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Raízen busca sócio para combustíveis, diz Bloomberg

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A Raízen vai colocar à venda uma parte de seu negócio de distribuição de combustíveis, que permanecerá com a bandeira Shell, segundo reportagem publicada pela Bloomberg nesta quinta-feira. O anúncio oficial deve ocorrer nesta sexta-feira, após a assembleia de acionistas, que devem deliberar sobre o tema.

A separação dos negócios da Raízen e a proposta de procurar um sócio para a divisão de combustíveis, a mais lucrativa da companhia, já estava prevista no plano de recuperação extrajudicial da empresa, podendo incluir a venda do controle (ou até da totalidade) das ações dessa unidade.

Segundo a matéria da Bloomberg, a venda de qualquer participação no negócio de distribuição só deverá ocorrer após a conversão de dívidas em uma participação de 80% da nova empresa.

A Shell ficará com uma participação inferior a 20% da empresa de distribuição após a conversão de dívida em ações e ganhará direitos sobre o uso de sua marca nos postos de combustíveis, também de acordo com fontes consultadas pela agência.

A reestruturação da Raízen também inclui uma cláusula de “poison pill”. Ela prevê que qualquer acionista com uma participação superior a 25% na empresa de combustíveis seja obrigado a fazer uma oferta pública para adquirir todas as ações restantes.

O atual diretor financeiro da Raízen, Lorival Luz, deve ser nomeado presidente da empresa de distribuição de combustíveis. Sam Aguirre, diretor da FTI Consulting, que assessorou bancos na reestruturação da dívida da Raízen, será nomeado presidente do conselho de administração da unidade de combustíveis, segundo a Bloomberg.

O negócio de açúcar e etanol será comandada por Geovane Consul, VP da Raízen Energia. O acordo de acionistas da empresa de açúcar e etanol também terá uma cláusula de “poison pill”, mas para quem atingir o teto de 20% de participação.

A separação dos negócios da Raízen e a conversão de dívida em ações da empresa de distribuição havia sido proposta meses atrás, durante as negociações da companhia com os credores para a aprovação do plano de recuperação extrajudicial.

A ideia foi, inclusive, levantada pelo BTG Pactual, mas acabou não emplacando por resistência da Shell, que impôs como condição discutir a cisão após a capitalização da Raízen prevista no plano.

Fim do passivo tributário

A notícia sobre a cisão dos negócios e a busca de um novo sócio vem um dia depois de a Raízen fechar um acordo histórico com a Procuradoria-Geral da Fazenda para encerrar o seu passivo tributário com a União, um calcanhar de Aquiles em meio à reestruturação.

Pelos termos anunciados, será um desconto de 85% no valor dos débitos. A conclusão das negociações era uma condição fundamental para o andamento do plano de recuperação extrajudicial da companhia.

As ações da Raízen caíram 9,7% na B3 nesta quinta-feira, cotadas a R$ 0,28. A companhia está avaliada em R$ 3,2 bilhões na Bolsa.



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