A Bayer está dando um gás na área de biológicos. A multinacional de origem alemã prevê lançar oito produtos no Brasil até 2030, como parte de um pacote de 17 lançamentos na América Latina.
Serão quatro produtos de biocontrole e quatro voltados a melhorar o desempenho produtivo das plantas. O primeiro, inclusive, chegou ao mercado neste ano, de olho na safra de soja 2026/27.
Trata-se do Curvet, que visa melhorar a absorção de nitrogênio e de fósforo já presentes no solo. O produto é aplicado na planta, que responde com a liberação de alguns compostos naturais que atraem microrganismos no solo. Esses microrganismos, por sua vez, aumentam a fixação de nitrogênio e ajudam na solubilização do fósforo.
“A gente está ‘recrutando’ esse microrganismo que já está lá no solo. É uma forma muito única e inovadora de trabalhar o sistema produtivo, visando à produtividade, que é ao que a agricultura regenerativa se propõe”, explica Antônio Soares, head de Biológicos da Bayer para a América Latina, ao The AgriBiz.
Testes feitos em oito estados ao longo de quatro safras no Brasil mostraram um aumento médio de três sacas por hectare na soja ao utilizar o produto. Os experimentos foram feitos pela Bayer e pela Sound Agriculture, empresa americana investida pela multinacional e co-desenvolvedora do produto, acompanhadas por consultorias de referência.
Antes de lançar o Curvet no País, a Bayer vendia no Brasil três bioinsumos: o fertilizante organomineral Bayfolan — que associa nitrogênio, aminoácidos e sulfato de cobre —, o bionematicida Vinemco e o fungicida microbiológico Serenade.
Daqui para frente, o plano é expandir ainda mais esse portfólio e torná-lo mais claro para o produtor rural. Para reformular o branding dessa categoria, a Bayer separou a vertical dedicada aos produtos biológicos — inclusive com uma marca separada, a Biológicos Bayer.
“É para levar mais clareza ao agricultor. Para que numa feira, numa peça de comunicação, por exemplo, ele possa olhar e identificar ‘essa é uma solução biológica’ ou ‘essa é uma solução tradicional”, explica Luis Offa, vice-presidente sênior de Proteção de Cultivos e Biológicos para a América Latina.
Os executivos não abrem expectativas sobre crescimento e faturamento com esse esforço direcionado na América Latina. Globalmente, Bob Reiter, chefe da divisão de Crop Science da Bayer, mencionou em 2024 uma expectativa que as vendas totais de produtos biológicos passassem de 1,5 bilhão de euros até 2035.
Questionada a respeito da cifra, a multinacional disse que as estimativas estavam ligadas a projeções feitas na época do anúncio, mas não divulgou qual é a meta atualizada para o setor.
A rota da inovação no Brasil
Existe uma miríade de oportunidades a serem aproveitadas, ressalta Soares. “Uma colher de sopa de solo tem 15 bilhões de células de microrganismos, sendo que hoje, todos os produtos registrados no Brasil somam 1 mil mapeados”, diz.
Para identificar o potencial desse universo a ser explorado, a Bayer foca em três estratégias: licenciamento de produtos já comerciais, codesenvolvimento e descoberta de novos microrganismos com parceiros estratégicos.
No Brasil, esse trabalho de descoberta é feito em parceria com a Ideelab, startup de Piracicaba (SP) fundada há oito anos que une cientistas focados em biotecnologia para o desenvolvimento de novos produtos em parceria com empresas. Funciona, em certa medida, como uma extensão dos laboratórios de P&D de grandes empresas.
“Ao longo do tempo, fomos prospectando microrganismos e moléculas na biodiversidade brasileira e, com isso, criamos um banco de microrganismos. Hoje, de tantos dados que temos, a gente consegue usar IA para nos ajudar a decidir”, conta Ronaldo José Durigan Dalio, fundador da Ideelab.
Quando uma empresa como a Bayer procura a startup, os cientistas recorrem à base de dados para procurar quais são os microrganismos candidatos a atender aquela determinada demanda. Depois da triagem, os produtos foram passados, nesse caso, para a Bayer, que testa em conjunto com a Ideelab o desempenho dos microrganismos.
“A gente trabalha para que eles se transformem em tecnologias mega eficientes e que sejam exclusivamente feitos com microrganismos brasileiros, do ambiente tropical e da América Latina”, completa Dalio.





