A indulgência está perdendo espaço para a saudabilidade na escolha dos consumidores ao comprar um snack, uma tendência que está diretamente relacionada à busca por mais proteína na dieta. A conclusão faz parte de uma nova pesquisa da Nielsen realizada nos Estados Unidos.
O trabalho mostra que cerca de 60% dos consumidores estão fazendo um esforço intencional para consumir mais alimentos com proteína todos os dias — ainda que um quarto deles não tenha ideia de qual é a quantidade ideal a ser consumida diariamente.
Com tamanho esforço para atingir a tal meta proteica (seja qual for), não basta o bom e velho bife no prato. Para a maioria dos consumidores consultados (41%), a busca por nutrição é a principal motivação na escolha de snacks, batendo, de longe, itens como sabor (24%), conveniência (também com 24%) e marca (15%).
O comportamento das vendas nos Estados Unidos já mostra essa tendência: enquanto os snacks com alto teor de proteína tiveram um aumento de 12,3% no faturamento em 12 meses encerrados em abril, as vendas de snacks em geral subiram apenas 3,5%. Em volume, as vendas de snacks proteicos aumentaram 9,6%, enquanto o mercado todo permaneceu praticamente estável, com um ligeira alta de 0,9%.
Segundo a mesma pesquisa, os snacks proteicos fazem parte da dieta diária de 35% dos consumidores americanos, que estão em busca de saudabilidade e longevidade — quase metade (45%) dos consultados associam a palavra “proteína” escrita nas embalagens a esses critérios.
A proteína também é o primeiro item citado pelos entrevistados como um indicativo de que o snack é benéfico para a saúde, sendo lembrada por 45% dos consumidores. Em seguida aparecem alegações como maior presença de fibras, benefícios à saúde do coração e sem de adição de açúcares.
Snack de carne
A indústria de carne bovina deve ser uma das beneficiadas pelo boom dos snacks proteicos. Produtos de carne bovina seca (o jerky beef nos EUA), prontos para o consumo e com apelo de alto teor de proteína, devem ganhar aderência nesse segmento nos próximos anos.
Segundo relatório divulgado no início deste mês pela IndexBox, empresa de pesquisa e inteligência de dados, o mercado global de carne bovina seca sem glúten deve apresentar uma taxa anual de crescimento de 7,2% até 2035, impulsionada pela demanda de consumidores preocupados com a saúde e em busca de snacks ricos em proteínas.
“Posicionada na interseção entre a conformidade com a dieta sem glúten, a nutrição rica em proteínas e as expectativas de rótulo limpo, a categoria evoluiu de uma oferta especializada para um snack de desempenho mainstream”, diz o relatório, que também traz um contexto desse mercado desde 2012.“Rótulo limpo”, no jargão do mercado, refere-se a produtos com ingredientes simples, reconhecíveis e sem aditivos artificiais.
Nesse momento, acrescenta a consultoria, a categoria está começando a se dividir entre o segmento de massa, com produtos sob pressão de preços, e uma categoria premium orientada por benefícios adicionais, como produtos orgânicos e de gado alimentado a pasto, com margens mais altas.
Com América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico concentrando a demanda global — com participações estimadas em 40%, 25% e 20%, respectivamente —, o mercado é dominado por multinacionais como Jack Link’s, Hormel Foods, Conagra Brands, General Mills e The Hershey Company.
“O cenário competitivo permanece concentrado em grandes grupos multinacionais com produção integrada, ampla capilaridade de distribuição e capacidades mais robustas de certificação de qualidade”, destaca o relatório.
Para os próximos anos, a consultoria vê a distribuição como um “campo de batalha central”, com os canais de comércio eletrônico e direto ao consumidor ganhando participação, especialmente entre os consumidores mais jovens.
Enquanto a América do Norte deve manter a liderança em participação de mercado, a demanda na Ásia-Pacífico deve apresentar crescimento mais rápido, impulsionada pela conscientização sobre dietas sem glúten.
Na América Latina, hoje com uma participação na demanda global estimada em 10%, a categoria se beneficia de uma forte cultura de snacks e de uma consciência crescente sobre saúde. Ao mesmo tempo, a volatilidade econômica e a infraestrutura limitada de distribuição podem dificultar uma expansão mais rápida, observa a IndexBox.
“Marcas locais ganham tração e players internacionais estão entrando”, destaca a consultoria, que cita Brasil e México como mercados mais promissores.





