A Allos deu mais um passo na parceria com a Kinea Investimentos para ampliar sua atuação no mercado de fundos imobiliários de shopping centers. A companhia assinou compromissos de compra e venda de participações em sete empreendimentos de seu portfólio com o Kinea Allos Malls FII (KAML11), em uma operação condicionada à captação de pelo menos R$ 600 milhões pelo fundo.
A oferta pública de cotas, iniciada em 22 de outubro, prevê levantar até R$ 1 bilhão. O volume efetivamente captado determinará a fatia adquirida em cada shopping. A Allos estima um cap rate médio de aproximadamente 9,5% para o conjunto de ativos, com base no resultado operacional líquido dos empreendimentos em 2025.
Apresentado em fato relevante na manhã de sexta, 23, a aquisição do portfólio pelo fundo dá sequência ao acordo anunciado pelas duas empresas em abril, quando apresentaram a intenção de criar um FII conjunto.
O compromisso de compra e venda prevê a transferência de participações em shoppings da Allos para o fundo e a atuação de ambas as companhias na gestão, abrindo espaço para uma nova frente de negócios para a maior administradora e operadora de shopping centers do Brasil.
“É uma oportunidade de criar uma nova frente de crescimento e de alocação de capital”, afirmou Rafael Sales, CEO da Allos, ao NeoFeed quando o negócio foi anunciado.
Carlos Martins, sócio da Kinea e gestor dos fundos imobiliários de equity, afirmou à época que a meta era fazer do novo produto um dos maiores fundos de shoppings do Brasil. “Podemos chegar a R$ 10 bilhões, R$ 20 bilhões no futuro”, disse ao NeoFeed.
A aquisição de portfólio envolve sete ativos mais maduros da Allos. São participações de 49,5% a 70% do Shopping Metrô Santa Cruz; de 41% a 65% do Caxias Shopping; de 8% a 18% do Bangu Shopping; de 20% a 29% do Shopping Parangaba; de 9% a 22% do Plaza Sul Shopping; de 6,5% a 12% do Shopping Villa-Lobos e de 5% a 7% do Shopping Tamboré.
O pagamento pela aquisição será realizado em duas etapas: 80% do valor será pago à vista após o encerramento da oferta, e os 20% restantes serão parcelados em três parcelas iguais com vencimentos em 24, 36 e 48 meses.
A Allos pretende deter até 24% das cotas do fundo, percentual que depende ainda dos procedimentos de alocação e rateio da oferta. Os acionistas da companhia também terão prioridade na distribuição.
A parceria não se limita à transferência de ativos. Inicialmente, uma subsidiária da Allos irá atuar como consultora imobiliária do fundo. Depois de obter habilitação para exercer a atividade de gestão, a expectativa é que a nova empresa passe a compartilhar essa função com a Kinea.
Segundo o fato relevante, a Allos vai continuar à frente da administração dos shopping centers e pode manter participações diretas em parte dos empreendimentos.
O acordo também estabelece mecanismos para ampliar o portfólio do fundo. O KAML11 terá direito de primeira oferta sobre participações em shopping centers pertencentes à Allos e poderá participar de futuras aquisições de ativos do segmento em conjunto com a companhia ou com a Kinea. A estrutura também cria a possibilidade de aquisições conjuntas no futuro.
Na quinta-feira, 22 de outubro, a ação da Allos fechou o pregão avaliada em R$ 34,85 e seu valor de mercado atingiu R$ 17,5 bilhões.





