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Ronaldo, Birkin e Tarcísio: o leilão para a educação de Mato Grosso

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CUIABÁ (MT)* — Uma partida de tênis com Ronaldo Fenômeno, uma bolsa Birkin e um almoço com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. À primeira vista, os três itens têm pouco em comum. Na última sexta-feira, entretanto, estavam no mesmo lugar, a serviço da filantropia de Mato Grosso.

Os três fizeram parte de um leilão de 27 itens e experiências realizado pelo GEMTE (Grupo Empresarial Mato Grosso em Evolução), iniciativa dedicada a melhorar a educação pública do Estado.

Trata-se de uma organização sem fins lucrativos idealizada por Guilherme Scheffer e que conta com Luiz Piccinin, Lorena Lacerda, Álvaro de Carvalho, Marcelo Cintra, Marcos Cruz Júnior e Juliano Bortoloto na diretoria.

“Nosso Estado tem uma enorme capacidade de produzir, empreender e gerar riquezas. Queremos que essa força também se traduza em oportunidades para quem está hoje na escola”, afirmou Scheffer no evento.

O foco do GEMTE é trabalhar junto com as secretarias de educação. As lideranças locais escolhem os projetos, e a organização entra com o método: metas, prazos, responsáveis e rotina de acompanhamento.

Atualmente, o GEMTE trabalha com o governo do Estado e com 12 municípios, quatro a mais que em 2025 (Lucas do Rio Verde, Campo Novo dos Parecis, Primavera do Leste e Nova Olímpia). A meta é atender 70% dos municípios de Mato Grosso até 2035.

Mesmo com pouco tempo de atuação, o projeto já mostra resultados no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). A nota de Campo Verde passou de 6,0 para 7,1. Em Chapada dos Guimarães, saiu de 5,2 para 6,0 e, em Canarana, de 5,6 para 6,2. No ensino médio estadual, Mato Grosso passou do 22º para o 6º lugar no país.

“São conquistas fruto do trabalho de gestores públicos, equipes das secretarias, diretores, professoras, famílias. O GEMTE se soma a esse esforço. Estamos falando de crianças e jovens, com histórias, talentos e sonhos. É por isso que estamos fazendo o trabalho avançar”, afirmou Scheffer.

Financiamento

Por enquanto, a iniciativa é sustentada por 28 mantenedores, entre pessoas e empresas, que doam de R$ 5 mil a R$ 20 mil por mês, do próprio caixa. Mas a ambição é maior. Para garantir que o projeto se perpetue no longo prazo, a meta é construir um endowment, e é aí que os leilões entram.

Em 2025, no primeiro leilão do grupo, foram arrecadados R$ 15 milhões, que já estão no endowment, aplicados em renda fixa de baixo risco. Na edição deste ano, foram mais R$ 14 milhões. Assim como em 2025, mais de 700 empresários e investidores marcaram presença no evento, mas desta vez com uma presença corporativa mais visível, com mais patrocínios institucionais.

Executivos de empresas como Ihara, Corteva, John Deere e Itaú BBA subiram ao palco. Na plateia, não foi difícil avistar nomes do alto escalão da Kepler Weber, da SLC Agrícola, da Datagro e da XP Investimentos, por exemplo.

No ano passado, o grupo projetava acumular R$ 35 milhões em doações até 2035. Em dois leilões, já chegou a R$ 29 milhões, mais de 80% da meta. “Vamos subir o sarrafo aqui”, disse Fabiano Gonçalves, CEO do GEMTE, ao The AgriBiz.

Recém-chegado ao GEMTE, o executivo paulistano tem mais de duas décadas de atuação na educação, trajetória que começou em uma instituição filantrópica com unidades no bairro Jardim São Luís, em São Paulo.

Desde então, passou pelo Instituto PROA (organização sem fins lucrativos que ajuda jovens de baixa renda a entrar no mercado de trabalho) e, mais recentemente, estava na Fundação Educandário Cel. Quito Junqueira, instituição filantrópica de Ribeirão Preto (SP) também voltada a jovens em situação de vulnerabilidade.

A chegada de Gonçalves tem como foco ajudar o GEMTE a dar os próximos passos. Entre eles está o desenvolvimento de uma plataforma própria de gestão de projetos, feita sob medida para secretarias de educação, nos moldes de um ERP.

Próximos passos

O objetivo é dar mais autonomia às equipes das secretarias. Hoje, o GEMTE faz o papel de um gerente de portfólio de projetos. Com o software, além de automatizar parte do trabalho, a avaliação é que será mais fácil chegar a municípios menores.

“A gente tem uma grande quantidade de municípios que têm uma ou duas escolas, por exemplo. Se não tiver uma forma, método e tecnologia para trabalhar com eles, a gente poderia perder a oportunidade de atender alguns deles”, resume Gonçalves.

Para se aproximar das lideranças municipais, o GEMTE montou um programa de formação de lideranças em parceria com a Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação) de Mato Grosso, que teve a participação de 64 secretários municipais do Estado.

Depois do evento, secretários e secretárias de educação procuraram as lideranças do GEMTE para entender melhor o modelo de trabalho da instituição, conta o CEO. Assim, a instituição começa a superar a principal barreira desse trabalho: engajar as lideranças de cada município.

O trabalho em parceria com o governo do Estado também ajuda a ampliar a projeção do GEMTE. A instituição ajudou a desenvolver um plano de currículo integrado, da educação infantil ao ensino médio, com apoio financeiro e técnico do Itaú Social e do Instituto Reúna.

O plano está sendo finalizado e vai para consulta pública em breve. A ideia é implantá-lo já em 2027, alcançando 718 mil estudantes. O ponto central é deixar claro o que o aluno deve aprender, como isso é medido e o que fazer quando ele não aprende.

“Nossa missão é contribuir para que Mato Grosso seja uma referência nacional em educação pública. Queremos aprofundar o apoio aos municípios, identificar onde os alunos precisam de ajuda e reunir os especialistas necessários para enfrentar esses desafios”, resumiu Scheffer.

***

*A jornalista viajou a convite do GEMTE



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