A RD Saúde (RADL3), dona das redes Raia e Drogasil, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com receita bruta de R$ 13,2 bilhões, crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado divulgado ao mercado na noite desta terça-feira, 3, foi favorecido pela expansão da rede, pelo aumento das vendas nas lojas existentes e pelo avanço dos canais digitais, que movimentaram R$ 3,8 bilhões, alta de 27,2% na comparação anual.
O lucro líquido ajustado somou R$ 439,1 milhões, crescimento de 9,2% ante o terceiro trimestre de 2025. A margem líquida ajustada, porém, recuou de 3,5% para 3,3%. Já o Ebitda ajustado atingiu R$ 1,024 bilhão, alta de 14,7%, com margem de 7,8%, redução de 0,1 ponto porcentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
Pelo critério contábil, sem ajustes, o lucro líquido foi de R$ 426,9 milhões, queda de 10,3% em relação aos R$ 476,1 milhões registrados um ano antes. A diferença entre os indicadores reflete, entre outros fatores, os efeitos de operações descontinuadas e resultados não recorrentes relacionados à 4Bio, vendida pela companhia.
Desconsiderando os efeitos da 4Bio nos dois períodos, o lucro ajustado da RD Saúde cresceu 20,1%, com expansão de 0,1 ponto porcentual na margem líquida, segundo a empresa.
Canais digitais ampliam participação nas vendas
As vendas realizadas por aplicativos, site e outros canais digitais passaram de R$ 3 bilhões para R$ 3,8 bilhões em um ano, um incremento de aproximadamente R$ 820 milhões.
Com isso, a participação do digital nas vendas do varejo avançou de 26,7%, no terceiro trimestre de 2025, para 29,4% no mesmo período de 2026, crescimento de 2,7 pontos porcentuais.
Apesar do avanço anual, houve redução de 1,6 ponto porcentual na participação digital em relação ao segundo trimestre deste ano, quando o indicador havia alcançado 31%.
Segundo a companhia, o recuo sequencial ocorreu após uma mudança na política comercial dos medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade. Os descontos antes exclusivos dos canais digitais passaram a ser oferecidos também nas farmácias físicas.
Com a alteração, a participação das lojas físicas nas vendas desses medicamentos avançou de 25% no segundo trimestre para 40% em outubro. Nas demais categorias, os canais digitais continuaram ganhando participação.
Os aplicativos permanecem como principal canal digital da RD Saúde. No terceiro trimestre, responderam por 83% das vendas digitais, com crescimento de 30% em relação ao ano anterior.
A estratégia omnicanal é sustentada pela capilaridade da rede física. De acordo com a empresa, 96% das compras digitais são entregues ou retiradas em até 60 minutos.
Nos últimos 12 meses, os aplicativos e o site da companhia registraram mais de 1 bilhão de acessos. A RD Saúde também informou que clientes assíduos que utilizam canais digitais gastam, em média, 30% mais do que a média dos clientes assíduos.
Expansão da rede sustenta crescimento
A RD Saúde encerrou setembro com 3.770 farmácias em operação, ante 3.453 unidades um ano antes. Foram 92 inaugurações e nove encerramentos no terceiro trimestre, resultando em 83 novas unidades líquidas.
Nos últimos 12 meses, a companhia inaugurou 333 farmácias e manteve sua projeção de abrir entre 330 e 350 unidades brutas em 2026.
A rede está presente em 697 municípios brasileiros, 44 a mais do que no terceiro trimestre de 2025. Do total de unidades, 25,2% ainda estão em fase de maturação, período em que não alcançaram todo o potencial esperado de receita e rentabilidade.
A companhia também ampliou sua participação no mercado farmacêutico nacional, passando de 18% para 19,1%, ganho de 1,1 ponto porcentual em um ano, segundo dados da IQVIA apresentados no balanço.
O avanço ocorreu em todas as regiões do País. Em São Paulo, principal mercado da empresa, a participação chegou a 33%, enquanto no Centro-Oeste atingiu 24,8%.
O desempenho das lojas existentes também contribuiu para o crescimento. As vendas nas mesmas lojas avançaram 10,1%, enquanto as unidades maduras, com mais de três anos de operação, registraram alta de 8,4%.
Esse crescimento ficou 5,6 pontos porcentuais acima do reajuste anual de 2,8% dos medicamentos autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Medicamentos GLP-1 sustentam vendas, mas pressionam rentabilidade
Os medicamentos da classe GLP-1 permaneceram entre os fatores de crescimento das vendas da RD Saúde, representando aproximadamente 12% do faturamento no trimestre.
A companhia destaca que o lançamento de novos medicamentos à base de semaglutida contribuiu para ampliar a acessibilidade desses tratamentos. O aumento do volume vendido compensou a redução dos preços médios, preservando a receita da categoria.
Apesar disso, a RD Saúde aponta limitações no abastecimento desses novos produtos pela indústria farmacêutica.
A maior participação dos medicamentos GLP-1 nas vendas também exerce pressão sobre a margem bruta, assim como o crescimento dos canais digitais.
Esses efeitos foram compensados por ganhos comerciais e redução de perdas de estoque. Com isso, a margem bruta alcançou 28,8%, ligeiramente acima dos 28,7% registrados no terceiro trimestre de 2025.
No período, as vendas de medicamentos de marca cresceram 19,8%, enquanto os genéricos avançaram 11,7%. A categoria de perfumaria registrou alta de 13,4%, e a de medicamentos isentos de prescrição (OTC), de 10,8%.
Stix e serviços farmacêuticos ampliam atuação
A RD Saúde também avançou na estratégia de fidelização e serviços. Em julho, adquiriu do GPA os 67% restantes do capital da Stix, passando a deter a totalidade da plataforma de benefícios.
O ecossistema reúne mais de 9 mil pontos de venda de marcas como Raia, Drogasil, Pão de Açúcar, Extra, Shell e Petlove, além de parceiros financeiros como Itaú e Livelo.
A Stix encerrou o período com 15,6 milhões de clientes ativos, crescimento de 26% em relação ao ano anterior. Desse total, 6,8 milhões utilizaram serviços de dois ou mais parceiros.
A incorporação da plataforma contribuiu com 0,4 ponto porcentual para o crescimento da receita bruta da RD Saúde no trimestre e adicionou 0,1 ponto porcentual à margem Ebitda ajustada.
Na frente de serviços farmacêuticos, a companhia contabilizou 3,2 mil unidades com salas Mais Saúde e 462 farmácias com salas de vacinação.
Durante o terceiro trimestre, foram realizados mais de 2,2 milhões de atendimentos farmacêuticos, incluindo exames de análises clínicas, vacinação e outros serviços.
Dívida recua, mas geração de caixa perde força
A dívida líquida ajustada da RD Saúde encerrou setembro em R$ 2,943 bilhões, queda de 15,4% em relação aos R$ 3,477 bilhões registrados um ano antes.
A alavancagem financeira ficou em 0,8 vez o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, ante 1,1 vez no terceiro trimestre de 2025.
Segundo a companhia, parte da redução da alavancagem decorreu da geração de caixa operacional, enquanto outra parcela está relacionada à venda da 4Bio.
O endividamento bruto somou R$ 3,506 bilhões, dos quais 88% estão concentrados no longo prazo. A posição de caixa e equivalentes encerrou o trimestre em R$ 504 milhões.
Apesar da melhora na alavancagem, a geração de caixa foi menor do que a registrada um ano antes.
Imagem: Divulgação





