Ler o resumo da matéria
O cenário de crédito no Brasil em 2027 será desafiador, com juros altos e famílias endividadas, mas a Creditas vê oportunidades no mercado de empréstimos com garantia, especialmente de imóveis e veículos. O CEO Sergio Furio acredita que a desaceleração do crédito pode aumentar a demanda por financiamentos com taxas menores e prazos mais longos.
A fintech projeta um crescimento de 25% na carteira e na receita, considerando as condições econômicas. Apesar de um crescimento menor em 2027 em comparação ao terceiro trimestre de 2023, a Creditas espera que a inadimplência não resulte em perdas financeiras significativas, devido às garantias reais. A empresa também busca melhorar a eficiência operacional, com a expectativa de um resultado operacional positivo em 2027, impulsionado pelo uso de inteligência artificial.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O cenário de crédito no Brasil deve ficar mais desafiador em 2027, com juros elevados, famílias pressionadas pelo endividamento e pouco espaço para expansão das concessões.
Para a Creditas, porém, esse quadro é como uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que aumenta o risco de inadimplência, pode abrir uma oportunidade para ampliar sua participação no mercado de empréstimos com garantia, especialmente de imóveis e veículos – segmento que é o carro-chefe da fintech.
“É um ano para estar atento”, diz Sergio Furio, fundador e CEO da Creditas, ao NeoFeed. Na avaliação do empreendedor, a desaceleração do crédito tende a tornar mais evidente a demanda por alternativas de financiamento com taxas menores e prazos mais longos. “O tamanho da oportunidade fica mais claro para nós”, afirma.
Furio projeta que o crescimento do crédito no país pode ficar próximo de zero no próximo ano, com alguns segmentos registrando expansão abaixo da inflação.
Sua avaliação é que, diante do conservadorismo dos bancos, parte dos clientes pode trocar dívidas caras e de curto prazo por financiamentos garantidos por um imóvel ou veículo, com custos menores e prazos mais longos, que é justamente a área de atuação da Creditas.
“Cerca de 70% das famílias que tem um imóvel ou um veículo que não está usando esse bem como garantia para a operação de crédito, o que permitiria alongar os processos de pagamento e reduzir a taxa de juros [do empréstimo]”, diz o CEO.
Para 2027, a companhia projeta um crescimento próximo de 25% tanto na carteira quanto na receita — um ritmo que Furio já considera acelerado diante das condições macroeconômicas mais desafiadoras.
“O número de 25% é bom o suficiente. Nos permite ganhar market share e crescer de forma sustentável. Não queremos exagerar no crescimento sendo que a Selic está em patamares elevados”, afirma ele.
Ainda assim, a Creditas deve ter um ritmo de crescimento menor ao longo do próximo ano em comparação aos números registrados no terceiro trimestre de 2026.
No período, a carteira de crédito somou R$ 8,5 bilhões, alta de 26,8% em 12 meses. Já a receita avançou 34,9%, para R$ 728,3 milhões, na mesma comparação, enquanto as despesas operacionais somaram R$ 304,6 milhões no trimestre, alta de 5,8% em um ano.
O grande desafio para 2027 será a inadimplência. “Esperamos uma deterioração na qualidade do crédito para o próximo ano”, afirma Furio.
Ainda assim, a expectativa é que a inadimplência não se traduza automaticamente em perdas financeiras para a Creditas – boa parte de suas operações têm uma garantia real. Nos cálculos do executivo, o sinal de alerta viria não apenas do atraso nos pagamentos, mas do impacto que eles podem ter sobre a margem bruta.
Neste trimestre, houve uma pressão nas margens que Furio classifica como um efeito contábil pontual: a margem bruta recuou de 37,6% para 34,6%. Parte da redução, segundo a fintech, reflete efeitos como a menor contribuição da inflação para a correção dos contratos e a antecipação de provisões de crédito durante a expansão da carteira.
“Com a aceleração que fizemos durante 2026, e que também esperamos para 2027, cria-se um pouco de compressão temporária na margem bruta. Retirado esse processo contábil, a margem ficaria acima de 40%”, diz o CEO.
O prejuízo operacional da Creditas foi de R$ 53 milhões no terceiro trimestre, contra R$ 81,8 milhões um ano antes, redução de 35,2%. A Creditas atingiu o breakeven operacional em dezembro de 2023, mas tem usado caixa para reinvestir no crescimento do negócio.
Segundo Furio, uma visão orientada ao lucro líquido “não é a forma como a empresa gerencia seus resultados”, mas é possível que o indicador já apareça no azul em 2027.
“No próximo ano vai começar a aparecer um resultado operacional positivo. Vamos continuar com essa tendência de aumento de receita e redução de despesas que é traduzida para a última linha do balanço.”
O CEO atribui os ganhos de eficiência também ao uso de inteligência artificial no relacionamento com clientes e back-office. A fintech calcula que a receita anualizada por colaborador chegou a R$ 1,9 milhão no terceiro trimestre, ante R$ 1,7 milhão no trimestre anterior, alta de 68%. A estratégia foi implementada no início de 2025, quando a receita por funcionário ainda estava na casa de R$ 1 milhão.





