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Como novos espaços podem reverter o quadro de declínio dos museus de Londre…

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Bloomberg — O setor de museus de Londres está em baixa. O número de visitantes da Tate Modern e da National Gallery em 2025 caiu 26% e 31%, respectivamente, em relação a 2019.

Nos últimos três meses de 2025, as visitas a museus financiados pelo Estado na Inglaterra (todos gratuitos desde 2001) diminuíram mais de 8% em relação a 2019.

Os próprios museus citam diversos motivos, incluindo um declínio no número de viajantes internacionais, apesar da recuperação do turismo após a pandemia de covid-19, e um número menor de visitantes na faixa dos 10 aos 20 anos vindos da União Europeia após o Brexit.

Um relatório independente de 2025, intitulado Curating Connection (“Curando conexões”, em tradução livre), destacou serviços de streaming, pop-ups imersivos, experiências de arte virtuais e “narrativas lideradas por criadores” no TikTok e no YouTube como ameaças ao setor de museus. “Especialmente para o público mais jovem, a ‘dose de cultura’ ocorre cada vez mais fora das instituições tradicionais”, concluiu o relatório.

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Mas uma onda de espaços em Londres — desde o reformado London Museum, passando por duas novas filiais do Victoria and Albert Museum, até o Museum of Youth Culture, dedicado inteiramente às experiências dos adolescentes — visa chamar a atenção dos frequentadores de museus mais uma vez.

O cofundador do Museum of Youth Culture, Jamie Brett, reconhece o desafio: “Os museus estão sob uma pressão real para renovar e repensar suas coleções. Temos que criar algo que realmente exija uma visita física, algo que valha a pena sair de casa para ver.”

O Museum of Youth Culture está programado para abrir em Camden Town em junho, após uma série de exposições temporárias. Com base em um acervo de mais de 150 mil itens (cuja maioria é formada por fotos, mas também há folhetos de eventos, camisetas e aparelhos Sony Walkman), o museu apresentará as subculturas adolescentes no Reino Unido a partir da década de 1920.

O museu recentemente fez uma publicação no Instagram procurando pessoas para compartilhar mentiras que contaram aos pais quando eram adolescentes. Brett diz que as melhores respostas serão exibidas nas paredes do museu.

“É importante agirmos como um museu e termos um acervo sério — mas queremos fazer o resto de forma completamente diferente”, diz ele. Isso significa ter uma loja de discos no prédio e “ter ciclos de exposições muito mais rápidos, às vezes de apenas um mês ou menos. Vamos nos adaptar às tendências.”

Brett não vê as redes sociais como uma ameaça: “O que é empolgante é construir um museu que não concorra com as redes sociais, mas que se inspire em seu talento para contar histórias.”

Em uma escala muito maior, com quase 50 vezes mais área útil, o vasto London Museum é a nova sede do Museum of London, que fechou em dezembro de 2022 após 46 anos.

Ele está sendo construído a 800 metros de sua antiga localização na Muralha de Londres, dentro dos mercados vitorianos de carne e de aves da década de 1960 em West Smithfield. A entrada será gratuita e a meta é atrair 2 milhões de visitantes por ano — um aumento de quase três vezes em relação às 706.219 visitas ao antigo local em 2019.

A diretora do London Museum, Sharon Ament, afirma que, quando a primeira fase do projeto de £ 437 milhões for inaugurada no segundo semestre, os visitantes poderão ver a obra sem título de Banksy de 2024, a qual transformou uma cabine de guarda da polícia da cidade de Londres em um aquário cheio de piranhas.

O museu também abrigará um pedaço do “fatberg”, uma massa de 130 toneladas de gordura, lenços umedecidos e outros resíduos, que ficou famosa por entupir os esgotos de Londres em 2017 e que Ament descreve como “uma coisa grotesca e maravilhosa”. Podemos chamar isso de o mais novo marco de Londres.

Além da exposição

Para Ament, a inovação vai além de adicionar artefatos chamativos ao próprio museu. Um novo espaço é uma “oportunidade de fazer as coisas de maneira diferente”, diz ela.

Ament quer que o museu reflita a natureza agitada das ruas da capital britânica e sua vida noturna. Ela iniciou uma parceria com a boate Fabric, localizada nas proximidades, e está explorando a possibilidade de abrir uma loja vitoriana de chocolate quente, que será revitalizada no local.

“Queremos que ela funcione literalmente 24 horas, talvez uma vez por mês”, diz ela. “Só precisamos descobrir como fazer isso sem ir à falência.”

