A produção de cana deve aumentar na safra 2026/27, mas a quantidade de açúcar na cana deve cair devido ao excesso de chuvas, segundo as estimativas mais recentes da Datagro, divulgadas nesta segunda-feira.
A moagem deve crescer 4,8% na próxima safra, para 640,5 milhões de toneladas de cana, enquanto o ATR (açúcar total recuperável) deve cair 2,2%, para 134,8 quilos por tonelada. Essa queda na produtividade é explicada pelo excesso de umidade, que favorece a infestação da cigarrinha e dificulta a retenção de açúcar na cana, explicou Plinio Nastari, fundador e presidente da Datagro.
Mesmo assim, a oferta total de ATR será 2,5% maior do que a da safra anterior, chegando a 86,34 milhões de toneladas, com o maior volume de cana compensando a quantidade de açúcar recuperável por tonelada.
De acordo com Nastari, que apresentou os números durante a conferência internacional da Datagro sobre açúcar e etanol, a próxima safra deverá destinar mais cana à produção do biocombustível, que deve aumentar 10,4% e chegar a 37,21 bilhões de litros.
A conta inclui o etanol de milho, cuja produção em 2026/27 a Datagro estima em 10,15 bilhões de litros — o equivalente a 27,2% do total do biocombustível produzido no ano-safra.
Já a produção de açúcar deve recuar 5% na próxima safra, atingindo 38,42 milhões de toneladas, devido à queda no mix açucareiro de 50,4%, na safra 2025/26, para 46,7%.
Em termos operacionais, Nastari espera um encerramento de safra mais tardio em 2026, com 96% da safra das usinas concluída até a segunda quinzena de dezembro, e uma retomada mais cedo no primeiro trimestre de 2027.
Dúvidas para 2027/28
Segundo Nastari, neste momento falta visibilidade para projetar os grandes números da safra seguinte, 2027/28.
“Ainda é cedo para cravar moagem e etanol no ano que vem”, afirmou. Segundo ele, é preciso observar “nos próximos 12 a 18 meses” como evoluem fatores como os preços relativos, o consumo de etanol, os preços do petróleo e a intensidade da transmissão ao mercado desses elementos.
Mesmo assim, Nastari — um dos maiores especialistas no setor sucroenergético no Brasil — arriscou alguns palpites sobre o desempenho do próximo ciclo.
Segundo ele, o primeiro terço da safra 2027/28 deve ser forte, com o desenvolvimento biológico avançado resultando em um volume alto de cana bisada e boas condições para o plantio.
O segundo terço do ano-safra, ele diz, deve ser de “qualidade regular, pior que o primeiro”, o que ele credita a potenciais efeitos da colheita sendo feita em ambiente de maior umidade que o normal, no embalo do El Niño, “além do aumento de infestação de mato na lavoura”.
E para o terceiro terço, Nastari prevê “bastante cautela, com perspectivas de colheita tardia”.





