A eleição presidencial brasileira entra na reta final com um desafio que deve permanecer na agenda econômica, independentemente de quem vencer nas urnas: o ajuste das contas públicas.
Para Marcella Rocha, diretora de investimentos da Avenue, a perspectiva de crescimento da dívida brasileira reforça a importância de os investidores diversificarem parte do patrimônio no exterior, reduzindo a exposição aos ciclos políticos e econômicos do País.
Segundo a executiva, a dívida bruta brasileira já ultrapassa 80% do Produto Interno Bruto (PIB) e, de acordo com projeções citadas por ela, pode alcançar 100% em uma década. Mais preocupante, afirma, é a velocidade de crescimento desse endividamento em comparação com outros mercados emergentes.
“O grande desafio da economia brasileira é o ajuste fiscal necessário e inevitável que será feito ao longo dos próximos anos”, diz Rocha ao Janela de Mercado, programa do NeoFeed.
Na avaliação da diretora, a combinação de carga tributária elevada e limitações para reduzir despesas sem reformas estruturais torna o cenário especialmente desafiador. Os efeitos já aparecem nos juros, nas expectativas de inflação e nas condições de financiamento da dívida pública.
“Diversificar não é apostar contra a situação doméstica, não é apostar contra o Brasil, mas simplesmente diluir o risco e buscar oportunidades lá fora”, afirma.
Mesmo para quem recebe e gasta exclusivamente em reais, a proteção cambial pode fazer diferença. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que aproximadamente 16% da cesta de consumo brasileira é dolarizada.
Na renda fixa, os títulos de governos de países desenvolvidos oferecem retornos que não eram observados havia décadas, embora os riscos fiscais e inflacionários globais exijam cautela, enquanto no mercado acionário, o crescimento dos lucros corporativos ainda sustenta a atratividade dos investimentos.
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