As atrações do museu incluem uma grande janela de vidro no subsolo para que os visitantes possam observar os trens entrando e saindo da estação Farringdon, nas proximidades. Outra atração serão as nove entradas do museu — uma herança de sua história como mercado em funcionamento — que criarão um “fluxo” semelhante ao de uma rua através do museu.

Entre os novos espaços, o primeiro a receber visitantes é o V&A East Museum, um templo da criatividade construído em tijolos amarelos, no valor de £ 135 milhões, que foi inaugurado em abril com uma exposição temática permanente, intitulada “Why We Make”, e a exposição temporária “The Music Is Black: A British Story”, que leva os visitantes a um passeio sonoro pela história da música negra na Grã-Bretanha.

A ênfase na música e na moda reflete o desejo do museu de atrair visitantes da Geração Z, segundo o diretor do V&A East, Gus Casely-Hayford. Há trajes de Vivienne Westwood e Alexander McQueen em exposição.

Em destaque na entrada da exposição “Why We Make” está o vestido rosa brilhante “Daria”, da estilista londrina Molly Goddard, que ficou famoso por seu grande volume de tecido (60 metros de tule de nylon) e por ter sido usado por Beyoncé.

No dia da inauguração, Theo Keschner, de 22 anos, que em breve será aluno do London College of Fashion, vizinho ao museu, ficou encantado com o foco na moda. “Dá para perceber que eles pensaram no que alguém da minha idade está falando”, disse ele. “É mais perceptível do que, digamos, na National Gallery.”

Casely-Hayford visitou mais de 100 escolas locais para ouvir dos alunos o que eles queriam. “Eles foram honestos”, diz ele. “Eles estavam frustrados com os museus. Queriam respeito. Queriam que contássemos suas histórias de maneiras que refletissem suas prioridades.”

Um dos resultados é que o museu dá grande destaque às histórias locais: uma vitrine dedicada ao designer do século XIX William Morris destaca sua ligação com sua terra natal, a região de Walthamstow, no leste de Londres. Uma exposição com áudio permite que os visitantes ouçam as memórias de Tom Hunter, um fotógrafo que documentou as mudanças sociais na vizinha Hackney na década de 1990.

O V&A East Museum segue o sucesso do V&A East Storehouse, seu espaço irmão de £ 65 milhões a 800 metros de distância, em Hackney Wick, inaugurado em maio de 2025. O armazém é uma experiência que permite dar uma espiada nos bastidores, exibindo itens — às vezes sem etiquetas descritivas — da coleção do renomado Victoria & Albert Museum.

Em um minuto você está olhando para uma tocha olímpica de 2012, no outro está admirando uma cadeira elegante dos anos 1960. Você também pode solicitar itens do arquivo — digamos, um violão de 12 cordas da coleção de David Bowie — para uma visita privada.

Nos primeiros sete meses, o V&A East Storehouse recebeu 416,3 mil visitantes, superando sua meta de 250 mil por ano. Para efeito de comparação, o V&A original em South Kensington recebeu 3,3 milhões de visitantes em 2025.

“Queremos ser um lugar de refúgio e reflexão para muitos — especialmente para os jovens”, diz Casely-Hayford sobre o V&A East Museum. A pesquisa interna do V&A sobre os primeiros seis meses do V&A East Storehouse é promissora: mais de 31% dos visitantes tinham entre 16 e 35 anos, e mais de 45% do público britânico pertencia a grupos étnicos minoritários.

Em 2025, o Museu de História Natural de Londres bateu o recorde histórico de público anual nesse tipo de estabelecimento no Reino Unido, com mais de 7,1 milhões de visitas ao longo do ano. O museu atribui esse feito a uma estratégia de inauguração regular de novos espaços dentro de suas instalações.

O aumento no número de visitas no ano passado deveu-se, em parte, segundo o museu, ao lançamento de uma nova galeria permanente, “Fixing Our Broken Planet”, dedicada à emergência climática global e que mapeia o impacto dos seres humanos no mundo natural e sugere como podemos agir para resolver os desafios ambientais.

Desde junho de 2025, os visitantes do Museu de História Natural também podem pagar (£ 20 para um adulto) para assistir a uma experiência cinematográfica de 50 minutos, “Our Story With David Attenborough”, que fica em cartaz até agosto. Ela atraiu mais de 133 mil visitantes em 2025.

A escala será diferente no Museu da Cultura Juvenil. O mesmo vale para o tema: mais cultura DIY do que dinossauros. Mas o objetivo é semelhante.

“Queremos realmente quebrar o molde tradicional dos museus”, diz Brett. “Queremos dar às pessoas um motivo real para sair de casa, para se divertir, para relembrar com os amigos, para se verem nas paredes — e para sentirem que realmente pertencem ao espaço.”

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