Com a homologação da recuperação extrajudicial (RE), o GPA passou a concentrar as energias na retomada das operações. Mas a retomada vai demorar mais tempo.
A varejista divulgou na quarta-feira, 4 de novembro, que a receita líquida caiu 9,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para R$ 4,1 bilhões. As vendas totais alcançaram R$ 4,6 bilhões, com recuo de 6,5%, enquanto as vendas “mesmas lojas”, que consideram o desempenho de unidades em funcionamento a mais de 12 meses, caíram 1,4%.
A companhia fechou o terceiro trimestre com um prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões, revertendo o lucro de R$ 137 milhões do mesmo período do ano passado. Considerando o resultado das operações continuadas, o prejuízo somou R$ 220 milhões, também uma reversão em base anual.
Diante do cenário mais duro para o consumo no País, o GPA enfrenta o desafio de recuperar as vendas “mesmas lojas” e reconquistar a participação de mercado perdida nos últimos anos. E tudo isso garantindo rentabilidade. Mas em meio aos ajustes sendo feitos no sortimento e medidas que ainda estão por vir, a recuperação não será imediata.
“Tem algumas coisas que a gente já consegue ver em vendas, apesar do cenário macro, que não deixa de ser um momento desafiador”, afirma Alexandre Santoro, CEO do GPA, ao NeoFeed. “Mas a gente se propõe para 2027 voltar a crescer as vendas ‘mesmas lojas’, esse é o nosso plano.”
Segundo ele, a queda na receita no terceiro trimestre é resultado de iniciativas tomadas pela própria companhia, que optou por descontinuar operações e vendas consideradas pouco rentáveis, como parte da estratégia de recuperar margens.
Entre as medidas que pesaram no trimestre estão a descontinuidade do formato Aliados, canal de vendas para pequenos comerciantes, o encerramento da parceria de fulfillment nos centros de distribuição e a venda da Stix, empresa de fidelidade, à RD Saúde.
Esses ajustes promovidos pelo GPA ainda devem ter efeito no quarto trimestre, com algum impacto residual, considerado marginal, nos primeiros meses de 2027. “Aí, teremos uma base de comparação adequada. Devemos esperar em 2027 um efeito positivo de vendas”, diz Pedro Albuquerque, CFO do GPA.
O ajuste de portfólio vem acompanhado pelo reposicionamento das bandeiras Extra e Pão de Açúcar, pela regionalização das operações e pela melhoria da experiência de compra dos consumidores.
No Extra, responsável por mais de 30% da receita do grupo, o GPA pretende reforçar o posicionamento de preço baixo. No Pão de Açúcar, a prioridade é melhorar a execução operacional, especialmente nas categorias de produtos perecíveis, consideradas um dos principais diferenciais competitivos da bandeira.
A melhora do relacionamento com fornecedores também é considerada fundamental para a retomada. Durante o processo de RE, o GPA enfrentou um aumento pontual nas rupturas de abastecimento, especialmente em abril e maio. “Hoje, eu diria que está muito próximo do que a gente tinha antes da RE, em termos de ruptura”, diz Santoro.
A situação pesou no caixa. O fluxo de caixa operacional, após as variações de capital de giro e excluindo o efeito negativo da desconsolidação da Stix, totalizou R$ 683 milhões no acumulado de nove meses, queda de 49%, por conta da maior alocação de caixa para fornecedores ao longo do período para preservar a continuidade do abastecimento.
Se enfrenta desafios para retomar as vendas, o GPA tem conseguido melhorar sua rentabilidade, com crescimento de margens, graças a cortes em despesas administrativas, revisão dos ativos de logística, de legados tecnológicos, além dos ajustes no sortimento.
O Ebitda somou R$ 482 milhões no trimestre, avanço de 16,9%, com a margem alcançando 11,7%, alta de 2,7 pontos percentuais na comparação anual. A margem bruta atingiu 30,7%, avanço de 3,1 pontos percentuais quando comparado com o terceiro trimestre de 2025.
“Estamos conseguindo colocar em marcha nosso plano de melhoria de rentabilidade”, diz Santoro. “Temos diversas ações muito bem mapeadas para acontecer em 2027 e 2028.”
Como parte desse esforço, o GPA também está mais seletivo na destinação de recursos. No acumulado de nove meses, os investimentos em capex alcançaram R$ 226 milhões, queda de 56% em base anual.
A empresa fechou o terceiro trimestre com uma alavancagem financeira de 3,7 vezes. Considerando os termos do plano da RE e a utilização dos recursos provenientes da venda de sua participação na financeira FIC ao Itaú, no final do ano passado, a alavancagem alcançaria 1,2 vez.
As ações do GPA fecharam o pregão com alta de 9,05%, a R$ 2,29. No ano, os papéis acumulam queda de 42,1%, levando o valor de mercado a R$ 1,13 bilhão.





