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O arroz pode ficar mais caro em 2026. A culpa é do El Niño

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O arroz pode ter uma retomada de preços antes do previsto, caso um El Niño forte realmente se comprove em 2026. A leitura é de Luciano Quartiero, CEO da Camil, em teleconferência com analistas nesta manhã.

A razão está no volume de chuvas que o fenômeno climático costuma trazer para o Rio Grande do Sul, o que pode impactar a produtividade em uma área que, ao que tudo indica, deve ficar menor do que a plantada em 2025 — principalmente por questões de preço.

No início de 2026, os preços do arroz chegaram ao piso de R$ 53 por saca e, desde então, vêm se recuperando em um ritmo gradual, hoje próximos de R$ 63 a saca. O valor atual ainda não é suficiente para cobrir os custos do produtor, lembrou Quartiero, ressaltando que no ano passado a saca chegou a bater na casa dos R$ 105 a R$ 106.

Como a redução de preços aconteceu durante todo o ano passado (chegando ao piso em janeiro), a perspectiva de uma área plantada menor para a próxima safra, que começa a ser plantada em setembro, não é novidade.

A leitura era a de que, em 2026, um repique dos preços seria mais difícil, também levando em consideração que a produtividade da safra plantada em 2025 não caiu tanto (mesmo com redução de 13% em área) e o arroz passou para este ano com um estoque de passagem grande.

A expectativa, então, era de uma recuperação dos preços somente no primeiro semestre de 2027. Mas o El Niño entrou na conta e pode mudar esse jogo, atrasando o plantio no Rio Grande do Sul com o excesso de chuvas.

“Ficando mais clara a concretização desse evento, começa a aparecer um cenário de antecipação de alta de preços porque a próxima safra pode ser prejudicada”, afirmou Quartiero.

No Brasil, ao longo do ano passado, os preços de mercado do arroz caíram 41%, o que trouxe um impacto direto para o desempenho da categoria de Alto Giro (que compreende as vendas de grãos e de açúcar).

O volume da venda de grãos cresceu em 2025, ajudando a minimizar a queda de volumes de açúcar. Mesmo assim, no ano, a Camil teve uma redução de 4% na categoria de Alto Giro, combinada, totalizando 1,2 milhão de toneladas.

Endividamento

Em meio à alta no endividamento das famílias e ao gasto de dinheiro em bets, fatores frequentemente criticados por players do varejo, Quartiero ainda não vê o impacto desses fatores nos resultados da empresa, afirmou.

“Não tem sido fácil vender nos últimos anos. A dinâmica desse processo, o quanto tem de ativar um ponto de venda, isso não está diferente do que foi nos últimos anos. Mas crescemos em volume de arroz”, ressaltou o CEO, fazendo alusão aos impactos do endividamento das famílias e às canetas emagrecedoras.

Para o CEO, o maior desafio em volume, dentro desse cenário, está nos biscoitos — menos pelo endividamento e mais pelas canetas. “É um tema que a gente acompanha de perto, com estudos sobre o tema”, disse Quartiero.

***

No balanço, a queda de preços do arroz pesou sobre os resultados da Camil, mas isso já estava na conta dos analistas. O que surpreendeu, nos resultados divulgados ontem, foi o aumento das despesas gerais e administrativas, que passaram a representar 17,4% da receita líquida (ante 14,7% no mesmo período do ano passado).

O aumento, segundo Quartiero, reflete o aumento de PLRs (participação nos lucros), contratação de consultorias de mercado, software de tecnologia e aumento de salário. A consultoria foi contratada principalmente para a distribuição, segundo o CEO, e é um “one off” no resultado.

Nesta sexta-feira, as ações da Camil caem quase 7%, cotadas a R$ 5,88. A empresa vale R$ 2,06 bilhões na B3.



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