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O xadrez da direita: os rumos do bolsonarismo após sua segunda derrota no Planalto

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Brasília – Com a derrota nas urnas do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o bolsonarismo sai arranhado pela segunda vez consecutiva em uma disputa pelo Palácio do Planalto.

Se em 2022 Jair Bolsonaro não alcançou a reeleição, em 2026 seu filho Flávio não conquistou o eleitor para impedir um quarto mandato de Lula – mesmo com a vitória no primeiro turno e com a direita, em peso, ajudando na sua campanha.

Finda a batalha, o senador ficará sem mandato pelos próximos quatro anos e o ex-presidente permanecerá preso em regime domiciliar em Brasília. Flávio ainda deverá enfrentar na Justiça investigações que pesam contra ele.

“A direita bolsonarista ficará enfraquecida porque foi a segunda derrota consecutiva desse campo [político]. Por que o eleitor ainda daria uma segunda chance aos Bolsonaro?”, diz o cientista político e consultor Leonardo Barreto, ao NeoFeed.

“Com a vitória do Lula, o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] se torna o principal nome. Ratinho Junior [ex-governador do Paraná] vai ficar sem mandato. O Flávio voltaria como deputado ou senador lá na frente e ainda poderá ficar politicamente muito comprometido”, complementa.

Apesar dos arranhões eleitorais, no entanto, uma fonte da campanha de Flávio lembra ao NeoFeed que ainda assim o bolsonarismo já se consolidou como uma grande força da direita brasileira. E a nova composição do Congresso, ainda mais conservador do que nunca, é a maior prova disso – o PL, partido de Flávio, terá a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado.

A partir de agora, porém, não se descarta no entorno bolsonarista que um possível horizonte para esse campo político seja de ares mais moderados e menos radicais.

O bolsonarismo, contudo, também pode retornar à sua face mais “Bolsonaro raiz”, caso a agora senadora Michele Bolsonaro (PL-DF) se cacife como um nome viável para o partido em 2030, aponta a mesma fonte.

Depois de transferir seu título eleitoral do Rio de Janeiro para Brasília, Michele foi a senadora eleita mais votada pelo Distrito Federal no pleito de 2026, com quase 1 milhão de votos.

Em tese, Michele teria condições de trilhar um caminho de futuro político para uma espécie de “direita feminina”, analisa Barreto. E logo se firmar como um nome forte para a disputa presidencial daqui a quatro anos.

Dentro da família Bolsonaro, uma possível volta à política do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também não é dada como impossível. E a eleição do irmão, Carlos Bolsonaro (PL), para o Senado por Santa Catarina, Estado mais bolsonarista do País, também é lembrada como símbolo de força desse campo, ainda que fora do contexto de eleição presidencial.

“O bolsonarismo pode até ficar adormecido, mas ele não acaba e não é isso que se vê nas ruas”, diz um político da direita.

Nas eleições de 2026, novas forças bolsonaristas também nasceram na esfera legislativa. Como é o caso do deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL), o mais votado em São Paulo. E a deputada estadual Eduarda Campopiano (PL), eleita com 1,9 milhão de votos e também a com mais votos no Estado.

Centro-direita renovada

A direita renovou suas forças no Congresso Nacional, reafirmando o perfil conservador da maioria dos parlamentares da capital federal. E, nas urnas em 2030, pode ter renovada uma esperança ao centro, com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos).

Outros nomes da centro-direita ainda não são descartados, como os governadores Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Entretanto, ambos ficarão sem mandato em 2027.

“A direita sai fortalecida, com certeza. A direita tem bons nomes para continuar em evidência no cenário nacional, o que não vejo com a esquerda e o PT”, afirma ao NeoFeed a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no Governo Bolsonaro e maior liderança hoje do agronegócio, setor que mais apoia o bolsonarismo.

Entre as lideranças jovens, o nome mais lembrado pela base bolsonarista para futuras eleições presidenciais é a de Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado do Brasil em 2026 e também em 2022. No entanto, ele ainda não teria a idade mínima prevista pela Constituição para candidatos à Presidência da República.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas, Cláudio Couto, a própria juventude do bolsonarismo, um movimento político nascido apenas em 2018 com a vitória de Jair Bolsonaro naquela eleição, e nomes fortes da direita ajudam a conter possíveis danos para o futuro desse campo.

“Não tem esse problema. Em cidades como Goiânia, Fortaleza, Belo Horizonte, eles têm muita gente jovem. E mesmo que a família Bolsonaro perca força, essas jovens lideranças tendem a ter mais espaço”, diz Couto.

“O próprio Tarcísio é um nome importante. Então tem lideranças que podem dar sobrevida para esse projeto da direita. Mesmo porque o PL é o partido do Valdemar [da Costa Neto, presidente da sigla], não é um parido da ultradireita. Tem umas peculiaridades aí”, complementa.

Na leitura do cientista político, a direita pode se beneficiar pela força e boa oferta de lideranças jovens de um lado, e de uma legenda partidária consolidada que compensa eventuais perdas eleitorais que tenham ocorrido nas últimas eleições.

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