Mesmo com o recente rali do dólar, o que favorece a receita do produtor em moeda local, o clima é de pessimismo geral no campo, segundo uma pesquisa realizada pela Grão Direto junto aos agricultores cadastrados em sua plataforma de inteligência de mercado de grãos, a Grainsights.
Há exatamente uma semana, dois dias após o resultado da eleição presidencial, 323 produtores de 14 estados responderam cinco perguntas em relação ao futuro. Para 84%, o crédito ficará ainda mais caro em 2027.
O número é muito próximo ao percentual dos agricultores que disseram não estar mais dispostos a realizar investimentos em comparação com 2026 (83%). Ao serem questionados se 2027 será um ano melhor do que o atual, 74% responderam não.

O pessimismo generalizado atinge mais da metade dos respondentes: 61% disseram ao mesmo tempo que não vão investir, que 2027 não será melhor e que o crédito vai encarecer. Os otimistas plenos, que responderam que pretendem investir mais e que o próximo ano será melhor, somam apenas 5%.
As reações ao dólar
A pesquisa também abordou os efeitos do câmbio sobre a tomada de decisão. Quase 80% dos produtores disseram que a sua estratégia de comercialização muda diante das perspectivas para a taxa de câmbio. Na semana passada, o dólar comercial acumulou uma alta expressiva de 9%, cotado a R$ 5,44 no fechamento da última sexta (30).
A taxa de câmbio também deve influenciar as decisões sobre o plantio do milho safrinha para 60% dos respondentes. Ao mesmo tempo que a alta da moeda norte-americana tende a favorecer a receita, ela pode encarecer os insumos, como fertilizantes, sementes e defensivos, também dolarizados.
Segundo Ruan Sene, líder de inteligência de mercado da Grão Direto, o desânimo do produtor refletiu no ritmo dos negócios na semana passada, mesmo em meio à alta do dólar. Para ele, o baixo volume de negócios reflete a cautela dos agricultores em relação ao desenvolvimento da safra em um ano de El Niño forte.
“O produtor já vendeu boa parte da soja que poderia vender até que ele tenha uma certeza maior do que vai acontecer na safra 2026/27”, afirmou ao The AgriBiz. Muitos aproveitaram a alta dos últimos meses para comercializar antecipadamente parte da produção.
Mato Grosso, os sojicultores venderam 43,7% da produção prevista para a safra 2026/27 até o final de setembro, bem acima do registrado no mesmo período do ano passado (31,4%) e da média dos últimos cinco anos (33,2%), de acordo com dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada). Em
Já a comercialização antecipada de milho safrinha, um indicador do ritmo de compra dos insumos para o plantio no início do ano que vem, está em linha com o ano passado e a média de cinco anos, em torno de 19%, segundo o Imea.
Humor por estado
Entre os estados, o Pará se destacou como o estado mais pessimista: todos os participantes da pesquisa disseram que 2027 será pior do que 2026. Os maranhenses, por sua vez, são os mais otimistas, com 28% acreditando em um ano mais próspero — embora a maioria (56%) afirmem que o ano que vem será pior do que 2026.
No principal estado produtor, Mato Grosso, 70% apostam em um ano pior e 13% em um 2027 melhor. O estado teve a maior representatividade nas respostas, sendo responsável por 28% do total, seguido por Rio Grande do Sul (12%), Paraná (12%), Goiás (8%) e Mato Grosso do Sul (6,5%).





