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Indonésia investe bilhões para colocar proteína no prato

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A cada dez hectares de terra agropecuária na Indonésia, três estão plantados com palma. A vastidão dos palmares, que ocupam 16 milhões de hectares, faz do país o maior produtor mundial de óleo de palma e sustenta o mandato de biodiesel mais agressivo do planeta.

O país do Sudeste Asiático também se declara autossuficiente em arroz, cultura fundamental para alimentar uma população de mais de 280 milhões de habitantes. Ainda assim, uma em cada cinco crianças indonésias com menos de cinco anos tem o crescimento comprometido por desnutrição crônica, um sinal de que sobra caloria e falta proteína à mesa.

A situação não é ignorada pelo governo, que vem fazendo esforços nas mais diversas frentes — o que inclui investimentos maciços do fundo soberano — para aumentar a diversidade dos alimentos disponíveis para a população indonésia.

Em 2025, o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, lançou o “Makan Bergizi Gratis”, um programa nacional para oferecer refeições nutritivas de forma gratuita, o que inclui a distribuição regular de frango, ovos, legumes, arroz e proteína vegetal para crianças, gestantes, lactantes e estudantes. A iniciativa já tem quase 60 milhões de beneficiários e mira 72 milhões até 2027.

A estratégia indonésia inclui estímulos para atrair investimentos estrangeiros, o que abriu caminho para projetos ambiciosos, como o investimento de US$ 290 milhões da holandesa Royal FrieslandCampina para construir um laticínio que foi inaugurado em 2024.

Indonésia 1

O negócio mais emblemático aconteceu neste ano. Em agosto, o fundo soberano da Indonésia anunciou uma sociedade com a JBS, avaliando o negócio do grupo brasileiro em até US$ 10 bilhões.

Por meio dessa sociedade, na qual os indonésios terão até 30% dos ativos da JBS no Sudeste Asiático e Oceania, a companhia dos irmãos Batista se comprometeu a concentrar os investimentos na Indonésia nos primeiros anos da parceria. Ao todo, o fundo soberano vai investir US$ 2,5 bilhões na iniciativa.

Além do estímulo para o investimento na produção local, que deve incluir o fomento à criação de frango, as medidas da Indonésia incluem acordos de importação com parceiros comerciais, sobretudo de produtos como a carne bovina, de maior complexidade para a produção local.

O Brasil desponta como parceiro. Em setembro, a Indonésia habilitou 21 frigoríficos brasileiros de carne bovina para exportar, ampliando o número de estabelecimentos autorizados a exportar ao país do Sudeste Asiático. Atualmente, são 73 unidades de 26 companhias diferentes, relatou a Globo Rural.

Por ano, a Indonésia importa o equivalente a US$ 26 bilhões em itens agrícolas, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). A China é o maior fornecedor.

“Makan Bergizi Gratis”, o programa nacional da Indonésia para oferecer refeições nutritivas de forma gratuita“Makan Bergizi Gratis”, o programa nacional da Indonésia para oferecer refeições nutritivas de forma gratuita
“Makan Bergizi Gratis”, o programa nacional da Indonésia para oferecer refeições nutritivas de forma gratuita

Um projeto de décadas

As medidas mais recentes da Indonésia mostram a intensificação de uma ambição de Estado que começou há muitas décadas.

Em um relatório intitulado Exporter Guide Annual, o USDA lembrou que os esforços para enfrentar gargalos e modernizar o agro indonésio datam dos anos 1960, com subsídios para irrigação, sementes e insumos que levaram à autossuficiência no arroz em 1984.

Nas décadas seguintes, o país ampliou a produção de outros alimentos, como milho, horticultura, frangos e ovos, além da pesca e da aquicultura. Em paralelo, manteve ou expandiu a presença em commodities tropicais, como café e cacau, além da borracha, e promoveu uma expansão agroindustrial principalmente em torno da cadeia da palma.

Mesmo assim, a carência de alimentos permaneceu, especialmente em produtos como trigo, soja, farelo de soja, lácteos e carne bovina, uma situação que é agravada pelo crescimento populacional. Quarto país mais populoso do mundo, a Indonésia pode chegar a 320 milhões de habitantes em 2050.

Na avaliação de Novi Yuningsih, analista do USDA, a Indonésia ainda precisa superar desafios de produtividade, logística e regras de importação de insumos, além de crédito para os agricultores familiares que sustentam a produção de alimentos.

Outros desafios são as barreiras comerciais e a certificação halal, que atesta que um item foi produzido segundo as normas do islamismo — a exigência religiosa, agendada para passar a vigorar neste mês, foi adiada pelo governo nesta semana para 2028. A maior parte da população indonésia é muçulmana.



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