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Lisboa se transforma na capital mundial da inovação

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Todos os anos, durante alguns dias de novembro, Lisboa ganha uma dimensão diferente. A cidade passa a receber empreendedores, investidores, executivos, investigadores, representantes de governos e empresas de tecnologia de diversas partes do mundo. Ideias, capital, conhecimento e ambição cruzam-se nos corredores, nos palcos e nas inúmeras reuniões que acontecem dentro e fora do evento. É o Web Summit, hoje um dos grandes pontos de encontro da inovação global.

De 9 a 12 de novembro, a capital portuguesa volta a receber o evento, que reúne a comunidade internacional de tecnologia e empreendedorismo para discutir tendências, apresentar soluções e, sobretudo, estabelecer conexões capazes de gerar negócios. A edição de 2026 mantém Lisboa no centro de uma conversa global sobre o futuro da tecnologia e o seu impacto nos diferentes setores da economia.

Mas a importância do Web Summit vai além da dimensão do evento ou da notoriedade dos seus participantes. O seu verdadeiro valor está na capacidade de aproximar mundos que, muitas vezes, evoluem separadamente: startups e grandes empresas, empreendedores e investidores, centros de investigação e mercados, ideias promissoras e oportunidades concretas de aplicação.

Lisboa no mapa mundial da inovação

A presença do Web Summit em Lisboa, desde 2016, contribuiu para reforçar a projeção internacional de Portugal como ponto de encontro do ecossistema tecnológico. Durante o evento, a cidade deixa de ser apenas um destino europeu para assumir um papel de plataforma de contato entre continentes, mercados e comunidades empresariais.

Os números ajudam a compreender essa dimensão. Na edição de 2025, o Web Summit reuniu mais de 71 mil participantes, provenientes de 157 países, além de 1.857 investidores e 2.725 startups.

Essa concentração de talento, capital e capacidade de decisão cria uma oportunidade importante para Lisboa e para Portugal. A cidade não recebe apenas visitantes: recebe conhecimento, potenciais investimentos, novas empresas e relações internacionais que podem prolongar-se muito para além dos dias do evento.

Naturalmente, organizar um encontro desta dimensão não transforma, por si só, uma cidade num centro de inovação. O desafio está em converter a visibilidade internacional em resultados duradouros: atrair empresas, estimular o investimento, aproximar universidades e negócios e criar condições para que projetos desenvolvidos em Portugal alcancem outros mercados.

É nessa capacidade de transformar encontros em relações produtivas que reside uma parte essencial do valor estratégico do Web Summit.

Dez participações, uma perspectiva em evolução

Este ano, participarei no Web Summit pela décima vez consecutiva. Ao longo destas edições, acompanhei a evolução de um ecossistema em que a tecnologia passou de ferramenta de suporte a elemento central da transformação dos negócios.

A minha trajetória profissional está profundamente ligada ao varejo. Ao longo de décadas, trabalhei com os desafios de empresas, mercados e consumidores, observando como estratégia, sortimento, operações e tecnologia se combinam para determinar a competitividade de um negócio.

Por isso, o Web Summit sempre foi, para mim, muito mais do que uma sucessão de apresentações sobre as novidades tecnológicas. É uma oportunidade de identificar tendências, avaliar a sua maturidade, conhecer empresas que estão a desenvolver novas soluções e compreender como essas tecnologias podem responder a problemas reais.

A experiência também ensina a distinguir novidade de valor. Nem toda a inovação anunciada se traduz em vantagem competitiva. O que interessa é perceber quais as soluções que resolvem problemas relevantes, produzem resultados mensuráveis e conseguem ser aplicadas em contextos empresariais concretos.

Essa perspectiva continuará a acompanhar-me nesta edição, mas com uma novidade pessoal.

Uma nova frente: tecnologia aplicada à saúde

Apesar da minha forte ligação ao varejo, este ano farei a minha estreia profissional no universo da tecnologia aplicada à saúde.

É uma mudança de foco que considero especialmente estimulante. A saúde vive um período de transformação em que Inteligência Artificial, simulação, ambientes imersivos, análise de dados e novas plataformas digitais abrem possibilidades importantes para a formação de profissionais, a organização dos serviços e a experiência dos pacientes.

