Já fizemos um apanhado bem detalhado sobre a Siemens – tanto seu nascimento em Berlim, em 1842, quanto sua evolução da empresa ao longo do século XX e chegada ao Brasil. Mas hoje vamos nos concentrar na Siemens Mobile e contar sobre sua aventura no mercado de telefonia móvel, que aconteceu entre 1985 e 2005, tornando-se, neste período, uma das fabricantes de celulares mais relevantes, ao lado de Ericsson, Nokia e Sony.
A história da Siemens Mobile começa em 1985, com o nem tão móvel, Mobiltelefon C1, um aparelho trambolhudo, com 8,8 kg, fio que conectava o gancho do telefone ao resto do seu corpo, uma senhora bateria.
Em 1993, a empresa lançou um dos primeiros celulares do mundo a operar acima de 1 GHz, o Siemens m200 por conta da abertura da faixa de 1800 MHz para o rádio móvel, aumentando a capacidade disponível para as redes celulares, como também permitiu a entrada de mais concorrentes no mercado. A faixa também tem o mérito de, posteriormente, tornar possível realizar roaming transatlântico com celulares comuns de baixo custo.
No ano seguinte, a empresa lançou o seu S1, que marcou a indústria mundial de telefones celulares como um dos primeiros aparelhos GSM. Era capaz de receber SMS, mas não enviar. Os usuários podiam configurar mensagens de saudação personalizadas exibidas na tela ao ligá-lo.
No mesmo ano, lançou o primeiro telefone “outdoor”, o Siemens S10 Active, com proteção reforçada contra impactos, poeira e respingos. Em 1999, a Siemens lançou seu primeiro telefone com design deslizante (slider), o Siemens SL10.
A empresa era reconhecida por seus aparelhos parrudos, duráveis, mas de design simples. Porém, foi capaz de apresentar ao mercado uma série de inovações, como: primeiro celular com tela colorida e com MP3.

Siemens S10, primeiro celular com tela colorida da história
No entanto, foi pioneira ao apresentar o primeiro telefone com tela colorida, o Siemens S10, em 1997, capaz de exibir as cores vermelha, verde, azul e branca. Ainda no mesmo ano, chegou ao mercado o S10 Active, com proteção reforçada contra choques, poeira e respingo. E, em 1999 chegou o SL10, o primeiro aparelho da marca slider.
Em 2000, no mesmo ano em que comprou a divisão de telefones móveis da Bosch, a Siemens lançou um dos primeiros aparelhos com tocador de MP3, com suporte de cartão de memória externo, o SL45. Neste ano, a Siemens estava em quarto lugar do market share de vendas de dispositivos móveis, atrás de Samsung, Motorola e Nokia, com 8,6% de participação.
Outra inovação que marcou o mercado de dispositivos móveis foi o Siemens SX1, primeiro aparelho com o sistema operacional SymbianOS

Xelibri, modelo de celular fashion da Siemens
Em 2003, a gigante de tecnologia alemã apresentou sua série de celulares Xelibri, direcionados ao mundo da moda. Eles eram itens fashion, que poderiam ser usados para compor o resto do visual. A companhia afirmava que as pessoas os usariam em torno da cintura, pescoço e braços, assim como outros acessórios. Eles apresentavam designs compactos e formas arrojadas. A missão da linha era “tornar o mundo móvel um pouco menos sério, um pouco menos complicado e muito mais divertido”.
A ousadia não durou muito tempo. Em maio de 2004, a Siemens interrompeu as vendas da linha depois de 780 mil unidades vendidas no ano do seu lançamento – o que representava somente 2% do total.
Ela não deu certo por uma série de razões. Os celulares não chamaram a atenção pelo design e nem pelo preço. Na época, os consumidores tinham à disposição celulares igualmente bonitos, mas que ao mesmo tempo dispunham de uma série de recursos que os Xelibri não tinham. A primeira coleção era dotada de telas em preto e branco, enquanto o mercado começava a usar telas coloridas. A segunda já tinha telas coloridas, mas não dispunha de câmera, em um momento em que dispositivos com o recurso começavam a se popularizar.
Digamos que o Xelibri não ajudou a quarta em participação do mercado em crescer e expandir. Em 2003, a empresa ficou estável e, no ano seguinte, o market share foi para 7,2%. Neste período já havia prejuízos e queda nas vendas. No primeiro trimestre de 2005, sua participação caiu para 5,6%, já com LG e Sony Ericsson à sua frente.
Em junho de 2005, a taiwanesa BenQ adquiriu a Siemens Mobile, junto com o direito de uso da marca Siemens em celulares por cinco anos.
Depois do período no B2C, a Siemens segue como uma gigante global, porém, focada em infraestrutura, indústria e tecnologia. Longe do consumidor final.
Foto principal: Mobiltelefon C1, o primeiro telefone móvel da Siemens. Crédito: divulgação





