviço, a Caroline é a nossa nutricionista, e o Anilton é o nosso motorista, mas que acaba fazendo de tudo um pouco. Nós também contamos com oito reeducandos do sistema semiaberto, que fazem o trabalho mais pesado, como o carregamento, o transporte, a separação dos alimentos e a limpeza constante do local, tudo supervisionado pela equipe. Além disso, somos visitados e apoiados por nutricionistas da saúde e pelo curso de nutrição da Unimar.
MN – Para finalizar, soubemos que o Banco de Alimentos passará por uma reforma. O que podemos esperar para o futuro do serviço?
Rafael Capputti – Nós passamos por um chamamento público e fomos contemplados com uma verba federal específica para a reforma completa. Vamos ter materiais mais modernos, uma câmara fria e um veículo refrigerado para evitar ao máximo a perda das doações. Depois dessa reforma, o Banco de Alimentos vai operar em um outro nível. A nossa expectativa é passar desses 220 kits para o atendimento de cerca de 400 famílias por semana.






