Com a Inteligência Artificial (IA) ganhando espaço na jornada de compra, estar entre as recomendações pode fazer diferença na escolha do consumidor, especialmente em época de grande demanda, como a Black Friday e o Natal. Assim, marcas e lojistas precisam preparar suas informações para aparecer nas recomendações de ferramentas como ChatGPT, Claude e outros assistentes.
As recomendações são construídas a partir de conteúdos disponíveis na internet, como sites, reportagens, guias de presentes, blogs, redes sociais e fóruns. Por isso, a presença digital precisa ser trabalhada antes. “Quem não organiza suas informações para atender a essas duas dinâmicas pode desaparecer das respostas da máquina”, diz Alex Cabral, diretor e fundador da Modocon, agência especializada em reputação e visibilidade em IAs.
A Modocon preparou uma lista com 15 dicas para marcas, fabricantes e lojistas se saírem bem nas comparações e entrar nas recomendações das datas mais importantes para o varejo.
No site
1. Abra a porta para os robôs das IAs
ChatGPT, Claude, Perplexity e outros assistentes enviam robôs para ler os sites. A liberação fica num arquivo do site chamado robots.txt. Peça a quem cuida do seu site para conferir se os robôs de busca das IAs estão liberados. Loja trancada não entra na vitrine.
2. Escreva o que importa em texto, não só em imagem
Preço, medidas, prazo e garantia que aparecem só dentro de um banner, de uma foto ou de um PDF costumam ser invisíveis para a IA. O mesmo vale para informação que só surge depois que a página carrega efeitos: muitos robôs lêem a página sem montá-la como o navegador faz.
3. Fale a língua de quem pergunta
Ninguém pergunta à IA por uma “fritadeira elétrica de 4,2 litros”. Pergunta: “qual a melhor air fryer para família grande até R$ 800?”. A descrição que junta o termo técnico e o jeito como o cliente fala aparece nos dois tipos de pergunta. Lembre-se também de utilizar o mesmo nome do produto no site, no marketplace e nas redes: três nomes viram três produtos diferentes para a IA.
4. Responda antes que perguntem
Uma seção de perguntas frequentes na página do produto, como “serve para…?”, “cabe em…?” e “qual a garantia?”, com respostas curtas e diretas, é um formato fácil de a IA reaproveitar na resposta.
5. Crie seus próprios guias de presentes
Páginas como “presentes até R$ 100” ou “presentes para o amigo secreto do trabalho” respondem, quase palavra por palavra, ao que o consumidor pergunta à IA.
6. Mantenha o catálogo do Google em dia
O Google usa o catálogo de produtos cadastrado no Merchant Center para mostrar produtos nas buscas com IA. Preço, estoque e frete desatualizados ali viram resposta errada.
7. Cadastre o site também no Bing
O Copilot, assistente da Microsoft, se apoia no buscador da empresa. O cadastro no Bing Webmaster Tools é gratuito e leva poucos minutos.
8. Tire do ar a promoção vencida
Página de oferta antiga esquecida no site pode levar a IA a citar um preço que não existe mais, e o cliente chega à loja desconfiado.
9. Coloque etiquetas invisíveis nas páginas
Os chamados dados estruturados são marcações que o cliente não vê, mas que dizem aos sistemas “isto é um preço”, “isto é uma avaliação”. Essas informações não são requisito para aparecer em respostas de IA, mas garantem consistência entre o que a página diz e o que os sistemas entendem.
Fora do site
10. Peça avaliações com detalhe
A IA resume o que os compradores escreveram, no site, no marketplace e no Google. “Ótimo” não ajuda ninguém; “a bateria durou dois dias de praia sem precisar recarregar” ajuda. E responda às avaliações, inclusive as negativas: a resposta da loja também é lida.
11. No marketplace, o anúncio fala por você
Responda às perguntas feitas no anúncio e às avaliações dos compradores. Esse texto é público, fica ao lado do produto e responde exatamente às dúvidas que o próximo cliente vai levar à IA.
12. Cuide do perfil da empresa no Google
Para quem tem loja física ou oferece retirada, endereço, horário, fotos e avaliações respondidas no perfil do Google alimentam as respostas sobre onde comprar perto de casa.
13. Faça o produto chegar a quem avalia
Vídeos de avaliação, demonstração e “abrindo a caixa” feitos por criadores independentes no YouTube estão entre as fontes mais citadas pelas IAs em perguntas de compra. Enviar o produto para quem avalia com independência é mais indicado do que a marca falar de si mesma.
14. Marque presença em matérias na imprensa, resenhas em fóruns de discussão, como o Reddit, e portais que publicam rankings e avaliações de clientes
Tudo isso pesa mais do que a propaganda da própria marca porque mostra a opinião de quem não tem interesse direto na venda.
Para fechar
15. Faça medições toda semana
O Google Analytics mostra quantas visitas chegam do ChatGPT, do Perplexity e de outras IAs. Se o número for zero, pode ser que algo esteja bloqueando ou faltando.
Imagem: Envato





