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“Existe um exagero no discurso de crise de crédito”, diz Daniel Pegorini, da Valora

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O mercado de crédito vive um aumento no número de recuperações judiciais e extrajudiciais, mas isso não significa, necessariamente, uma crise sistêmica. Essa é a avaliação de Daniel Pegorini, fundador e CEO da Valora, gestora com mais de R$ 35 bilhões sob gestão.

Segundo Pegorini, a percepção de crise foi ampliada pela presença de empresas conhecidas entre os casos mais recentes. Ele cita nomes como Braskem, Casas Bahia, Pão de Açúcar e Raízen, que atraem maior atenção do mercado e do noticiário. A visibilidade dessas companhias, em sua visão, contribui para a sensação de que o problema é mais amplo do que os números indicam.

“Existe um pouco de exagero no que se fala de crise de crédito no mercado brasileiro”, diz Pegorini, em entrevista ao Café com Investidor, programa do NeoFeed em parceria com a CNN Brasil, exibido no CNN Money. “Não acredito, neste momento, na lógica de termos uma crise de crédito.”

Na avaliação do executivo, os casos de inadimplência e reestruturação precisam ser analisados em relação ao tamanho do mercado de crédito privado no País. Pegorini também chama atenção para a diferença entre perdas efetivas de crédito e os efeitos da marcação a mercado.

Segundo ele, uma parte relevante da pressão observada nos fundos de crédito decorre do chamado mark-to-market (MTM), mecanismo que ajusta diariamente o valor dos ativos conforme as condições de mercado.

Nesses casos, o impacto ocorre nos preços dos títulos, sem que isso represente necessariamente uma perda definitiva para o investidor. “Mais da metade do efeito que estamos sofrendo no crédito tem a ver com o MTM, não com problemas de crédito”, afirma Pegorini.

Para o gestor, muitos dos problemas que vieram à tona nos últimos meses já eram conhecidos pelo mercado. Ele argumenta que parte das dificuldades enfrentadas por empresas está ligada a fatores como estrutura de capital, aquisições financiadas por dívida e questões de governança, e não apenas ao ambiente de juros elevados.

“O mercado já conhece há mais de um ano boa parte desses problemas”, afirma Pegorini. “A situação macroeconômica pode ter dado o impulso final, mas não é a causa fundamental dos problemas empresariais.”

Nesse contexto, o executivo defende cautela por parte dos investidores. Segundo Pegorini, movimentos de resgate motivados exclusivamente pelas manchetes podem materializar perdas que, em alguns casos, seriam revertidas ao longo do tempo.

Ele também recomenda que investidores não profissionais mantenham exposição ao crédito por meio de fundos, em vez da compra direta de títulos corporativos, como forma de diversificar riscos.

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