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o pioneirismo que transformou a suinocultura paulista Agrimidia

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Engenheiro agrônomo, empresário rural e articulador de políticas públicas, Roberto Cano de Arruda teve papel decisivo na estruturação da suinocultura paulista, aliando crédito, inovação tecnológica e produção genética ao longo de mais de quatro décadas. A relevância de seu trabalho será reconhecida na próxima quinta-feira (16) em Itu, quando será homenageado pela Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS).

Formado em engenharia agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) em 1963, construiu sólida carreira pública e institucional, ocupando cargos estratégicos ligados ao desenvolvimento do setor agropecuário em São Paulo, além de atuação ativa em entidades representativas e de pesquisa.

A história da suinocultura intensiva no estado de São Paulo está diretamente ligada à sua trajetória. A partir da década de 1970, quando o setor ainda dava seus primeiros passos no estado, destacou-se como um dos principais agentes de transformação da atividade, atuando tanto no campo institucional quanto na produção.

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Em 1975, enquanto ocupava o cargo de diretor do Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, foi responsável pela criação de uma linha de crédito rural específica para fomentar a suinocultura paulista. A iniciativa foi determinante para estruturar a atividade, viabilizando a implantação de granjas com até 60 matrizes, um modelo adaptado à realidade de uma cadeia ainda iniciante no estado.

O objetivo era claro: estimular a produção de carne suína próxima aos grandes centros consumidores, reduzindo custos logísticos e fortalecendo a oferta. Essa política de incentivo marcou o início da consolidação da suinocultura intensiva em São Paulo.

Do incentivo ao campo: modernização da produção

Paralelamente à atuação institucional, Roberto Cano de Arruda também construiu uma sólida trajetória como empresário rural. Em 1979, em sociedade com Agrício Rodrigues de Arruda e filhos, implantou em Itu (SP) a Granja Cafeara, uma das primeiras unidades a adotar modelos tecnológicos mais avançados da época.

A granja, que segue em atividade até hoje, tornou-se referência regional e atualmente passa por um processo de modernização, com investimentos voltados ao bem-estar animal, melhoria das instalações de maternidade e terminação, além da adoção de práticas mais sustentáveis.

Em 1984, ampliou sua atuação com a aquisição de uma propriedade em Iaras (SP), onde iniciou um novo projeto de suinocultura. Mesmo exercendo funções no banco, mantinha presença constante no campo, acompanhando de perto a operação da granja. O projeto, iniciado com 150 matrizes, cresceu ao longo dos anos até atingir cerca de 700 matrizes, consolidando-se como uma unidade produtiva relevante.

Crises, expansão e o salto na genética suína

Roberto Cano de Arruda: o pioneirismo que transformou a suinocultura paulista

A década de 1980 também foi marcada por novos investimentos e desafios. Em 1986, um projeto implantado em uma propriedade da família chegou a ser desativado temporariamente devido à crise de preços da suinocultura, evidenciando a volatilidade do setor.

Ainda assim, seguiu apostando na atividade e avançou para uma nova fase com a criação da Granja Indiana, em parceria com Agrício e Olinto. O projeto foi pioneiro na produção genética, com a importação de cerca de 150 leitoas da Holanda e da França.

A unidade operava com aproximadamente 500 matrizes e era dedicada exclusivamente à produção de leitões, posteriormente destinados a granjas comerciais como Cafeara, Água Branca e Mariana. A iniciativa reforçou seu papel na introdução de avanços genéticos e na profissionalização da suinocultura paulista.

Com o tempo, a área da Granja Indiana foi vendida para um grupo do setor imobiliário, e os animais redistribuídos entre outras unidades produtivas, garantindo a continuidade do trabalho desenvolvido.

Legado que atravessa gerações

Atualmente, granjas como Cafeara e Mariana operam com cerca de 700 matrizes cada, refletindo a evolução tecnológica e a escala produtiva alcançadas ao longo das décadas. A Granja Cafeara, com mais de 45 anos de atividade, simboliza essa trajetória de adaptação e inovação contínua.

Mesmo após anos de atuação, Roberto Cano de Arruda segue ativo no setor, contribuindo com sua experiência e visão estratégica. A continuidade do trabalho é reforçada pela participação da família, incluindo suas filhas, Ana Flávia e Maria Beatriz, além do neto João Pedro.

Outro destaque é o envolvimento do sobrinho Adolfo Arruda, engenheiro agrônomo que atua ao seu lado desde 2004, fortalecendo a gestão e o desenvolvimento das atividades nas granjas.

A ação de Roberto também se estendeu ao fortalecimento institucional do agro, com participação em entidades como a Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), onde contribuiu para iniciativas voltadas à pesquisa e ao desenvolvimento do setor.

Uma história que se confunde com a do setor

A trajetória de Roberto Cano de Arruda se confunde com a própria história da suinocultura moderna em São Paulo. Seja por meio da criação de políticas de incentivo, da implantação de projetos pioneiros ou da aposta em genética e tecnologia, sua conduta ajudou a transformar uma atividade emergente em um setor estruturado, competitivo e em constante evolução.

Reconhecido ao longo da carreira, também recebeu homenagens institucionais, como o título de cidadão piracicabano, em reconhecimento à sua contribuição ao desenvolvimento regional e ao agronegócio.

Seu legado permanece vivo não apenas nas granjas que ajudou a construir, mas também na base produtiva que contribuiu para desenvolver, consolidando a suinocultura como uma cadeia estratégica do agronegócio paulista e brasileiro.

Itu no centro da suinocultura paulista

Cidade diretamente ligada à trajetória do homenageado, Itu se prepara para ganhar ainda mais protagonismo no cenário da suinocultura. O município sediará o evento Sou + Agro, quando será considerado a capital estadual da atividade, reunindo produtores, especialistas e lideranças do agronegócio. O prefeito Herculano Passos destacou a importância do encontro e reforçou o convite aos produtores:

“Quero aqui falar do festival do agronegócio que vai acontecer aqui em Itu com o nome Sou + Agro. É importante esta feira, que vai acontecer no Maeda, no final de julho e começo de agosto, e que será muito importante a presença de todos, porque vamos debater assuntos importantes relativos à suinocultura brasileira. Itu vai ser a capital estadual da suinocultura”.

O prefeito também ressaltou o potencial do Brasil no cenário global:

“Vivemos um momento de desafios no mundo, mas tenho certeza de que o Brasil vai ampliar suas exportações de carne suína, com qualidade reconhecida internacionalmente. A prefeitura está dando todo o apoio, incentivo e motivação para que a atividade cresça cada vez mais”.

Com a homenagem e o fortalecimento de eventos estratégicos, a suinocultura paulista reafirma sua importância econômica e sua capacidade de evolução contínua — sustentada por trajetórias que ajudaram a construir os alicerces do setor.



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