As exportações brasileiras de milho para a Europa devem saltar para 1,65 milhão de toneladas, contra cerca de 200 mil toneladas no mesmo período do ano passado. A projeção é da corretora Stag International, divulgada nesta quarta-feira (21). Segundo o relatório, o Brasil está “efetivamente” substituindo o milho da Ucrânia, que vem exportando menos para os vizinhos depois que portos e outras estruturas foram atingidos por ataques russos.
Além disso, a seca reduziu a safra de milho da União Europeia em 2026 para cerca de 48 milhões de toneladas, o menor volume deste século, segundo a Comissão Europeia. Com isso, as importações do bloco subiram 40% na temporada 2026/27 até meados de outubro. Os Estados Unidos lideram como fornecedores, seguidos pelo Brasil.
Vantagem sul-americana
Leia também no Agrimídia:
A Stag avalia que o milho americano perdeu competitividade em relação ao produto da América do Sul, incluindo a Argentina. Segundo a corretora, os prêmios atuais indicam que essa vantagem deve se manter em dezembro e janeiro e pode se estender até fevereiro. Se as vendas americanas não acelerarem, os preços na Bolsa de Chicago podem ter de cair ainda mais para que os EUA recuperem mercado.
Brasil e Argentina colheram safras recordes de milho em 2026. No caso brasileiro, porém, as exportações vinham menores que no passado, por causa da forte demanda interna para a produção de etanol de milho.
Dados de programação de navios da agência marítima Cargonave indicam que os embarques brasileiros de milho para a Europa podem passar de 1 milhão de toneladas só em outubro, com a Espanha entre os principais destinos. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou a previsão de exportação total de milho em outubro para quase 7 milhões de toneladas, mais de 1 milhão acima do mesmo mês de 2025.
Atenção para o custo da ração
Para avicultores e suinocultores, o movimento merece atenção. O milho é o principal ingrediente da ração, e a combinação de exportações mais fortes com a demanda crescente das usinas de etanol de milho tende a reduzir a oferta disponível no mercado interno, o que pode sustentar os preços do grão nos próximos meses. O sinal de alerta já aparece nos índices de custo: segundo o Cepea, o grupo de grãos subiu 6,58% em setembro em relação a agosto. Por outro lado, a safra recorde de mais de 367 milhões de toneladas de grãos prevista pela Conab para 2026/27 pode ajudar a equilibrar o mercado a partir do próximo ano.
Com informações da Reuters/CNN Brasil, do Cepea e da Conab





