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Depois do “efeito Ibirapuera”, Urbia mira PPPs para destravar novo ciclo nos parques

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A Urbia, após seis anos gerindo o Ibirapuera, busca expandir sua atuação em concessões de parques, considerando parcerias público-privadas (PPPs) para projetos que não geram receitas suficientes. Com 12 operações em cinco estados e mais de R$ 430 milhões em investimentos, a empresa já opera parques como Iguaçu e Jericoacoara. O modelo de financiamento do Ibirapuera, que não depende de ingressos, não é replicável em todos os parques, segundo o presidente Roberto Capobianco, que vê as PPPs como uma solução para melhorar serviços com menor custo para o governo.

A Urbia está atenta a novos projetos, como os de Goiânia, e destaca que a concessão não implica privatização. O mercado de concessões de parques no Brasil já conta com 39 contratos, mas enfrenta desafios orçamentários para novas PPPs.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Após completar seis anos à frente do Ibirapuera, a Urbia quer ampliar a atuação no setor de concessões de parques. Entre os caminhos avaliados pela empresa estão as parcerias público-privadas (PPPs), que poderiam viabilizar projetos sem receitas comerciais suficientes para cobrir os custos.

Atualmente, a Urbia reúne 12 operações em cinco estados, entre parques urbanos e unidades de conservação, e soma mais de R$ 430 milhões em investimentos com capital privado. Além do Ibirapuera, o portfólio inclui as concessões do Iguaçu (PR) e de Jericoacoara (CE), em consórcio com o Grupo Cataratas.

No parque paulista, que recebeu o recorde de 17 milhões de visitantes em 2025, a operação é financiada por patrocínios, eventos e serviços oferecidos aos frequentadores, sem contraprestação pública ou cobrança de ingressos.

Mas esse modelo não é viável para todos os parques, segundo Roberto Capobianco, presidente da Urbia.

“É difícil replicar o modelo Ibirapuera. Mas muitos parques se resolvem com uma parceria público-privada”, afirma o executivo ao NeoFeed. “Com isso, é possível balancear o contrato, de forma que o governo gaste menos, mas tenha um serviço melhor”, diz ele.

A Urbia faz parte do Grupo Construcap, que atua nos setores de engenharia, construção e infraestrutura, além de investir em concessões e PPPs. O portfólio do grupo inclui a Inova Saúde, com projetos na área hospitalar, e a Elovias, no setor rodoviário.

“Parques serão, sem dúvida, a próxima fronteira”, afirma Capobianco em referência ao setor de infraestrutura social, que reúne equipamentos e serviços públicos em áreas como saúde, educação, cultura e lazer.

Na avaliação do executivo, o mercado de parques já ganhou maturidade. “O segmento deixou de ser um projeto-piloto e passou a ser uma solução estruturada de política pública e desenvolvimento regional”, diz.

O executivo ressalta que os modelos de concessão e PPP não representam a privatização dos parques. “Estamos gerindo e operando um bem público. Em nenhum momento ele passa a ser da companhia”, afirma o presidente da Urbia.

Projetos no radar

A Urbia acompanha novos projetos de concessão de parques, entre eles os estudos conduzidos pela prefeitura de Goiânia. Brasília também esteve no radar da companhia, mas a iniciativa não avançou. “Estamos estudando iniciativas para ampliar ainda mais o nosso leque”, diz Capobianco.

O mercado brasileiro reúne 39 contratos vigentes de concessão de parques, segundo levantamento da Garín Partners, de outubro de 2026, com dados do Instituto Semeia.

Nos 20 contratos com valores divulgados, os investimentos previstos somam R$ 1,7 bilhão. Nenhum dos contratos vigentes prevê contraprestações públicas.

No pipeline, o levantamento identifica cerca de 20 ativos em diferentes estágios de preparação. Entre eles estão a PPP de seis parques estaduais de São Paulo, cujo leilão foi suspenso em julho, e a PPP do Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre, ainda em estruturação.

Marcelo Lagnado, sócio da consultoria Garín Partners, avalia que os primeiros projetos se concentraram nos parques com maior potencial de arrecadação, com as concessionárias assumindo integralmente o risco de demanda. “O filé já foi leiloado”, afirma.

Agora, começam a surgir PPPs patrocinadas ou administrativas, com participação financeira do poder público. Essa alternativa, porém, esbarra nas restrições orçamentárias dos estados e municípios. “Ao comparar com o déficit de infraestrutura em mobilidade, saúde, educação, só os estados e municípios mais ricos vão ter capacidade de destinar orçamento para PPPs de parque”, diz Lagnado.

Subsídio cruzado

A concessão do Ibirapuera foi estruturada para incluir outros cinco parques municipais de São Paulo: Eucaliptos, Jacintho Alberto, Jardim Felicidade, Lajeado e Tenente Brigadeiro Faria Lima. Assinado em dezembro de 2019, o contrato teve início em 2020 e tem prazo de 35 anos.

O contrato funciona com um modelo de subsídio cruzado: o excedente das receitas comerciais e dos patrocínios do Ibirapuera financia integralmente a manutenção, a segurança e as melhorias dos outros cinco parques, que têm menor capacidade de arrecadação.

No conjunto dos seis parques, a Urbia informa ter investido R$ 360 milhões, dos quais R$ 110 milhões foram aportados além das obrigações contratuais. A companhia também desembolsou R$ 70,5 milhões em outorga à prefeitura de São Paulo.

A empresa estima que a gestão dos seis parques representa uma economia de R$ 25 milhões por ano para a prefeitura de São Paulo em serviços de manutenção.



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