O veganismo ganha espaço entre os consumidores brasileiros e amplia as oportunidades de negócios em setores como alimentação, moda e acessórios. Pesquisa Datafolha divulgada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) revela que 7% dos brasileiros se consideram veganos e 22% já tentaram parar de consumir carne.
O levantamento, realizado com 2.006 pessoas em 2025, também mostra que 74% concordam com a possibilidade de abandonar o consumo de carne por questões de saúde. No Dia Mundial do Veganismo, celebrado em 1º de novembro, empreendedoras de Brasília (DF) e São Paulo (SP) mostram como a filosofia de vida pode se transformar em oportunidade de negócio.
A preocupação com a saúde, o meio ambiente e o bem-estar animal acompanha mudanças no comportamento de consumo. Segundo a mesma pesquisa, 43% dos entrevistados consideram questões ambientais e 42% a causa animal ao avaliar a possibilidade de deixar de consumir carne.
Para a gestora nacional de Alimentos e Bebidas do Sebrae, Ana Canêdo, esse movimento exige adaptação dos estabelecimentos. “Nos últimos anos, temos observado um grande crescimento entre os consumidores que optam por uma alimentação vegetariana ou vegana”, afirma. Segundo ela, a diversificação dos cardápios também alcança restaurantes tradicionais. “É preciso entender o perfil desses novos consumidores e estar preparado para atender essa demanda.”
Em Brasília, o restaurante Faz Bem – Comida Vegana acompanha essas transformações desde 2014. O empreendimento começou como hortifrúti, passou pelo formato de hamburgueria e se consolidou como restaurante. Atualmente, é administrado por três sócios, entre eles, Larissa Neves, responsável pela gestão financeira.
Ela conta que a maioria dos clientes não segue necessariamente o veganismo, mas busca uma alimentação saudável e ingredientes de qualidade. “A comida vegana deixou de ser uma escolha exclusiva de quem segue o veganismo. Existe um público muito mais amplo, de pessoas que querem experimentar coisas novas, comer melhor e incluir outras possibilidades na rotina”, destaca.
Para ampliar o alcance do negócio, o Faz Bem investiu em cardápios temáticos, um empório de produtos veganos e uma linha de refeições congeladas, com entregas programadas em todo o Distrito Federal. A diversificação ajuda a alcançar consumidores que buscam praticidade, mas os desafios financeiros permanecem. “O cenário econômico dos últimos anos tem sido muito complicado para as pequenas empresas, e nossa maior preocupação hoje é conseguir manter o negócio saudável e funcionando”, reconhece Larissa.
Durante a pandemia e no período posterior, o restaurante contou com capacitações do Sebrae em gestão financeira, controle de custos e organização empresarial. “Nos ajudou a ter mais clareza sobre a empresa e a encontrar ferramentas para enfrentar um momento tão desafiador”, afirma.
Moda vegana conquista espaço
Em São Paulo, a empreendedora Natália Pires encontrou na moda uma oportunidade de unir empreendedorismo e respeito aos animais. Fundadora da Maduu, marca de bolsas e acessórios veganos que completa 14 anos em 2026, ela começou a produzir bolsas de tecido como alternativa ao couro. Atualmente, utiliza materiais sintéticos de fornecedores nacionais, priorizando durabilidade, boas práticas produtivas e sustentabilidade.
“A gente entrega a estética sem perder a ética”, resume. Segundo Natália, a estratégia de destacar o design e a funcionalidade dos produtos permite alcançar consumidores que não necessariamente são veganos. A Maduu também registra avanços na estrutura comercial. Em 2024, concluiu uma rodada de investimento coletivo com 44 investidores, destinando os recursos ao marketing e à ampliação da equipe.
Neste ano, inaugurou sua primeira loja física, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, após anos de atuação no comércio eletrônico. Agora, a empresária pretende fortalecer as vendas online, explorar o atacado e alcançar novos mercados.
Gosto que a descoberta de que o produto é vegano venha como uma segunda parte da conversa, depois que a pessoa já se encantou pelo design. Acredito que essa é a melhor forma de crescer, tanto como marca quanto como movimento.
Natália Pires, fundadora da Maduu
O Sebrae também acompanha a trajetória da Maduu. Natália participou de cursos de finanças, gestão e marketing, além de iniciativas de aceleração do varejo. Atualmente, integra o programa Crie Moda Autoral, no qual estuda possibilidades de internacionalização da marca. “O Sebrae foi muito importante na minha trajetória. Como fiz faculdade de design, ao me ver como empresária percebi que precisava de outras habilidades”, conta.
Para apoiar negócios dos setores de alimentação e de serviços, o Sebrae oferece orientações sobre formação de preços, gestão empresarial e atendimento ao consumidor. Entre as iniciativas está o Prepara Gastronomia, consultoria voltada aos estabelecimentos de alimentação fora do lar, que contempla diferentes áreas da gestão.
Segundo Ana Canêdo, acompanhar as transformações nos hábitos de consumo é fundamental para ampliar a competitividade dos empreendimentos. “Os estabelecimentos precisam estar atentos a essas necessidades dos consumidores”, conclui.
Serviço | Como se preparar para atuar no mercado vegano
O Sebrae oferece orientações e soluções para quem deseja abrir ou aprimorar um negócio. Entre os pontos que merecem atenção estão:
- Pesquisa de mercado: identificar o público consumidor e avaliar a demanda por produtos veganos na região.
- Planejamento financeiro: calcular custos, margens de lucro e preços competitivos.
- Diferenciação: investir em qualidade, sabor, apresentação e experiência de consumo.
- Comunicação: apresentar com clareza os atributos dos produtos e evitar alegações sem comprovação.
- Gestão e capacitação: buscar cursos, consultorias e orientações para melhorar a competitividade.
Para pesquisar conteúdos e capacitações ou se inscrever em cursos sobre esses temas, é só entrar em contato pelo Portal Sebrae ( www.sebrae.com.br) ou pelo canal de atendimento 0800 570 0800.





