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O que os institutos precisam aprender com a vitória de Lula, segundo o dono da Paraná Pesquisas

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A vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições, com uma diferença de 4,4 milhões de votos, evidenciou a dificuldade dos institutos de pesquisa em captar os últimos movimentos do eleitorado.

Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, destacou que as pesquisas não conseguiram prever a queda na abstenção, que passou de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, resultando em 2,9 milhões de eleitores que decidiram votar.

Ele ressaltou a importância de entender melhor a abstenção e a migração de votos, já que muitos eleitores que não escolheram nenhum dos dois candidatos no primeiro turno optaram por Lula.

Para aprimorar a precisão das pesquisas, Hidalgo planeja divulgar a última pesquisa no domingo às 14h nas próximas eleições, buscando captar o sentimento real do eleitor.

Ele também atribuiu a mudança no cenário eleitoral à mobilização da esquerda e às promessas de Lula, que motivaram os eleitores a comparecerem às urnas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no domingo, 25 de outubro, com 4,4 milhões de votos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL), após ter perdido no primeiro turno, trouxe um debate importante sobre a dificuldade dos institutos de pesquisa em captar os últimos movimentos do eleitor brasileiro.

Na véspera da eleição, a maior parte das pesquisas cravou vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, ainda que sob cenário de empate técnico. O resultado final foi 51,79% para Lula (64,2 milhões de votos), contra 48,21% de Flávio (59,8 milhões de votos).

Na visão de Murilo Hidalgo, presidente do Instituto Paraná Pesquisas, é necessário reavaliar a forma de aferição da chamada “onda final”, que normalmente surge nas últimas 48 horas.

Isso passa em entender melhor o fenômeno da abstenção. Para ele, os institutos não sabem identificar o percentual de eleitores que irão deixar de comparecer às urnas. Este ponto, na visão dele, foi fundamental para o erro de avaliação das pesquisas.

No primeiro turno, o Brasil registrou 21,08% de abstenções, o maior índice desde 1989. No segundo turno, esse número caiu para 19,22%. Na prática, 2,9 milhões mudaram de ideia e decidiram ir às urnas no segundo turno. É o menor resultado na segunda etapa desde 2006.

Os votos brancos e nulos também diminuíram, indo de 5,98 milhões, no dia 4 de outubro, para 4,15 milhões no dia 25, uma queda de 1,83 milhão de votos.

Para chegar à vitória, Lula conquistou 10,3 milhões votos a mais no segundo turno, contra apenas 3,7 milhões extras que Flávio conquistou. De cada 10 votos a mais nas urnas na segunda etapa, sete foram para o petista

“O que fez mudar o cenário foi a abstenção, que as pesquisas realmente não conseguiram captar. E essa diminuição veio junto com aumento da onda pró-Lula”, diz Hidalgo, em entrevista ao NeoFeed.

Ele complementa: “Normalmente, a abstenção cresce. Mas não conseguimos perceber isso porque as pessoas não disseram que iriam votar agora. As empresas de pesquisas precisam aprimorar essa questão. É algo a ser estudado daqui para a frente, e hoje ainda não tenho uma resposta do caminho.”

Na sexta-feira anterior ao primeiro turno, o cientista político Antonio Lavareda revelou ao NeoFeed que a tendência de uma abstenção alta poderia favorecer Flávio e fazer com que ele chegasse à liderança na primeira etapa, o que acabou se confirmando.

O presidente da Paraná Pesquisas diz que o resultado no domingo mostra outra situação que não havia sido notada, que é a migração para Lula de boa parte dos eleitores que não escolheram nem Lula nem Flávio no dia 4 de outubro.

A perspectiva inicial era de que a maior parte dos eleitores que escolheram Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zero (Novo) iriam migrar para o candidato do PL. Mas não foi isso que aconteceu. “Havia essa expectativa de ir para o Flávio, que também não foi possível detectar.”

Ainda que sem uma definição clara do que deverá ser mudado em termos de critérios nos questionamentos das pesquisas para conseguir aferir com mais precisão a real vontade do eleitor brasileiro, Hidalgo já tem em mente em retardar ao máximo a divulgação do último levantamento.

“Na próxima eleição [para prefeituras, em 2028], a Paraná Pesquisas vai divulgar a última pesquisa no próprio domingo, por volta de 14 horas. Essa é a possibilidade real de pegar o sentimento do eleitor e o que de fato ele vai fazer”, afirma o presidente do instituto.

Mesmo que a maior parte das empresas de pesquisas divulguem seus últimos levantamentos no sábado à tarde, não há impedimento legal para que os números sejam divulgados no próprio domingo.

A lei 9.504/1997, que trata das eleições, permite que as intenções de voto se tornem públicos mesmo enquanto as urnas ainda estiverem abertas. Mas, para isso, é necessário que as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sejam cumpridas, como o registro da pesquisa cinco dias antes da divulgação.

Hidalgo entende que a mudança de curso do eleitor entre os dois turnos foi motivada por um aumento expressivo da mobilização da esquerda, especialmente do chamado “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que chegou perto de 11 milhões de pessoas e que foi liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

Outra questão que fez enorme diferença, na visão dele, foi o “pacote de bondades” de Lula próximo da eleição, especialmente o fim da escala 6×1, a antecipação do pagamento do Bolsa-Família, a perdão de dívidas do microempreendedor individual (MEI), entre outros.

“O eleitor foi muito motivado pelas garantias oferecidas que ele não tinha até então, como a redução da jornada sem diminuição de salário, e o que o Lula proporcionou. Isso fez muita diferença na decisão de quem foi às urnas”, diz Hidalgo.



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