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Rio Bravo atrai R$ 1,6 bilhão em serviços fiduciários e vê potencial aumentar com reforma tributária

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A Rio Bravo quer transformar a administração fiduciária em uma frente de negócios cada vez mais relevante, com a ampliação dos serviços prestados a fundos de outras gestoras e conquista de novos clientes.

No acumulado de 2026, a gestora trouxe R$ 1,1 bilhão de patrimônio novo para sua área de administração fiduciária. Até o fim do ano, outros R$ 430 milhões devem ser adicionados na vertical com a consolidação dos fundos de crédito imobiliário de gestão da JPP, após integração anunciada em março deste ano – um crescimento total de 9% no ano.

“É uma atividade que está se profissionalizando muito no Brasil e quem entregar esse serviço com qualidade pode crescer muito”, afirma Paulo Bilyk, cofundador e CEO da gestora, ao NeoFeed.

A Rio Bravo conta atualmente com R$ 10,4 bilhões em patrimônio administrado, divididos em 21 fundos. Se considerado apenas os fundos com atuação de serviços fiduciários, desconsiderando os produtos em que a casa também é responsável pela gestão, a área corresponde a cerca de R$ 5 bilhões – um percentual 40% dos ativos sob gestão da Rio Bravo.

No ranking Anbima de maiores administradores, a casa está em 46ª colocação – a liderança é da BB Asset, com R$ 1,9 trilhão em patrimônio. Bilyk ressalta, no entanto, que a meta da Rio Bravo não é competir com os gigantes da indústria.

“Não queremos ser o maior administrador fiduciário. Gostaríamos de ser reconhecidos por sermos resolvedores de situações de mais alta complexidade”, diz ele.

A expectativa da gestora é que a reforma tributária abra espaço para acelerar esse crescimento junto a family offices, fundos exclusivos e outros investidores. A tese é que a alteração tornará os fundos imobiliários mais atrativos para os investidores com alto patrimônio.

Isso porque a reforma instituiu um imposto de renda mínimo para os contribuintes com renda anual acima de R$ 600 mil, com uma tributação adicional de até 10% para quem ultrapassar a marca de R$ 1,2 milhão por ano. Os rendimentos dos FIIs, no entanto, continuam isentos de IR para pessoas físicas, e não entram no cálculo da tributação.

“Estamos falando de muito dinheiro. Então o principal fator de atratividade para o fundo imobiliário [após a reforma tributária] é a taxação de altas rendas”, avalia Eveline Carabeli, sócia e diretora de serviços fiduciários da Rio Bravo.

As mudanças na tributação sobre o consumo também podem abrir oportunidades ao permitir que determinados fundos aproveitem créditos tributários e se tornem mais competitivos na locação de imóveis.

A decisão, porém, depende das características de cada investidor e dos custos envolvidos na mudança de estrutura. Segundo Carabeli, um patrimônio de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões seria um patamar inicial para avaliar a migração, pois despesas com impostos de transmissão e outros custos podem inviabilizar a operação em valores menores.

“Queremos crescer a área aproveitando o ensejo da reforma. Pelas nossas estimativas, a virada maior desse segmento deve ser entre 2028 e 2029, que é quando o investidor vai sentir o novo peso tributário”, diz Carabeli.

A Rio Bravo atua com administração fiduciária desde 2002, quando adquiriu a Mercúrio DTVM. Durante boa parte de sua trajetória, porém, a atividade ficou restrita aos fundos geridos pela própria casa.

O cenário mudou com a Resolução 175 da CVM, em vigor desde 2023, que consolidou a separação de funções entre o administrador fiduciário e o gestor. Com a nova norma, a Rio Bravo decidiu reformular e separar a frente fiduciária como unidade de negócio e oferecer esse serviço a terceiros, como as gestoras Capitânia e Nebraska.

O próximo passo é ampliar a atuação para outros fundos fechados, como FIDCs, e escrituração de CRI e CRA, ainda em 2027. A Rio Bravo não abre projeção para cada vertical, mas tem uma meta geral de crescimento de 30% em volume sob gestão no acumulado anual. A gestora conta, atualmente, com R$ 13,5 bilhões sob gestão.

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