O fechamento da curva de juros e a alta da Bolsa – especialmente de ações sensíveis a uma redução das taxas – depois do primeiro turno deram um belo empurrão no desempenho dos fundos de ações e multimercado em outubro.
Mas alguns dos gestores que mais ganharam dinheiro no mês – BTG Pactual, Legacy, IP e Absolute – não esperam um rali da mesma magnitude na próxima semana.
Com exceção da IP, os demais estão realizando lucros e reduzindo a exposição a risco para voltar a investir a partir de segunda-feira, levando em conta o cenário eleitoral e o apetite dos pares.
“A forte assimetria entre risco e retorno que existia antes do primeiro diminui bastante,” Bruno Henriques, um gestor da BTG Pactual Asset Management, disse ao Brazil Journal.
O banco tem um fundo multimercado e dois de ações na lista das cinco maiores performances de cada classe em outubro, segundo um levantamento da Outliers Advisory.
Essa pesquisa mostrou que, na média, os fundos multimercado renderam 2,7% em outubro até o dia 15, o que elevou o retorno no ano para 10,3% – ainda abaixo do CDI do ano, que estava em 11% até 15 de outubro.
Mas depois do resultado deste mês, 46% dos fundos da amostra já rendem mais que o CDI no ano – de janeiro a setembro, este percentual estava em 30%.
Os fundos de ações long only renderam em média 14% em outubro – acima do Ibovespa, que subiu 10%.
No ano, o rendimento médio dos long only está em 21%, abaixo do Ibovespa, que acumula uma alta de 27%. Apenas 20% desses produtos superam o índice em 2026 – mas, de janeiro a setembro, o percentual estava em 11%.
As carteiras de ações long-biased também tiveram uma rentabilidade média de 14% em outubro, enquanto o retorno acumulado no ano está em 19%.
Como nos long only, somente 20% dos long-biased superam o Ibovespa em 2026, ante a marca de 11% no período de janeiro a setembro.
“O mercado está operando capítulo a capítulo. Se houver maior previsibilidade na economia e uma estabilização nas expectativas, será possível alongar o horizonte de investimentos a aumentar a alocação em ativos de risco,” disse Felipe Guerra, o fundador da Legacy.
O multimercado Legacy Cap Edge teve o segundo melhor retorno do mês nessa classe de fundos, de 8,8%, segundo o levantamento da Outliers que, nesse caso, considera apenas os fundos master com patrimônio superior a R$ 500 milhões.
Com isso, o fundo da Legacy acumula uma rentabilidade de 12% no ano e quase 16% em 12 meses.
Em outubro, ficou atrás apenas do Ibiuna Long Short, com rendimento de 9% neste mês, 11,7% no ano e apenas 10% em 12 meses. Em terceiro lugar, aparece o IP Value Edge, com 6% em outubro, 8,7% no ano e 13,7% em 12 meses.
A Legacy havia aumentado a exposição a juros, Bolsa – via índices e ações de empresas mais sensíveis a juros – e câmbio pouco antes do primeiro turno apoiada em pesquisas internas que mostravam uma chance de Flávio Bolsonaro terminar à frente de Lula.
Quando isso se concretizou, o mercado passou a precificar uma maior probabilidade de mudança na política econômica, levando ao rali do início do mês.
No caso do BTG, os principais ganhos vieram da Bolsa, especialmente de estruturas de opções montadas em ações de setores que se beneficiam de um cenário de queda dos juros, como os de consumo, construção civil e financeiro.
Na segunda-feira pós-primeiro turno, os retornos chegaram ao triplo do Ibovespa. Hoje o banco não vê mais oportunidades nesse tipo de estrutura, e está posicionado em opções de EWZ e juros.
“O mercado tirou o prêmio da mesa muito rápido e, além disso, o cenário externo ficou mais complicado, com a perspectiva de alta de juros lá fora, o aumento do petróleo e os protestos na Europa,” disse Henriques.
O multimercado BTG Pactual Synergy Equity Hedge está rendendo 5,8% em outubro, 13% no ano e 16% em 12 meses.
O long-biased Sinergy, do BTG, teve o maior retorno da classe em outubro, de 19%, e rendeu 21% no ano e 23% em 12 meses. Já o long only Absoluto teve uma rentabilidade de 20% em outubro, 26% no ano e 37% em 12 meses.
Fiel à estratégia de investir mirando o compounding de longo prazo, a IP não fez grandes mudanças no portfólio nem antes nem depois da eleição.
A carteira Brasil – que responde por cerca de 20% do fundo – é composta por ações de empresas que “funcionam bem nos dois mandatos,” como as de grandes bancos e utilities, disse Rodolfo Marinho, um sócio da IP. “Quando tivermos um cenário mais concreto e previsível para a economia e os juros, podemos avaliar outros setores, como o de shoppings.”
Outros 40% do fundo estão investidos em ações de empresas americanas, como a Mastercard, que deram bons retornos em outubro e ajudam a explicar o desempenho no mês.
“Dependendo do cenário, podemos também reduzir a exposição lá fora e investir mais aqui, reciclando esse capital,” disse Carolina Barbará, sócia e RI da IP.
Outros fundos que ficaram entre os mais rentáveis em outubro foram dois long only da Alaska – o Black, com retorno de 28%, e o Institucional Long Only, com 21%. Até setembro, estavam com desempenho negativo no ano.
Entre os long-biased, o Sharp rendeu 17% em outubro e o Squadra, 16,6%. Com isso, acumulam rendimentos de 12% e 18% no ano, respectivamente.
O fundo de pior desempenho no mês, segundo o levantamento da Outliers, é o Adam Advanced, que perdeu 10,5%. No ano, porém, o retorno é de 24,6% e, em 12 meses, de 23%.
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