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A era de “comprar tudo de IA” passou. E as neoclouds estão pagando a conta

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A sul-coreana Elice teve uma estreia decepcionante no mercado de capitais, com suas ações caindo 32% após um IPO que captou US$ 151 milhões.

Essa queda é mais um exemplo da crescente preocupação dos investidores com as neoclouds, empresas de data centers focadas em inteligência artificial. O mercado está se tornando mais seletivo, especialmente em relação à saúde financeira e dívidas dessas empresas.

A CoreWeave, que abriu capital na Nasdaq em 2025, viu suas ações recuarem 20% após a revelação de uma dívida de US$ 50 bilhões, levando a uma desvalorização significativa de sua avaliação.

Outras empresas, como Firmus e Nscale, também enfrentam desafios em atrair investidores para suas ofertas públicas iniciais de ações.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A sul-coreana Elice decepcionou em sua estreia no mercado de capitais. Após captar US$ 151 milhões em seu IPO, com a demanda superando a oferta em cerca de 400 vezes, a empresa viu suas ações despencarem 32% no primeiro dia de negociações na Korea Exchange, na terça-feira, 20 de outubro.

Longe de uma exceção, a forte queda nos papéis reforça a onda crescente de preocupação dos investidores em relação às neoclouds – como também são chamadas as empresas de data centers centradas na oferta de capacidade computacional para a inteligência artificial (IA).

Na contramão da corrida desenfreada da IA nos últimos anos, o mercado começa a se mostrar mais seletivo e exigente nos investimentos nessas companhias. E os investidores estão tornando mais difícil — e mais caro — financiar a corrida da inteligência artificials.

“A era de ‘comprar tudo que envolva inteligência artificial’ acabou”, afirmou Hebe Chen, analista sênior de mercado da corretora Vantage Global, em entrevista à agência Bloomberg.

A promessa de crescimento começa a ser confrontada com uma pergunta decisiva para o negócio: quanto desse avanço chegará ao bolso de quem paga pela expansão? Essa mudança recente começou a ganhar uma resposta a partir da principal representante dessa vertente, a americana CoreWeave, que abriu capital na Nasdaq em março de 2025 e foi pioneira nesse modelo de negócios.

Na semana passada, as ações da empresa recuaram 20% após uma dívida acumulada de US$ 50 bilhões da companhia vir à tona e acender de vez o sinal de alerta dos investidores sobre os riscos embutidos em sua operação.

O período da CoreWeave como companhia de capital aberto já vinha mostrando as oscilações da confiança dos investidores nessa tese. A empresa chegou perto de um valution de US$ 90 bilhões no ano passado. Mas recuou desde então e, atualmente, está avaliada no patamar de US$ 34 bilhões.

A pressão também aparece nas carteiras dos fundos de investimento. Dados do Goldman Sachs indicam que os hedge funds reduziram posições em tecnologia em cinco pregões, até 15 de outubro na maior proporção desde o início da série, em 2016.

Essa desconfiança dos investidores não está restrita às neoclouds listadas. Tal cenário também vem afetando quem vem se preparando para abrir capital, como a Firmus, empresa que, no início deste mês, parecia estar a caminho de realizar um dos maiores IPOs da história da Austrália, estimado em até US$ 5,5 bilhões.

Entretanto, a companhia foi obrigada a recalcular esse roteiro depois de não conseguir atrair investidores globais para a oferta. Agora, a companhia está explorando uma rodada privada com fundos e nomes que já compõem o seu captable, entre eles a Nvidia, que também investe na CoreWeave.

A britânica Nscale, outra neocloud investida da Nvidia, também está enfrentando o ceticismo em relação ao seu IPO, com os investidores sugerindo uma avaliação entre US$ 16 bilhões e US$ 19 bilhões na oferta, contra os US$ 30 bilhões estipulados como meta pela companhia.

Tanto a Firmus como a Nscale têm pela frente o desafio de converter a demanda e os pedidos em sua carteira em operações funcionais, já que, até agora, a dupla colocou à disposição dos clientes apenas uma fração da capacidade planejada de seus data centers.

A Nscale, por exemplo, conseguiu construir ou arrendar menos de 1% da capacidade potencial destacada no prospecto da sua oferta pública inicial de ações.

Outras empresas do setor também têm encontrado dificuldade nesse processo. Esse é o caso da SB Energy, companhia criada pelo Softbank para atuar com infraestrutura de IA nos Estados Unidos. E cujas negociações para um IPO estão paralisadas.

“Quando o sentimento é extremamente otimista, ninguém se importa. E quando é extremamente pessimista, é o fim do mundo”, afirmou Leonid Mironov, gestor de portfólio da Gavekal Capital à Bloomberg.

“A resposta é o fluxo de caixa: se houver o suficiente para todos, as neoclouds ficarão bem. Um posicionamento tão pessimista dificulta a avaliação dos impactos fundamentais reais”, acrescentou Mironov.



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