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A startup brasileira que chegou ao pulso dos astronautas da NASA

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A NASA retomou a exploração da Lua – e, com os astronautas da Artemis II, foi para o espaço um ‘relógio’ desenvolvido por uma startup brasileira.

Mas os fundadores da empresa nem sabiam que o equipamento vendido por eles em 2023 à agência espacial americana havia sido selecionado para uso na missão. A surpresa veio quando eles assistiram aos vídeos dos astronautas.

“Foi uma enorme emoção quando vimos que eles estavam usando o nosso aparelho,” Rodrigo Trevisan Okamoto, o diretor de operações e sócio-fundador da Condor Instruments, disse ao Brazil Journal.

O ‘relógio’ é, na realidade, um actígrafo, um dispositivo que colhe informações dos ciclos de atividade e repouso do corpo humano.

Os actígrafos mais avançados possuem sensores bastante precisos de luminosidade e temperatura da pele, possibilitando análises detalhadas do ritmo circadiano – conhecido como o ‘relógio biológico’, um mecanismo essencial na regulação de diversas funções fisiológicas.

Há três anos, a Condor participou de uma seleção internacional da NASA para o fornecimento dessa tecnologia. Após meses de teste, o actígrafo da empresa brasileira ficou entre os escolhidos – mas só no dia do lançamento os fundadores ficaram sabendo que os aparelhos da Condor, montados na pequena fábrica da empresa em São Paulo, iriam decolar rumo à órbita lunar.

No vídeo da NASA, é possível ver quando os astronautas pressionam a tela do actígrafo do modelo ActLumus, registrando alguns marcos da viagem, como o momento em que atingiram o ponto mais distante da Terra – 407 mil km – e o encerramento das atividades da missão no espaço.

Antes de sair da órbita terrestre, o aparelho da Condor já vinha ganhando destaque internacional nesse nicho bastante específico de tecnologia – e quase 90% de suas vendas têm o exterior como destino.

Os seus principais clientes são centros de pesquisa, como as universidades Harvard e Stanford, o National Institutes of Health (NIH) e o National Health Service (NHS) do Reino Unido. Empresas como United Airlines, Air Canada e FedEx também compram a tecnologia, que pode ser usada para monitoramento de segurança do trabalho.

“Desenvolvemos um sensor de luz que é considerado o gold standard dessa tecnologia. Ficamos à frente de outras empresas em um estudo do NIH [National Institutes of Health],” disse Luis Filipe Rossi, o CTO e sócio-fundador da Condor. “Nosso aparelho não é exatamente como um smartwatch. Não tem as mesmas informações. Mas em nossa especialidade entregamos recursos de ponta, entre os melhores disponíveis no mundo.”

Um de seus diferenciais é a medição da luz melanópica, um espectro de luz azulada que ativa células fotossensíveis da retina e pode inibir a melatonina, afetando o sono. 

Quando iniciaram o mestrado, Rodrigo e Luis Filipe já pensavam em criar o próprio negócio de tecnologia, aliando desenvolvimento de hardware e software. A primeira ideia foi desenvolver drones, mas chegaram à conclusão de que era um mercado complexo demais naquela época.

04 24 Luis Filipe Fragoso de Barros e Silva Rossi ok

Decidiram então se dedicar ao desenvolvimento de aparelhos de actigrafia a partir de uma ponte com um professor da Poli. O Centro de Estudos do Sono, da Unifesp, procurava um novo fornecedor para ampliar as suas pesquisas. Um dos obstáculos era que os fabricantes internacionais vendiam dispositivos que não tinham baterias recarregáveis e precisavam ser remetidos de volta ao exterior para voltarem a funcionar.

A Condor Instruments foi fundada em 2013 com um aporte inicial de R$ 40 mil bancados pelos dois sócios-fundadores. Em seguida, a startup conseguiu um fomento de R$ 195 mil da Fapesp. Desde então, vem se financiando com o próprio fluxo de caixa.

A startup funciona em um espaço alugado da incubadora Cietec, na Cidade Universitária, em São Paulo. Mas opera de maneira totalmente independente da USP. 

O dispositivo usado pelos astronautas não foi, portanto, “desenvolvido pela USP”, como relataram diversas reportagens publicadas nos últimos dias. Foi desenvolvido pela Condor, que aluga um espaço dentro do campus da universidade. Em seu início, houve uma parceria com 

Os fundadores não descartam receber aportes de investidores externos, caso identifiquem uma boa oportunidade para escalar os negócios. Mas disseram que até o momento vêm conseguindo desenvolver novos produtos usando os recursos próprios.

A Condor tem capacidade para produzir até 300 dispositivos por mês – cada um vendido por um preço ao redor de US$ 700. No ano passado, o faturamento ficou em R$ 6,6 milhões.

Para 2026, a previsão é entregar cerca de 3.500 equipamentos – atingindo um top line em torno de R$ 10 milhões.

A visibilidade conquistada com a participação na Artemis II já atraiu possíveis novos clientes e tem ajudado em negociações com outras agências espaciais. No momento, a Condor prepara o lançamento de uma nova versão de seu principal actígrafo, com um sensor de luz ainda mais avançado.

Outro projeto é um wearable voltado ao rastreamento do ritmo circadiano interno, regido principalmente por uma estrutura cerebral localizada no hipotálamo. Os detalhes do projeto permanecem em segredo.

Com a NASA, o próximo grande projeto da empresa pode ser a missão que vai pousar no polo Sul da Lua, prevista para 2028.




Giuliano Guandalini








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