Naturalmente, as necessidades, os modelos de negócio e os desafios regulatórios deste setor são diferentes dos que encontramos no varejo. Não se trata de transpor soluções de uma indústria para outra de forma automática, mas de identificar problemas concretos, compreender as particularidades de cada mercado e aproximar competências tecnológicas das necessidades de hospitais, instituições de ensino, profissionais e empresas.

É precisamente nessa interseção entre tecnologia, conhecimento setorial e desenvolvimento de negócios que vejo oportunidades relevantes.

O Web Summit oferece um ambiente privilegiado para essa exploração. A diversidade dos participantes permite encontrar empresas e especialistas com abordagens distintas, conhecer soluções emergentes e iniciar conversas que podem evoluir para projetos concretos.

Mais do que procurar a próxima grande tendência, o objetivo é identificar oportunidades em que a tecnologia possa gerar valor real — e construir as relações necessárias para as transformar em realidade.

Criar pontes entre a Europa e o Brasil

Há, contudo, um elemento que permanece constante na minha participação: a missão de criar pontes de negócios entre a Europa e o Brasil.

Aliás, o estande do Brasil é sempre destaque, não só pelo tamanho, sempre um dos maiores, mas pelo colorido, animação e diversidade de soluções. E a presença de brasileiros é gigante. Tanto dos vindos do Brasil especialmente para esta semana, quanto dos que moram por aqui. Somos, de longe, a maior comunidade não portuguesa do País.

Os dois mercados têm competências, empresas e oportunidades que podem se complementar. A Europa oferece um ecossistema diversificado de tecnologia, investigação e inovação; o Brasil apresenta dimensão de mercado, capacidade empreendedora e necessidades relevantes de transformação em diferentes setores.

Mas as oportunidades não se concretizam apenas porque existem tecnologias interessantes de um lado e potenciais clientes do outro. É necessário compreender os mercados, encontrar os interlocutores certos, adaptar as propostas de valor e construir relações de confiança.

É nesse trabalho de aproximação que pretendo continuar a concentrar esforços, tanto no varejo, área em que construí grande parte da minha experiência, quanto agora na tecnologia aplicada à saúde.

A internacionalização não deve ser entendida apenas como a procura de clientes noutro país. Pode significar também desenvolver parcerias, adaptar soluções, combinar competências e criar modelos de negócio capazes de crescer em diferentes geografias.

Para empresas brasileiras que procuram expandir-se na Europa, e para empresas europeias interessadas no mercado brasileiro, encontros como o Web Summit podem representar um primeiro passo importante — desde que a participação seja acompanhada por objetivos claros e por um trabalho consistente antes e depois do evento.

A inovação só ganha sentido quando gera impacto

Em cada edição do Web Summit, há novas tecnologias, novas promessas e novas ideias sobre o futuro. A Inteligência Artificial ocupa hoje um lugar central nessa discussão, mas o verdadeiro desafio já não é apenas descobrir o que a tecnologia consegue fazer. É perceber como integrá-la nos negócios, nas organizações e na vida das pessoas de forma útil, sustentável e responsável.

Essa questão é transversal às indústrias. No varejo, significa melhorar decisões, disponibilidade de produtos e experiência do consumidor. Na saúde, significa investigar como as soluções tecnológicas podem apoiar profissionais, instituições e processos, sempre respeitando as exigências específicas do setor.

É também uma questão de execução: transformar contatos em parcerias, demonstrações em projetos, projetos em resultados e inovação em valor económico e social.

Dez participações consecutivas no Web Summit representam, para mim, a continuidade de uma curiosidade profissional que não depende de uma única indústria. O varejo continuará a ser uma parte fundamental da minha identidade, mas a tecnologia abre oportunidades para aplicar experiência, visão de negócio e capacidade de articulação em novos contextos.

Em novembro, Lisboa voltará a ser um dos grandes pontos de encontro da inovação mundial. Estarei lá para acompanhar essa transformação, descobrir novas possibilidades e, sobretudo, aproximar pessoas, empresas e mercados.

Porque, no fim, a inovação não acontece apenas nos palcos nem se mede pelo número de tecnologias apresentadas. Acontece quando as ideias encontram os problemas certos, as competências certas e os parceiros capazes de as transformar em negócios.

E é exatamente aí que pretendo continuar a contribuir: criando pontes entre a Europa e o Brasil, agora também num novo território — o da tecnologia aplicada à saúde.

Imagem: Divulgação



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