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Raízen consegue desconto de R$ 8,5 bi para quitar dívida tributária

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A Raízen desatou mais um importante nó para avançar em seu bilionário plano de recuperação extrajudicial: dívidas de impostos.

A empresa anunciou nesta quarta-feira um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que concedeu R$ 8,5 bilhões em descontos para a companhia encerrar uma dívida de R$ 16,7 bilhões. O saldo remanescente, de R$ 8,2 bilhões, será pago por meio da compensação de R$ 5,7 bilhões em prejuízos fiscais e com um pagamento à vista de R$ 2,5 bilhões.

No acordo, entraram ainda R$ 5,7 bilhões em débitos tributários “de responsabilidade final de seus acionistas controladores” — somado aos R$ 16,7 bilhões, esse montante totaliza o passivo de R$ 22,4 bilhões da empresa com a União.

A Raízen não explicou, no entanto, como esse montante será quitado. Os controladores da Raízen são a Cosan, de Rubens Ometto, e a Shell, cada uma com 44% do capital total e 50% das ações com direito a voto.

Em fato relevante, a Raízen disse que a transação representa uma etapa relevante para a implementação de seu plano de recuperação extrajudicial, por ser uma das condições precedentes à sua reestruturação financeira.

Na próxima sexta-feira (30), os acionistas devem se reunir em assembleia extraordinária para deliberar sobre as próximas etapas de seu plano de recuperação.

Histórico

A empresa protocolou em março um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bilhões, com apoio inicial de credores detentores de mais de 47% das dívidas financeiras abrangidas.

Em seguida, a Justiça deferiu o pedido, com suspensão por 180 dias da exigibilidade de principal, juros e encargos.

Em maio, a Raízen divulgou os termos da negociação, incluindo um aporte liderado pela Shell, posteriormente estimado em R$ 3,5 bilhões, conversão de parte da dívida em ações e separação dos negócios de energia e combustíveis.

Em julho, a Justiça homologou o plano com 81,6% de adesão em créditos abrangidos, reestimados à época em R$ 61,4 bilhões.

Em paralelo, a empresa também vem realizando desinvestimentos para reduzir o endividamento, como a venda da usina Caarapó para a Adecoagro, em julho, por R$ 760 milhões.

*

A Raízen está avaliada a R$ 3,41 bilhões. Nos últimos 12 meses, a ação (RAIZ4) da empresa acumula queda de 66,67%.



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