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MBRF Pet quer buscar a liderança do mercado brasileiro

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Três anos depois de quase ser vendida para ajudar a arrumar o balanço da BRF, a divisão de pet food da companhia de Marcos Molina virou um ativo de expansão. O objetivo é a liderança no Brasil e uma participação cada vez maior no exterior.

“Ainda não somos o primeiro”, disse Stanley Andrade, diretor da MBRF Pet, em entrevista ao The AgriBiz. Mas o plano é chegar lá. De acordo com ele, a estratégia foi desenhada para “buscar a primeira posição nos próximos anos”.

A divisão chegou a ser colocada à venda em 2023, mas nunca deixou de ser estratégica, segundo o executivo. “Era um outro contexto de caixa e capitalização”, lembrou Andrade. Naquela época, um follow-on de R$ 5,4 bilhões tornou a venda desnecessária e devolveu à divisão a agenda de crescimento.

Atualmente, o mercado brasileiro de pet food é liderado pela GrandFood, que pertence ao empresário Flávio Maluf. Dona da marca PremieR, a fabricante de ração faturou cerca de US$ 800 milhões em 2025, segundo um ranking elaborado pela Petfood Industry.

No mesmo levantamento, a MBRF Pet aparece em segundo lugar. Andrade evita comentar os rankings, por se basearem em dados sem auditoria. De qualquer forma, ele reconhece que a empresa não é a maior do Brasil, mas diz que ela tem os elementos para crescer: marcas reconhecidas e presença em todo o território nacional.

“Produzimos mais de 3 bilhões de refeições para cães e gatos todo ano”, disse o executivo. A companhia chega a dezenas de milhares de pontos de venda no País e tem mais de 1,4 mil funcionários diretos.

A MBRF Pet é dona de algumas das marcas mais importantes dos segmentos premium e super premium, como GranPlus, Guabi Natural e Biofresh. A companhia também é dona da Balance, que é comercializada nos supermercados.

No Brasil, onde tem quatro fábricas, a MBRF Pet quer ampliar a participação nas categorias mais nobres, que costumam ser mais rentáveis. “Temos estratégia de crescer muito mais em valor agregado do que em volume”, afirmou. Segundo ele, a estratégia do negócio foi redesenhada nos últimos dois anos.

O executivo é econômico nos dados — a MBRF não abre os dados financeiros da divisão —, mas afirma que a participação dos produtos de maior valor agregado aumentou cinco pontos no volume total. Esse grupo inclui, sobretudo, as linhas super premium, como Biofresh e Guabi Natural.

Expansão internacional

Paralelamente ao mercado doméstico, a companhia vem ampliando a atuação internacional. Investiu R$ 13,6 milhões para ampliar em 165% a capacidade de armazenagem da fábrica no Paraguai. A unidade virou uma plataforma exportadora, que abastece inclusive o Brasil.

A MBRF Pet está presente em 20 países; há dois anos, eram 15. A meta é chegar a 26. As vendas no exterior já respondem por quase 20% do faturamento e cresceram 18% no acumulado do ano. Uruguai, Paraguai, Chile e Colômbia são os principais mercados.

O passo mais recente foi o início das exportações para os Estados Unidos, o maior mercado de pet food do mundo. Segundo a APPA (sigla em inglês para Associação Americana de Produtos para Pets), as vendas de alimentos e petiscos para gatos no país passaram de US$ 18 bilhões em 2025.

O que atraiu a empresa foi o perfil do consumo. Pelas pesquisas da MBRF Pet, 51% do consumo americano é de rações super premium, contra menos de 10% no Brasil. A entrada começa pela fábrica de úmidos de Bastos (SP), e a planta de rações secas do Paraguai também já está habilitada.

“Neste momento, estamos buscando parceiros para entrar e entender o mercado. Temos convicção de que podemos jogar com diversas marcas em super premium”, respondeu Andrade, quando perguntado sobre quais marcas usaria para crescer nos EUA.

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