Bloomberg Línea — O Banco de Brasília (BRB) assinou um memorando de entendimento (MoU) com a gestora Quadra Capital para a venda de R$ 15 bilhões em ativos oriundos de suas operações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.
A operação prevê a criação de um fundo de investimento para abrigar e monetizar os ativos, com pagamento à vista de no mínimo R$ 3 bilhões e até R$ 4 bilhões, segundo comunicado ao mercado divulgado pelo BRB na noite de segunda-feira (20).
O restante — entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões — será recebido pelo BRB em cotas subordinadas do fundo, ou seja, instrumentos cujo retorno dependerá do desempenho futuro dos próprios ativos transferidos.
A efetivação do acordo ainda está sujeita ao cumprimento de condições precedentes previstas no memorando, que não foram detalhadas.
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O banco afirmou que a transação visa “fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez”, além de “aprimorar a gestão de seu portfólio” e promover a “racionalização patrimonial”.
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Sob pressão
O acordo surge em um momento de pressão sobre as finanças do BRB. O banco acumulou cerca de R$ 22 bilhões em ativos do Master — incluindo imóveis, cemitérios e restaurantes, além de carteiras de crédito —, dos quais aproximadamente R$ 13 bilhões foram classificados pelas autoridades como créditos fraudulentos. O BRB afirmou ter substituído mais de R$ 10 bilhões desses ativos.
O diretor de supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, estimou em depoimento à Polícia Federal, em dezembro, que o ajuste necessário no balanço do BRB seria “de mais de R$ 5 bilhões”, citando a “qualidade dos ativos” recebidos do Master.
Em fevereiro, BRB convocou uma assembleia geral de acionistas para votar um aumento de capital de até R$ 8,9 bilhões — reunião que foi cancelada e remarcada para esta quarta-feira (22).
O índice de capital principal (CET1) do BRB estava em 8,1% em junho do ano passado, próximo ao mínimo regulatório de 7% — ante 13,1% do Itaú e 12% do BTG Pactual.
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De acordo com uma reportagem da Bloomberg News, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vinha se recusando a conceder um empréstimo de pelo menos R$ 4 bilhões solicitado pelo BRB, à espera de uma clareza maior sobre o tamanho total das perdas, segundo pessoa familiarizada com as negociações.
O acordo com a Quadra representa a alternativa de mercado mais concreta anunciada até agora pelo BRB para enfrentar o rombo.
A proposta de R$ 15 bilhões havia sido sinalizada pelo governo do Distrito Federal recentemente, quando informou que um fundo de investimento — cujo nome não foi divulgado à época — havia feito uma oferta pelos ativos.
O anúncio ocorre dias após a Polícia Federal prender Paulo Henrique Costa, ex-CEO do BRB, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Costa é acusado de ter recebido aproximadamente R$ 75 milhões em imóveis de luxo — metade de um valor negociado de R$ 150 milhões — pagos por Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, por meio de uma estrutura que combinava empresas de fachada e fundos geridos pela gestora Reag, segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As autoridades afirmam que Costa autorizou o BRB a acelerar a aquisição de carteiras de crédito do Master que, posteriormente, foram classificadas como fraudulentas.
Vorcaro, por sua vez, está preso pela segunda vez desde novembro. Além das acusações originais de fraude, o ex-banqueiro enfrenta alegações de ameaça a um jornalista, acesso indevido a sistemas do FBI e da Interpol, e interferência nas investigações em curso.
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