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Ações da MBRF caem mais de 10% após saída de fundo árabe, mesmo com avanço no mercado halal Agrimidia

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A MBRF viveu dias consecutivos de forte movimentação no mercado, combinando avanços estratégicos no agronegócio global com reação negativa dos investidores na bolsa. Um dia após anunciar a consolidação de uma parceria bilionária no mercado halal, as ações da companhia recuaram mais de 10%, impactadas pela venda de participação relevante por parte de um investidor estrangeiro.

A queda dos papéis ocorreu após a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (SALIC), ligada ao fundo soberano da Arábia Saudita, alienar cerca de 70 milhões de ações da empresa. Mesmo após a operação, a SALIC manteve participação próxima de 10% a 11% do capital social da MBRF. Nem a companhia brasileira nem o fundo comentaram oficialmente a transação.

O movimento interrompeu o desempenho positivo registrado no pregão anterior, quando os papéis haviam avançado com a repercussão do anúncio da criação da Sadia Halal, iniciativa voltada à ampliação da presença da empresa no mercado de alimentos certificados para países de maioria muçulmana.

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Expansão internacional reforça estratégia de exportação

Na véspera da queda, a MBRF informou que obteve todas as autorizações regulatórias para estruturar a Sadia Halal em parceria com a Halal Products Development Company (HPDC), também vinculada ao fundo soberano saudita. A nova operação nasce com aporte estimado em US$ 2 bilhões e integra a estratégia de internacionalização da companhia.

A iniciativa envolve a incorporação de ativos relevantes no Oriente Médio, incluindo operações industriais e de distribuição em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuweit e Omã, além de fortalecer as exportações diretas para a região.

O acordo prevê ainda a possibilidade de ampliação da participação da HPDC na joint venture ao longo dos próximos anos, como parte da preparação para uma eventual abertura de capital da Sadia Halal a partir de 2027, condicionada ao cenário de mercado.

Reposicionamento de capital e impactos na bolsa

Segundo informações de mercado, os recursos obtidos pela SALIC com a venda das ações devem ser destinados à quitação de investimentos realizados anteriormente em Cingapura, além de apoiar novas aquisições no Brasil. A movimentação é interpretada como um reposicionamento estratégico do portfólio do investidor.

Apesar da redução da participação, a manutenção de uma fatia relevante indica continuidade do vínculo com a companhia brasileira. Ainda assim, o volume expressivo de ações negociadas foi suficiente para pressionar as cotações no curto prazo, levando os papéis a retornarem para níveis abaixo de R$ 20.

Expectativas para resultados e pressão sobre margens

Com o cenário de volatilidade, o mercado direciona atenção para a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026, prevista para 14 de maio. As projeções indicam crescimento moderado da receita, com estimativa de alta de até 1%, podendo alcançar cerca de R$ 40 bilhões.

Por outro lado, a rentabilidade deve enfrentar pressão. Analistas projetam queda superior a 10% no EBITDA, que pode ficar abaixo de R$ 500 milhões. O desempenho tende a ser impactado principalmente pela elevação dos custos de produção na América do Sul, especialmente devido à alta nos preços do gado no Brasil.

Na América do Norte, as margens permanecem pressionadas, com resultados próximos do ponto de equilíbrio, refletindo um ambiente operacional ainda desafiador para a companhia.

Mercado halal segue como vetor de crescimento no agronegócio

Apesar da reação negativa no curto prazo, a entrada mais robusta no mercado halal é vista como um movimento estratégico relevante para a MBRF. O segmento, que atende principalmente consumidores de países islâmicos, tem ampliado sua participação no comércio global de proteínas, especialmente no contexto das exportações brasileiras de frango e derivados.

A criação da Sadia Halal consolida a presença da companhia no Oriente Médio e reforça a aposta em parcerias internacionais como eixo de crescimento no agronegócio, em um cenário que combina expansão geográfica com desafios operacionais e financeiros.



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